A Vale (VALE3) voltou a ser a maior produtora de minério de ferro do mundo em 2025 ao atingir 336,1 milhões de toneladas, superando a produção da até então líder, a Rio Tinto em Pilbara.
A Mineradora Vale supera a Rio Tinto e volta a ser maior do mundo em produção de minério de ferro em 2025, consolidando a retomada de sua liderança global após anos de reestruturação operacional. A mineradora brasileira produziu 336,1 milhões de toneladas do insumo no ano passado, crescimento de 2,6% em relação a 2024, segundo dados divulgados nesta terça-feira. O volume que ultrapassou a produção da Rio Tinto em Pilbara, estimada em 327,3 milhões de toneladas. Pilbara é considerada a principal referência da produção da mineradora australiana, já que concentra a maior parte de suas operações e vendas globais. Mas nos últimos anos a Vale ampliou a produção novamente, ganhando terreno frente à Rio Tinto, o que levou o presidente da mineradora brasileira, Gustavo Pimenta (foto abaixo), a comentar recentemente em várias oportunidades que a companhia recuperaria o posto de número 1 em minério de ferro.
O resultado ocorre seis anos após a Vale perder a liderança global, em meio aos impactos do rompimento da barragem de Brumadinho (MG), em 2019. Desde então, a empresa passou por uma profunda revisão de seus projetos, com foco em segurança operacional, estabilidade produtiva e retomada gradual da capacidade instalada. A Vale perdeu a liderança em minério de ferro para a Rio Tinto em 2019, após impactos do rompimento de sua barragem em Brumadinho (MG), o que demandou uma profunda revisão dos projetos da companhia em busca de maior segurança devido ao desastre que matou centenas de pessoas.
A Rio Tinto informou que, ao incluir suas operações no Canadá, a produção total alcançou 336,6 milhões de toneladas, número ligeiramente superior ao da Vale. Ainda assim, a mineradora brasileira destaca que a comparação direta com Pilbara é o principal parâmetro competitivo do setor, o que reforça o caráter simbólico da retomada da liderança. Executivos da Vale já vinham sinalizando ao mercado que a empresa voltaria ao topo da produção global de minério de ferro, à medida que projetos estratégicos avançassem e gargalos operacionais fossem superados.
Além de recuperar a liderança, a Vale também superou seu próprio guidance. A meta oficial para 2025 era produzir 335 milhões de toneladas, patamar ligeiramente inferior ao volume efetivamente alcançado. Apesar do avanço, a produção ainda está abaixo do recorde histórico de 384,6 milhões de toneladas, registrado em 2018, antes do desastre de Brumadinho. Naquele mesmo ano, a Rio Tinto produziu 337,8 milhões de toneladas em Pilbara, o que evidencia a relevância do desempenho atual da mineradora brasileira. Esse movimento reforça a estratégia da Vale de crescimento gradual e sustentável, priorizando segurança, confiabilidade operacional e disciplina de capital — temas recorrentes nas comunicações recentes da companhia com investidores.
O bom desempenho anual foi sustentado por um quarto trimestre forte, no qual a produção atingiu 90,4 milhões de toneladas, avanço de 6% na comparação anual. Segundo a Vale, o resultado reflete o desempenho sólido da mina de Brucutu e o avanço contínuo do ramp-up dos projetos Capanema e VGR1. Por outro lado, o crescimento ocorreu apesar de uma redução de 6,5 milhões de toneladas no sistema Norte, – leia-se Carajás – principal complexo produtor da companhia, cuja produção caiu para 44,8 milhões de toneladas no período.
As vendas de minério de ferro seguiram o aumento da produção. No quarto trimestre, a Vale comercializou 84,9 milhões de toneladas, alta de 4,5% na comparação anual. No acumulado de 2025, as vendas totalizaram 314,36 milhões de toneladas, crescimento de 2,5% frente ao ano anterior. O desempenho comercial reforça a estabilidade da demanda pelo produto da Vale, tema que dialoga com outras análises já publicadas sobre o setor de mineração e siderurgia no site. 95,40 por tonelada no quarto trimestre, alta de 2,6% em relação ao mesmo período de 2024. No entanto, na média de 2025, o valor ficou em US$ 91,60, representando uma queda de 3,9% na comparação anual.
PELOTAS – A produção de pelotas de minério de ferro caiu ao longo de 2025. No quarto trimestre, o volume foi de 8,3 milhões de toneladas, retração de 9,2% em relação ao ano anterior. No acumulado do ano, a queda foi de 15%, para 31,36 milhões de toneladas. Segundo a mineradora, a unidade de pelotização de São Luís – na área do complexo portuário do Itaqui – permaneceu em manutenção durante todo último trimestre do ano e que uma eventual retomada será avaliada conforme as condições de mercado.
COBRE – Além do minério de ferro, a Vale também apresentou avanços em outros metais. A produção de cobre atingiu 382,4 mil toneladas em 2025, crescimento de 9,8%, no melhor resultado desde 2018 e acima do guidance, termo que inglês que significa orientações e/ou projeções do mercado. O desempenho foi impulsionado pela unidade de Salobo, que alcançou recorde trimestral. Já a produção de níquel somou 177,2 mil toneladas no ano, alta de 10,8%, beneficiada pelo comissionamento do segundo forno de Onça Puma e pelo avanço das minas subterrâneas de Voisey’s Bay.
Após perder espaço para a concorrente australiana em meio às consequências do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, a Vale passou por uma profunda reestruturação operacional. Desde então, a mineradora revisou processos, reforçou padrões de segurança e reorganizou seus ativos produtivos. Como resultado, a produção de minério de ferro voltou a crescer de forma gradual e consistente, permitindo que a empresa reconquistasse participação relevante no mercado global. Além disso, executivos da companhia já vinham sinalizando ao mercado que a recuperação do posto de liderança era uma meta estratégica.









