{"id":5366,"date":"2023-03-06T21:41:37","date_gmt":"2023-03-06T21:41:37","guid":{"rendered":"https:\/\/portosma.com.br\/?page_id=5366"},"modified":"2025-11-20T17:19:17","modified_gmt":"2025-11-20T17:19:17","slug":"ponto-de-vista","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/portosma.com.br\/index.php\/ponto-de-vista\/","title":{"rendered":"Artigos, cultura, livros, ponto de vista&#8230;"},"content":{"rendered":"<h4><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-26589 size-full alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CUTRIM-01.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"622\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CUTRIM-01.jpg 500w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CUTRIM-01-241x300.jpg 241w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><strong>\u00c9 com grande alegria que convidamos todos para o lan\u00e7amento oficial do livro Metodologia de Projetos Sustent\u00e1veis, de S\u00e9rgio Cutrim, Susanne Ferreira Cutrim e L\u00e9o Tadeu Robles.<\/strong><\/h4>\n<h4><span style=\"color: #800000;\">\ud83d\udcc5 Data: S\u00e1bado, 29 de novembro<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #800000;\">\ud83d\udd55 Hor\u00e1rio: 18h<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #800000;\">\ud83d\udccd Local: Livraria AMEI \u2013 S\u00e3o Lu\u00eds Shopping, S\u00e3o Lu\u00eds \u2013 MA.<\/span><\/h4>\n<h4><strong>A obra apresenta um modelo inovador para quem deseja criar projetos engajadores, inovadores e impactantes, alinhando sustentabilidade, ESG, estrat\u00e9gia, neg\u00f3cios, inova\u00e7\u00e3o e prop\u00f3sito.<\/strong><\/h4>\n<h4><strong>\ud83c\udf3f Venha participar deste momento especial!<\/strong><br \/>\n<strong>Converse com os autores, conhe\u00e7a o processo criativo por tr\u00e1s da metodologia e garanta seu exemplar autografado.<\/strong><\/h4>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/podeditora.com.br\/produto\/um-clandestino-lancado-ao-mar\/\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-25932 size-full alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-001.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"694\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-001.jpg 500w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-001-216x300.jpg 216w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Inspirado na Odisseia, este livro narra a epopeia real de<\/p>\n<p>Tope Aiyegbusi, um jovem nigeriano que aos 16 anos foge de casa sem dinheiro, sem apoio, sem dinheiro e f\u00e9. F\u00e9 de, na condi\u00e7\u00e3o de clandestino o destino o levasse onde pudesse \u201cse tornar\u201d gente. Ter uma identidade, se tornar parte da hist\u00f3ria de pessoas que, como eles, partiram do nada na esperan\u00e7a de tudo encontrar. O livro, \u201cum clandestino lan\u00e7ado ao mar\u201d, de autoria de Elson Azevedo Burity, foi lan\u00e7ado no \u00faltimo dia 17 de outubro de 2025, no Sal\u00e3o Nobre do Tribunal Mar\u00edtimo, Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A seguir, uma s\u00edntese da biografia do autor, fotos da cerim\u00f4nia de lan\u00e7amento e o pref\u00e1cio assinado pelo Vice Almirante <strong>Ralph Dias da Silveira Costa, <\/strong>Presidente do Tribunal Mar\u00edtimo. Impresso pela POD, o livro tem 120 p\u00e1ginas e est\u00e1 disponibilizado, de gra\u00e7a, em pdf, para quem quiser. Basta clicar na foto da capa que ser\u00e1 encaminhando ao site da editora onde est\u00e1 disponibilizado o link para download.<\/p>\n<p>Elson de Azevedo Burity \u00e9 Capit\u00e3o de Mar e Guerra reformado da Marinha do Brasil, com uma carreira marcada pela dedica\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a da navega\u00e7\u00e3o e do tr\u00e1fego mar\u00edtimo. \u00c9 ex Delegado de Tabantiga, ex Capit\u00e3o dos Portos do Maranh\u00e3o entre os anos de 2000 e 2002. Formou-se na Turma do Quadro Complementar em 1972, tendo como Patrono Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrade e Silva. Entre os anos de 2007 e 2023, exerceu \u201cTarefa por Tempo Certo\u201d TTC no Tribunal Mar\u00edtimo, onde participou da an\u00e1lise de centenas de processos mar\u00edtimos envolvendo acidentes e fatos da navega\u00e7\u00e3o. Autor de in\u00fameros artigos publicados em revistas, jornais e sites especializados. Burity, agora, estr\u00e9ia no universo liter\u00e1rio com uma obra emocionante, combinando sua experi\u00eancia t\u00e9cnica com a sensibilidade de quem conhece os desafios e as hist\u00f3rias que nascem no mar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_25933\" aria-describedby=\"caption-attachment-25933\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-25933 size-full\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-002.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"613\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-002.jpg 900w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-002-300x204.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-002-768x523.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25933\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #800000;\"><em><strong>Da esquerda para a direita: Juiz Ladeiras, Juiz Atilla, Almirante Halph, Gofu (<\/strong>o pesonagem<strong>), Elson Burity, (<\/strong>o autor<strong>), Juiz J\u00falio, Juiz Nelson e o Almirante Barros Coutinho.<\/strong><\/em><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-25934 size-full\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-003.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-003.jpg 900w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-003-300x136.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-003-768x349.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-25935 size-full\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-004.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"393\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-004.jpg 900w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-004-300x131.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-004-768x335.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-25936 size-full\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-005.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"446\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-005.jpg 900w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-005-300x149.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-005-768x381.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-25937 size-full\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-006.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"348\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-006.jpg 900w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-006-300x116.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/BURITY-006-768x297.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/>&nbsp;<br \/>\n<strong>Pref\u00e1cio &#8211; <\/strong>Esta hist\u00f3ria, por ser permeada, de in\u00fameros aspectos, posso citar &#8211; geogr\u00e1ficos, culturais, humanos, mar\u00edtimos e tantos outros, \u00e9 rica em ensinamentos, aprendizados, li\u00e7\u00f5es de humanidade (para o bem e para o mal!) e de Justi\u00e7a. Podemos comparar, guardado todo o respeito e a import\u00e2ncia na literatura, \u00e0 Odisseia de Homero \u2013 livro dado por meu pai, primeiro que li. Ap\u00f3s a vit\u00f3ria na guerra de Tr\u00f3ia, Ulisses demandou a Ilha de \u00cdtaca para reencontrar o seu lar, sua amada esposa e seu filho. Levou 20 anos em uma aventura mar\u00edtima para chegar ao seu destino enfrentando monstros, sereias, bruxas e mares revoltos, mas foi protegido pela Deusa Atena.<\/p>\n<p>A presente obra, fala de um jovem africano, Tope Aiyegbusi, sa\u00eddo aos 16 anos de idade do conv\u00edvio de seus familiares na Nig\u00e9ria, que percorreu Qu\u00eania, Tanz\u00e2nia, Z\u00e2mbia, Zimb\u00e1bue e Botsuana, at\u00e9 alcan\u00e7ar a \u00c1frica do Sul, s\u00e3o mais de 6000 km em vias terrestres. Embarcou clandestinamente em um navio desconhecido com a pretens\u00e3o de alcan\u00e7ar os Estados Unidos da Am\u00e9rica, n\u00e3o para encontrar Pen\u00e9lope e Tel\u00eamaco, como Ulisses, mas para buscar outra vida.<\/p>\n<p>Antes do embarque, na \u00c1frica do Sul, teve seu nome trocado para Gofu Felix Corleoma. Durante o embarque, ap\u00f3s ser descoberto, foi lan\u00e7ado ao mar em prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es. Como uma agulha no palheiro, foi encontrado e a inesperada sobreviv\u00eancia deu-lhe a chance de enfrentar muitos e novos desafios, viver num pa\u00eds desconhecido, conseguir ultrapassar v\u00e1rias barreiras, obter a cidadania brasileira, virar \u201ccelebridade\u201d, trabalhar, casar e ter duas filhas. Lamentavelmente, uma doen\u00e7a n\u00e3o o poupou, mas conseguiu tratar-se e com algumas restri\u00e7\u00f5es deu continuidade ao seu cotidiano.<\/p>\n<p>Que esta obra possa levar uma mensagem de for\u00e7a interior, esperan\u00e7a e cren\u00e7a na justi\u00e7a dos homens e de Deus, para os humildes que lutam por seus ideais, mesmo aqueles considerados como mais improv\u00e1veis, pois Gofu tamb\u00e9m como Ulisses enfrentou monstros, sereias, bruxas e mares revoltos e com certeza foi protegido por um Bom Deus.<\/p>\n<p>Parabenizo o autor, comandante Capit\u00e3o de Mar e Guerra Elson de Azevedo Burity, ao retratar uma hist\u00f3ria real, a qual teve profunda participa\u00e7\u00e3o, revestida de contornos t\u00e9cnicos, investigativos e jur\u00eddicos, conseguindo torna-la atrativa e at\u00e9 encontrar um final para essa dram\u00e1tica e perigosa Odisseia; Boa leitura.<\/p>\n<p><em>Boa sorte Gofu!!!<br \/>\n<strong>Ralph Dias da Silveira Costa<\/strong><br \/>\nVice-Almirante (RM1), Presidente do Tribunal Mar\u00edtimo<\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">O pre\u00e7o da covardia e o alerta para a sociedade<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><em><strong>Carlos Furtado<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-23581 alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG-20250708-WA0000-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG-20250708-WA0000-225x300.jpg 225w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG-20250708-WA0000.jpg 380w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/>A poeira da vaquejada ainda assentava quando o sil\u00eancio da noite de seis de julho de dois mil e vinte e cinco do munic\u00edpio de Trizidela do Vale, no Estado do Maranh\u00e3o, foi rasgado por disparos. N\u00e3o eram fogos de artif\u00edcio, mas o som seco da covardia que ceifava a vida do policial militar Geidson Thiago da Silva, conhecido como &#8220;Dos Santos&#8221;. Em folga, em um momento de lazer, ele ousou pedir ao prefeito de Igarap\u00e9 Grande, Jo\u00e3o Vitor Xavier, que baixasse o farol alto de seu carro, um pequeno inc\u00f4modo que se transformaria em trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>Segundo relatos, &#8220;Dos Santos&#8221; sequer teve tempo de esbo\u00e7ar uma rea\u00e7\u00e3o. Virou as costas, possivelmente j\u00e1 se afastando, quando o prefeito, em um ato de f\u00faria descabida, teria buscado uma arma no carro e descarregado cinco tiros nas costas do PM. Cinco tiros. Na escurid\u00e3o da vaquejada, a luz que se apagava era a de um homem, um servidor, um elo crucial na cadeia da ordem.<\/p>\n<p>A alega\u00e7\u00e3o de &#8220;leg\u00edtima defesa&#8221; por parte do prefeito soa como um esc\u00e1rnio diante dos fatos narrados por testemunhas e pelas imagens preliminares. Como pode ele alegar defender-se de algu\u00e9m que lhe d\u00e1 as costas, desarmado, apenas por ter feito um pedido trivial? A arma do crime, &#8220;extraviada&#8221;, segundo o suspeito, \u00e9 mais um ind\u00edcio de que a verdade, se n\u00e3o for buscada com rigor, pode ser soterrada sob a lama da impunidade.<\/p>\n<p>Esse epis\u00f3dio, lamentavelmente, n\u00e3o \u00e9 isolado. Ele escancara uma realidade dolorosa: a vulnerabilidade daqueles que juraram nos proteger. Policiais militares, muitas vezes mal remunerados, subequipados e sobrecarregados, s\u00e3o a \u00faltima barreira entre a sociedade e o caos. Quando essa barreira \u00e9 atacada, e pior, quando seus pr\u00f3prios integrantes s\u00e3o alvos de tamanha barb\u00e1rie, a confian\u00e7a no sistema se esvai.<\/p>\n<p>A morte de &#8220;Dos Santos&#8221; \u00e9 um grito de alerta para o Estado do Maranh\u00e3o e para o Brasil. N\u00e3o basta lamentar. \u00c9 preciso agir com veem\u00eancia para garantir que a justi\u00e7a seja feita, independentemente de quem seja o agressor. O foro privilegiado n\u00e3o pode ser um escudo para a barb\u00e1rie, mas, sim, uma ferramenta para assegurar a lisura do processo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da puni\u00e7\u00e3o exemplar para o respons\u00e1vel, \u00e9 imperativo que o Estado reforce seu compromisso com seus policiais militares. Isso significa oferecer condi\u00e7\u00f5es de trabalho dignas, treinamento adequado, equipamentos de ponta e, acima de tudo, apoio psicol\u00f3gico e jur\u00eddico incondicional. A confian\u00e7a dos policiais em sua institui\u00e7\u00e3o \u00e9 o alicerce para a efic\u00e1cia de sua atua\u00e7\u00e3o. Se eles se sentem desamparados, se a vida de um deles \u00e9 ceifada com tamanha facilidade e a impunidade paira no ar, a desmotiva\u00e7\u00e3o e o sentimento de abandono podem corroer a espinha dorsal da seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>A sociedade precisa compreender que a queda dessa \u00faltima barreira n\u00e3o \u00e9 apenas a fal\u00eancia de uma institui\u00e7\u00e3o, mas o pren\u00fancio de um abismo. Quando a lei perde seu bra\u00e7o armado, quando a autoridade \u00e9 desrespeitada e seus agentes s\u00e3o vitimados pela covardia, o tecido social se desintegra. O que resta \u00e9 a lei do mais forte, do mais violento, do mais impune.<\/p>\n<h4>Geidson Thiago da Silva, &#8220;Dos Santos&#8221;, n\u00e3o era apenas um policial. Ele era a representa\u00e7\u00e3o de um ideal de seguran\u00e7a e ordem. Sua morte, se n\u00e3o for um catalisador para a mudan\u00e7a e para o fortalecimento das institui\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, ser\u00e1 a comprova\u00e7\u00e3o de que, em Trizidela do Vale, e talvez em muitos outros cantos do pa\u00eds, a covardia vestiu a m\u00e1scara da impunidade, e a sociedade, silenciada, pereceu junto com seu protetor.<\/h4>\n<p>Que esta cr\u00f4nica sirva n\u00e3o apenas como um registro dos fatos, mas como um apelo veemente para que a luz da justi\u00e7a e do apoio institucional brilhe intensamente, impedindo que mais vidas e a pr\u00f3pria sociedade se percam na escurid\u00e3o da covardia.<\/p>\n<p>____________________<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Carlos Furtado \u00e9 escritor, presidente da Academia Maranhense de Ci\u00eancias, Letras e Artes Militares, presidente da Academia de Letras dos Militares Estaduais do Brasil e do Distrito Federal e Vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Academias de Letras do Maranh\u00e3o.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #3366ff;\">Qual \u00e9 a sua voz?<\/span><\/h3>\n<p>Muitas mulheres se sentem desconfort\u00e1veis em serem rotuladas como \u201cfeministas\u201d. Talvez por uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia no mercado de trabalho, por vigorar no mundo corporativo, por preconceito ou desconhecimento, o velho estere\u00f3tipo de que feministas s\u00e3o contra casamento, fam\u00edlia, odeiam homens e se sentem superiores a eles.<\/p>\n<p>Para muitas mulheres a op\u00e7\u00e3o \u00e9 se comportar como \u201cum deles\u201d, acreditando que para ter sucesso profissional precisam \u201cse encaixar\u201d, mantendo silente suas cren\u00e7as e convic\u00e7\u00f5es. E quando falamos nisso, a imagem que vem \u00e0 mente s\u00e3o as mulheres das gera\u00e7\u00f5es passadas, que n\u00e3o por escolha pessoal, mas para serem inseridas no mercado de trabalho, escondiam sua feminilidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5388\" aria-describedby=\"caption-attachment-5388\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5388 size-full\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/OGMO-3.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"353\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/OGMO-3.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/OGMO-3-255x300.jpg 255w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5388\" class=\"wp-caption-text\"><em><span style=\"color: #993300;\"><strong>Shana Carolina Bertol,<\/strong> Diretora Executiva do OGMO\/Paranagu\u00e1; Diretora Financeira da Academia Brasileira de Direito Portu\u00e1rio e Mar\u00edtimo &#8211; ABDPM; Idealizadora e Diretora de Marketing e Comunica\u00e7\u00e3o Mulheres &amp; Portos.<\/span><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Estar dentro do neg\u00f3cio e conseguir avan\u00e7ar na carreira para cargos de lideran\u00e7a e gest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil para n\u00f3s mulheres, e quase sempre vem acompanhada de \u201cpiadas\u201d e coment\u00e1rios pejorativos como: \u201cteve sorte\u201d, \u201cser mulher deve ter ajudado\u201d; \u201co que ser\u00e1 que ela fez para ser promovida\u201d. Lamentavelmente, o m\u00e9rito, a capacidade e a compet\u00eancia s\u00e3o desprezadas, impondo as mulheres maior dedica\u00e7\u00e3o e trabalho, com mais resultados que os homens.<\/p>\n<p>\u00c9 a velha m\u00e1xima: a r\u00e9gua para n\u00f3s, mulheres, \u00e9 sempre mais alta. E isso n\u00e3o \u00e9 \u201cmimimi\u201d. Um relat\u00f3rio de McKinsey 2011 destacou que homens s\u00e3o promovidos com base em seu potencial, enquanto as mulheres s\u00e3o promovidas com base em seus resultados.<\/p>\n<p>Casa, fam\u00edlia, trabalho e estudos&#8230; Muitas mulheres desistiram ao longo do percurso, frustradas por n\u00e3o encontrarem seu espa\u00e7o. Outras n\u00e3o t\u00eam op\u00e7\u00e3o, pois s\u00e3o provedoras da casa e se submetem a ficar caladas diante de situa\u00e7\u00f5es de desigualdade. Algumas est\u00e3o t\u00e3o consumidas pela carreira que n\u00e3o tem vida pessoal. Fato \u00e9 que muitas mulheres est\u00e3o \u00e0 beira de uma vida colapsada, deixando de lado sua sa\u00fade f\u00edsica e mental.<\/p>\n<p>E n\u00e3o estamos dizendo que o simples fato de sermos mulheres imp\u00f5e ao mercado o reconhecimento profissional ou tratamento diferenciado. Nos referimos as mulheres que det\u00e9m todo m\u00e9rito e compet\u00eancia para ocuparem posi\u00e7\u00f5es acima das atualmente exercidas, que encontram barreiras sobre quest\u00f5es salariais, promo\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo pela necessidade de passarem mais tempo com sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>No Brasil, em que pese representarmos 51,7% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, com maior forma\u00e7\u00e3o em n\u00edvel superior (19% em face de 15% dos homens), se olharmos para o mercado de trabalho, os dados s\u00e3o alarmantes: 3,5% das mulheres s\u00e3o CEOs; 37,4% ocupam cargos de lideran\u00e7a e 50% das mulheres s\u00e3o demitidas ap\u00f3s terem filhos. Em m\u00e9dia nacional, as mulheres ganham 20,5% a menos que os homens no mesmo cargo. As mulheres t\u00eam maior probabilidade de trabalhar em empregos de baixa remunera\u00e7\u00e3o no setor informal, n\u00e3o regulamentado e subvalorizado, acarretando \u00edndices preocupantes de abusos e viol\u00eancia sexual, apenas por serem mulheres.<\/p>\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero \u00e9 perpetuada n\u00e3o somente por leis que a excluem, como tamb\u00e9m pela aus\u00eancia delas: Em 86 pa\u00edses as mulheres enfrentam alguma forma de restri\u00e7\u00e3o aos tipos de trabalho que podem exercer; em 18 pa\u00edses os maridos podem proibir as mulheres de trabalhar; 39 pa\u00edses impedem que mulheres herdem bens de seus pais; em 36, vi\u00favas n\u00e3o t\u00eam direito a im\u00f3veis ou quaisquer propriedades que pertenciam \u00e0 fam\u00edlia; 95 pa\u00edses n\u00e3o garantem a remunera\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria para trabalhos de igual valor; 59 pa\u00edses n\u00e3o possuem leis contra o ass\u00e9dio sexual no ambiente de trabalho e, h\u00e1 pa\u00edses que n\u00e3o oferecem programa nacional de licen\u00e7a parental remunerada.<\/p>\n<p>Se o sentimento que reverbera face a esses dados e estat\u00edsticas n\u00e3o s\u00e3o ap\u00e1ticos e, sim, que precisamos mudar o status quo. Se h\u00e1 dentro de voc\u00ea uma vontade em ser livre para ser como quer ser e n\u00e3o ter que mudar para se \u201cencaixar\u201d. Se voc\u00ea acredita que o m\u00e9rito a diferencia e n\u00e3o o seu g\u00eanero. Voc\u00ea \u00e9 feminista, sim!<\/p>\n<figure id=\"attachment_5368\" aria-describedby=\"caption-attachment-5368\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5368\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/OGMO-2.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/OGMO-2.jpg 400w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/OGMO-2-222x300.jpg 222w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5368\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #993300;\"><strong><em>Ana Cl\u00e1udia Barbosa,&nbsp;<\/em><\/strong><em>Diretora Executiva do OGMO\/Itaqui; Idealizadora e Diretora de Desenvolvimento Mulheres &amp; Portos.<\/em><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Ser feminista independe de ideologia pol\u00edtica. Significa que mulheres e homens devem trabalhar juntos para derrubar as barreiras e acabar com preconceitos que ainda impedem o avan\u00e7o das mulheres. Ser feminista n\u00e3o est\u00e1 atrelado \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o sexual, religi\u00e3o, nem \u00e0 forma de se vestir. N\u00e3o \u00e9 oprimir homens pelo seu g\u00eanero \u2013 esse \u00e9 o conceito do termo \u201cfemismo\u201d, que n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de feminismo.&nbsp; \u00c9 o direito das mulheres escolherem se e quando ter\u00e3o filhos; se querem ingressar no mercado de trabalho ou ficar em casa exercendo um trabalho n\u00e3o remunerado; se querem ou n\u00e3o pintar o cabelo, enfim de serem donas de todas as suas escolhas.<\/p>\n<p>O mundo n\u00e3o ser\u00e1 melhor se tiverem mais mulheres no poder do que homens. Como brilhantemente afirma Melinda Gates, a domina\u00e7\u00e3o masculina \u00e9 prejudicial \u00e0 sociedade porque qualquer domina\u00e7\u00e3o \u00e9 ruim. Estamos aqui para ressignificar uma sociedade marcada por uma hierarquia falsa em que o poder e a oportunidade subordinam-se a g\u00eanero, idade, riqueza e privil\u00e9gios- e n\u00e3o a capacidade, esfor\u00e7o, talento ou realiza\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como desenvolver uma sociedade sem inclus\u00e3o e igualdade. O processo evolutivo de consci\u00eancia n\u00e3o tem g\u00eanero, tanto homens quanto mulheres s\u00e3o fruto de uma cultura patriarcal, que a passos lentos, vem aos poucos apresentando mudan\u00e7as. Essa mudan\u00e7a \u00e9 retratada por Raj Sisodia e Nilima Bhat, que desenvolvem uma an\u00e1lise de evolu\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia, \u201cassim como o s\u00e9culo 19 teve como tema o fim da escravid\u00e3o e o 20 o fim do totalitarismo\u201d, os autores apresentam que \u201ca hist\u00f3ria mais importante do s\u00e9culo 21, sem d\u00favida, ser\u00e1 o fim de relegar a mulher e os valores femininos a segundo plano\u201d.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 a desconstru\u00e7\u00e3o da mentalidade de poder de um g\u00eanero sob o outro, permanecendo o valor das compet\u00eancias, habilidades, experi\u00eancias e caracter\u00edsticas comportamentais, capazes de transformar empresas, sociedade e o mundo.<\/p>\n<p>E a mudan\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o parte de considerarmos o g\u00eanero como um espectro e n\u00e3o como dois ideais que se op\u00f5em. \u00c9 por isso que n\u00f3s, mulheres, precisamos elevar umas \u00e0s outras, n\u00e3o para substituir homens que est\u00e3o no topo da hierarquia, mas para que tenhamos uma parceria igualit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A sem\u00e2ntica \u00e9 importante, mas a ideia e a ambi\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s dela \u00e9 que gerar\u00e1 a mudan\u00e7a que tanto buscamos, expondo claramente os efeitos da discrimina\u00e7\u00e3o sexual sobre n\u00f3s e buscando a\u00e7\u00f5es que eliminem as barreiras invis\u00edveis e os vieses inconscientes que dificultam, e at\u00e9 mesmo impedem, o avan\u00e7o profissional das mulheres no mundo corporativo.<\/p>\n<p>Defender igualdade de g\u00eanero sem se declarar feminista \u00e9 contradit\u00f3rio. Como diz Maynara Fanucci, \u201c\u00e9 dizer que n\u00e3o bebe \u00e1gua, mas bebe H2O&#8221;. Esperamos que mais mulheres e homens &#8211; por suas m\u00e3es, filhas, irm\u00e3s e amigas &#8211; aceitem esse qualificativo do feminismo com orgulho, para que possamos unir vozes em busca de um futuro de autenticidade, igualdade, inclus\u00e3o e respeito.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Ba\u00eda ou golf\u00e3o de S\u00e3o Marcos<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><em><strong>Comandante Ramos, ex-Capit\u00e3o dos Portos do Maranh\u00e3o<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-23584 alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GOLFAO-300x220.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GOLFAO-300x220.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GOLFAO.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Todo navegante embarcado em um navio, que navegue nas \u00e1guas da baia ou golf\u00e3o de S\u00e3o Marcos, no extenso litoral do Maranh\u00e3o, trafega por um extenso e profundo canal de acesso para entrada ou sa\u00edda dos portos e terminais portu\u00e1rios ali existentes. Logo os navegantes se deparam com os cen\u00e1rios fl\u00favio-marinhos que emolduram essas \u00e1guas, como as \u00e1reas de ancoragem, normalmente repletas de navios carregados ou a carregarem mercadorias, assim como a grande ilha do Maranh\u00e3o\/Upaon A\u00e7u ind\u00edgena a Leste, mas conhecida como ilha de S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>A Oeste se destaca os promont\u00f3rios do Centro de Lan\u00e7amento de Alc\u00e2ntara, importante e estrat\u00e9gica base aeroespacial brasileira, e a ilha do Livramento na entrada do tradicional porto de Alc\u00e2ntara. Prosseguindo atinge o Terminal da Ponta da Madeira, o porto do Itaqui\/Emap e o terminal da Alumar. J\u00e1 com o pr\u00e1tico embarcado no navio, pode o navegante apreciar com seu bin\u00f3culo, por bombordo, as ilhas do Medo e Duas Irm\u00e3s que protegem a Ponta da Espera, onde se encontram instalados o cais da Capitania dos Portos e o terminal de ferry boats.<\/p>\n<p>Se os navegantes direcionares os seus bin\u00f3culos para boreste, observar\u00e3o um extenso e profundo e revolto manancial de \u00e1guas revoltas e velozes nas mar\u00e9s de enchente e vazante que permitem acesso \u00e0 Foz do rio Aura, ao Terminal de ferry boat do Cujupe e a promissora Ilha do Cajual onde ser\u00e1 implantado, indubitavelmente, o Terminal Portu\u00e1rio de Alc\u00e2ntara, ampliando nosso complexo portu\u00e1rio e capacitando o Maranh\u00e3o a ser, mais ainda, refer\u00eancia portu\u00e1ria nacional.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">O fen\u00f4meno da viol\u00eancia urbana e a criminalidade<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><em><strong>Carlos Furtado<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-23581 alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG-20250708-WA0000-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG-20250708-WA0000-225x300.jpg 225w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG-20250708-WA0000.jpg 380w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/>Eu n\u00e3o considero a RBM uma fac\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o se enquadra nos crit\u00e9rios que a Antropologia e o Direito Penal selecionaram para essa categoria referente \u00e0 viol\u00eancia. No Complexo Penitenci\u00e1rio de Pedrinhas, em S\u00e3o Lu\u00eds, a antiga gangue Anjos da Morte (ADM) \u201cressuscitou\u201d e est\u00e1 fazendo uma esp\u00e9cie de alian\u00e7a com o Comando Vermelho (CV), mas o relacionamento entre os dois grupos est\u00e1 por um fio<\/p>\n<p>Atualmente tais fen\u00f4menos ultrapassam as barreiras das nossas simples tentativas de entend\u00ea-los, pois simplesmente atacar as consequ\u00eancias, n\u00e3o buscando entender as causas para que sejam debru\u00e7ados em esfor\u00e7os que atentem para os mecanismos que tendam a diminui-los, aproveitando da intelig\u00eancia policial, aux\u00edlio na concep\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e utiliza\u00e7\u00e3o adequada dos meios dispon\u00edveis, parece ser o caminho facilitador.<\/p>\n<p>A guerra entre \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a e as pessoas contumazes em a\u00e7\u00f5es criminais e violentas sempre existir\u00e1, primeiro porque trata-se de um fen\u00f4meno humano e social; como n\u00f3s policiais, nos acostumamos a colocar em pr\u00e1tica, apenas estrat\u00e9gias, baseadas em nossos aprendizados e conhecimentos, muita das vezes deixando de dialogar com todos os atores que de alguma forma, possuem algum tipo de ajuda a oferecer ao Sistema de Seguran\u00e7a P\u00fablica; se assim fosse, as a\u00e7\u00f5es policiais seriam mais direcionadas e possivelmente coroadas de maiores sucessos.<\/p>\n<p>Durante a minha carreira policial militar, privilegiei o trabalho em conjunto com diversos setores sociais e autoridades diversas, vez que as Unidades Policiais Militares (UPMs) que comandei, pude experimentar decl\u00ednios vertiginosos de viol\u00eancia e criminalidade, conforme reconhecimentos dos parlamentos municipais e estadual.<\/p>\n<p>Entre 2003\/2005 na \u00e1rea do 9\u00b0 BPM, regi\u00e3o oeste e central de S\u00e3o Lu\u00eds, conseguimos v\u00e1rios decl\u00ednios e \u00edndices vitoriosos, foram comemorados, entre a PMMA e as Comunidades (exemplos mais significativos foram as comemora\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>1) em novembro de 2005 na Pra\u00e7a M\u00e1rio Andreazza na Liberdade), o corte de um bolo confeitado desfrutado por integrantes da PMMA e pessoas moradoras dos bairros, simbolizou a passagem de mais de 120 dias, sem a ocorr\u00eancia de nenhum homic\u00eddio em toda a adjac\u00eancia, ap\u00f3s um trabalho de intensifica\u00e7\u00e3o do policiamento comunit\u00e1rio na \u00e1rea.<\/p>\n<p>2) outro fato inusitado foi comemorar praticamente 01 ano (entre 2009\/2010), sem a ocorr\u00eancia de nenhum homic\u00eddio no munic\u00edpio de Pinheiro (10\u00b0 BPM).<\/p>\n<p>Sem sombra de d\u00favidas estes resultados satisfat\u00f3rios, s\u00edmbolos de sucessos alcan\u00e7ados, foram alcan\u00e7ados, com a realiza\u00e7\u00e3o de um trabalho conjunto, com uma participa\u00e7\u00e3o efetiva de parcelas representativas das Comunidades, bem como o apoio de \u00f3rg\u00e3os e institui\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s de seus dirigentes.<\/p>\n<p>Chamo isso a aten\u00e7\u00e3o, em face do que li neste convite, abaixo registrado.<\/p>\n<p>Conduta de Dom Quixote em contexto de viol\u00eancia em S\u00e3o Lu\u00eds ser\u00e1 tema de live<\/p>\n<p>Do s\u00e9culo XVII para o s\u00e9culo XXI, aparentemente, muita coisa mudou, sobretudo no que se refere \u00e0 tecnologia. No entanto, em se tratando de outros aspectos, a situa\u00e7\u00e3o seria imut\u00e1vel, mas somente quando a refer\u00eancia \u00e9 a quest\u00e3o arquet\u00edpica, isto \u00e9, fen\u00f4menos sociais que sobrevivem ao tempo e s\u00e3o transmitidos de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, apesar da variabilidade de culturas no planeta. Em termos m\u00edticos, Dom Quixote de La Mancha, por exemplo, continua existindo no comportamento humano. Sobre esse tema, irei fazer uma live no pr\u00f3ximo s\u00e1bado (15), \u00e0s 19h, no meu instagram, adaptando a conduta desse personagem ao contexto de viol\u00eancia urbana em S\u00e3o Lu\u00eds\/MA.<\/p>\n<p>Escolhi esse tema por v\u00e1rios motivos, dentre os quais a pesquisa que fa\u00e7o acerca da guerra urbana no Maranh\u00e3o. O confronto entre fac\u00e7\u00f5es criminosas \u00e9 um dos itens desse meu estudo, que inclui, ainda, a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas nos bairros nos quais h\u00e1 presen\u00e7a de integrantes dessas organiza\u00e7\u00f5es do crime organizado. Atualmente, o cen\u00e1rio na capital maranhense \u00e9 bastante complexo, tanto nas ruas como no ambiente intramuros. No espa\u00e7o p\u00fablico, por exemplo, um grupo denominado \u201cFam\u00edlia Ribamarense\u201d (RBM) se formou a partir de uma cis\u00e3o dentro do Primeiro Comando da Capital (PCC), que perdeu for\u00e7a na Grande Ilha (S\u00e3o Lu\u00eds, S\u00e3o Jos\u00e9 de Ribamar, Pa\u00e7o do Lumiar e Raposa).<\/p>\n<p><strong>A obra de Miguel de Cervantes pode ser adaptada para qualquer situa\u00e7\u00e3o do cotidiano.<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-23583 alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/quixote-300x114.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"114\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/quixote-300x114.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/quixote.jpg 680w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Eu n\u00e3o considero a RBM uma fac\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o se enquadra nos crit\u00e9rios que a Antropologia e o Direito Penal selecionaram para essa categoria referente \u00e0 viol\u00eancia. No Complexo Penitenci\u00e1rio de Pedrinhas, em S\u00e3o Lu\u00eds, a antiga gangue Anjos da Morte (ADM) \u201cressuscitou\u201d e est\u00e1 fazendo uma esp\u00e9cie de alian\u00e7a com o Comando Vermelho (CV), mas o relacionamento entre os dois grupos est\u00e1 por um fio. Todo esse panorama mostra como os del\u00edrios e as alucina\u00e7\u00f5es, t\u00e3o estudados na Psiquiatria e Psicologia, n\u00e3o s\u00e3o eventos vinculados somente ao c\u00e9rebro. Em outras palavras, significam que s\u00e3o reflexos da forma como o ser humano se desloca espacialmente, emocionalmente e socialmente.<\/p>\n<p>Dom Quixote era considerado uma pessoa normal, dentro dos padr\u00f5es civilizat\u00f3rios. Mas, como resultado do seu v\u00edcio em leituras de romances de cavalaria, perdeu a no\u00e7\u00e3o da realidade e passou a se comportar como algu\u00e9m dissociado da sua pr\u00f3pria viv\u00eancia como fidalgo. O desejo dele se tornou sua fantasia, do ponto de vista psicanal\u00edtico. Em S\u00e3o Lu\u00eds, os faccionados imaginam lutar contra &#8220;monstros&#8221;, representados pelos seus rivais, e, nessa \u201cloucura\u201d, sentem prazer ao capturarem o inimigo ou ao trocarem tiros com as for\u00e7as policiais. A ideia de \u201cvida loka\u201d, nesse sentido, \u00e9 o caminho para a morte por negarem a veracidade de uma alternativa que os levaria a uma vida digna.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia urbana em S\u00e3o Lu\u00eds \u00e9 reflexo da insanidade em uma sociedade fragmentada.<\/p>\n<p>Eu gosto de adaptar obras liter\u00e1rias n\u00e3o apenas ao assunto da criminalidade, como, tamb\u00e9m, a outros, como a vida saud\u00e1vel, est\u00e9tica, vaidade, alimenta\u00e7\u00e3o, mercado, emprego, moda, casamento, amizade, ontologia, dentre outros. Ent\u00e3o, eu os convido a assistirem \u00e0 live, que ser\u00e1 transmitida no meu instagram (@nelsonchagas.melocosta), \u00e0s 19h, no pr\u00f3ximo s\u00e1bado.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em><strong>S\u00e3o Lu\u00eds\/MA, 11 de agosto de 2020.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">&#8220;A hist\u00f3ria de S\u00e3o Lu\u00eds sempre esteve relacionada com a navega\u00e7\u00e3o e a atividade portu\u00e1ria&#8221;<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><em><strong>Jos\u00e9 Clementino,<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><em><strong>Analista de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da Vale<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-23585\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/clementino03-300x116.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/clementino03-300x116.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/clementino03-768x296.jpg 768w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/clementino03.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p>Atualmente, o Complexo Portu\u00e1rio da Baia de S\u00e3o Marcos \u00e9 composto por tr\u00eas instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias modernas, s\u00e3o estas:<\/p>\n<p>a) Porto Organizado do Itaqui, uma instala\u00e7\u00e3o p\u00fablica, inaugurada em 1970 e atualmente administrada pela Empresa Maranhense de Administra\u00e7\u00e3o Portu\u00e1ria \u2013 EMAP. A instala\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m re\u00fane diversos terminais que operam em contrato de arrendamento, al\u00e9m de operadores portu\u00e1rios privados;<br \/>\nb) Terminal Portu\u00e1rio Privado da ALUMAR, inaugurado em 1983,administrado pelo cons\u00f3rcio de mesmo nome;<br \/>\nc) Terminal Mar\u00edtimo de Ponta da Madeira, com opera\u00e7\u00f5esiniciadas em 1986 e administrado pela empresa VALE S.A. Existem aindaoutras instala\u00e7\u00f5es de pequeno porte dedicadas ao transportede passageiros e de pequenas embarca\u00e7\u00f5es na baia.<\/p>\n<p>A movimenta\u00e7\u00e3o de carga do Complexo Portu\u00e1rioda Baia de S\u00e3o Marcos sempre foi de grande express\u00e3ono contexto nacional, se destacando seja pelo expressivo volume desua movimenta\u00e7\u00e3o de carga, seja pelas dimens\u00f5esde seus imponentes navios.<\/p>\n<p>Dentreos principais produtos movimentados neste complexo, se destacam osgran\u00e9is s\u00f3lidos, os gran\u00e9is l\u00edquidos eas cargas gerais. Dentre os navios operados no complexo listamos osnavios graneleiros, os navios tanques, os navios gaseiros e os naviosde carga geral, todos estes podem ser observados \u00e0 dist\u00e2nciana praia de nossa litor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros de 2017 demonstramuma movimenta\u00e7\u00e3o impressionante de 204 milh\u00f5esde toneladas no complexo, algo in\u00e9dito na estat\u00edsticanacional, representando 25% de toda a movimenta\u00e7\u00e3o portu\u00e1riado pa\u00eds naquele ano, tudo isso operado em 1.853 navios. Assim,tanto para a economia nacional, como regional, a import\u00e2nciado complexo portu\u00e1rio da baia de S\u00e3o Marcos vem se consolidandoatrav\u00e9s de sua relevante e crescente movimenta\u00e7\u00e3oe de sua contribui\u00e7\u00e3o para o com\u00e9rcio exteriorbrasileiro, bem como, atrav\u00e9s da gera\u00e7\u00e3o de empregoe renda, atra\u00e7\u00e3o de investimentos, pelo desenvolvimentotecnol\u00f3gico e pelos investimentos sociais e ambientais.<\/p>\n<p>A partir dos dados do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria,Com\u00e9rcio Exterior e Servi\u00e7os, por meio dos relat\u00f3riosdas balan\u00e7as comerciais dos estados do Maranh\u00e3o e Par\u00e1(este \u00faltimo relacionado ao volume movimentado em Ponta daMadeira), o montante das riquezas que passam pelos portos da baiade S\u00e3o Marcos em 2017 foi de aproximadamente US$ 15 bilh\u00f5esno ano. Destes, mais de US$ 12 bilh\u00f5es destinados \u00e0exporta\u00e7\u00e3o, ou o equivalente a 5,5% das exporta\u00e7\u00f5esdo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Dentre o aspecto da gera\u00e7\u00e3o de emprego, considerandoapenas aqueles empregos ligados \u00e0 atividade portu\u00e1ria,as tr\u00eas instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias geram 13,5mil empregos formais diretos, entre pr\u00f3prios e terceirizados,sem contar os empregos indiretos gerados pelo impacto positivo dasatividades portu\u00e1rias locais. O volume de compras e servi\u00e7osdemandados entre as instala\u00e7\u00f5es do complexo, e exclusivamenteaplicados nas atividades portu\u00e1rias, alcan\u00e7ou a marcade R$ 1,4 bilh\u00e3o em 2017, sendo uma grande parte dessas aquisi\u00e7\u00f5esadquiridas com fornecedores locais ou genuinamente locais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de toda essa atual relev\u00e2ncia, ainda se manifestaa perspectiva de um crescimento cont\u00ednuo das atividades j\u00e1existentes, a exemplo dos volumes de carga a serem alcan\u00e7adoscom o projeto S11D da Vale (mina, ferrovia e porto) e com os planosde expans\u00e3o do Itaqui. Mas se ainda n\u00e3o bastasse tudoisso, outros novos investimentos j\u00e1 se apresentam para comporeste cen\u00e1rio de evolu\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para finalizar, importante destacar a realiza\u00e7\u00e3o daII Confer\u00eancia de Desenvolvimento Portu\u00e1rio do Maranh\u00e3o,que acontecer\u00e1 nos dias 27 e 28 de novembro, no Parque Bot\u00e2nicoda Vale. Empresas, institui\u00e7\u00f5es do setor mar\u00edtimo,especialistas e fornecedores com atua\u00e7\u00e3o portu\u00e1riaestar\u00e3o debatendo temas relevantes e trocando experi\u00eanciasna \u00e1rea de gest\u00e3o, aplica\u00e7\u00e3o de tecnologias,seguran\u00e7a da navega\u00e7\u00e3o, pesquisa e visibilidadeao potencial de escoamento log\u00edstico da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O evento \u00e9 uma oportunidade de refor\u00e7armos os la\u00e7oshist\u00f3ricos da cidade de S\u00e3o Luis com a atividade portu\u00e1ria,a sua significativa import\u00e2ncia socioecon\u00f4mica atual eas perspectivas de um maior crescimento da atividade na Baia de S\u00e3oMarcos e no Maranh\u00e3o. O desempenho do Porto do Itaqui e dosterminais da Alumar e de Ponta da Madeira s\u00e3o merecedores daaten\u00e7\u00e3o e do reconhecimento de nossa sociedade, a fim de que as atuais contribui\u00e7\u00f5es e o futuro que nos espera continuem a serem de sucesso e com a produ\u00e7\u00e3o de ganhos para este estado e para esta regi\u00e3o.<\/p>\n<p>PortoOrganizado do Itaqui, uma instala\u00e7\u00e3o p\u00fablica, inaugurada em 1970 e atualmente administrada pela Empresa Maranhensede Administra\u00e7\u00e3o Portu\u00e1ria \u2013 EMAP. A instala\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m re\u00fane diversos terminais que operam em contratode arrendamento, al\u00e9m de operadores portu\u00e1rios privados.<\/p>\n<p>TerminalPortu\u00e1rio Privado da ALUMAR, inaugurado em 1983, administrado pelo cons\u00f3rcio de mesmo nome.<\/p>\n<p>TerminalMar\u00edtimo de Ponta da Madeira, com opera\u00e7\u00f5es iniciadasem 1986 e administrado pela empresa VALE S.A. Existem ainda outrasinstala\u00e7\u00f5es de pequeno porte dedicadas ao transportede passageiros e de pequenas embarca\u00e7\u00f5es na baia.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Os 45 anos da primeira turma do quadro complementar:<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #3366ff;\">TURMA JOS\u00c9 BONIF\u00c1CIO DE ANDRADE E SILVA<\/span><\/h2>\n<p>\u201cSer feliz \u00e9 reconhecer que vale a pena viver apesar<br \/>\nde todos os desafios, incompreens\u00f5es e per\u00edodos de crise.<br \/>\nSer feliz \u00e9 deixar de ser v\u00edtima dos problemas<br \/>\ne se tornar um autor da pr\u00f3pria hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p>(Fernando Pessoa.)<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><em><strong>Por Elson de Azevedo Burity *<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><em><strong>Capit\u00e3o de Mar e Guerra (Ref\u00ba-T)<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>INTRODU\u00c7\u00c3O: Durante o ano de 1971 quando fomos chamados em nossas faculdades a ingressar na Marinha do Brasil, n\u00e3o imagin\u00e1vamos o quanto o futuro nos reservaria de empolgante em nossas vidas. Tudo aquilo acalentava os sonhos daqueles jovens ao atender o chamamento do ent\u00e3o Vice Alte. Ramon Leite Gomes Labarthe, que, como diretor da Diretoria do Pessoal Militar da Marinha (DPMM) saiu pelos quatro cantos do Brasil proferindo palestras e divulgando a cria\u00e7\u00e3o do Quadro Complementar. Muitos de n\u00f3s v\u00edamos pela primeira vez um oficial da Marinha e principalmente numa universidade. Era tudo muito novo e empolgante: ser oficial da Marinha do Brasil!<\/p>\n<p>O RECRUTAMENTO E ADAPTA\u00c7\u00c3O: Logo ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o no exame de sele\u00e7\u00e3o, muitos come\u00e7aram a chegar no Rio de Janeiro (mui provavelmente era a primeira viagem \u00e0 cidade carioca) e depois ocorreu a apresenta\u00e7\u00e3o na Escola Naval. Sempre valorizamos muito nossos instrutores, com quem naquele dia a dia, bem diferente, consegu\u00edamos absorver diversos conhecimentos t\u00e9cnicos e marinheiros em v\u00e1rias disciplinas, como: Navega\u00e7\u00e3o Costeira e Estima, Navega\u00e7\u00e3o Astron\u00f4mica, M\u00e1quinas, Armamento e Ordem Unida. O que iria permitir, mais tarde, a perfeita adapta\u00e7\u00e3o no est\u00e1gio embarcado, nos navios da Esquadra e batalh\u00f5es do CFN.<\/p>\n<p>O Contra-Almirante Rubem Jos\u00e9 Rodrigues de Mattos \u2013 Diretor, acompanhado do Capit\u00e3o de Mar e Guerra Jos\u00e9 Pardellas \u2013 Vice-Diretor.<\/p>\n<p>Surgia ent\u00e3o o esperado momento do est\u00e1gio embarcado e n\u00f3s, logo cedo, partimos da EN para o Cais Norte do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ). Enquanto os colegas fuzileiros se apresentavam nos Batalh\u00f5es Humait\u00e1, Paissandu e Riachuelo, todos os demais embarcaram nos CT Pernambuco, Par\u00e1, Paran\u00e1, Piau\u00ed e Santa Catarina, NAeL Minas Gerais e C Tamandar\u00e9.<\/p>\n<p>Naquela ocasi\u00e3o tivemos a grande oportunidade de participar da ent\u00e3o famosa Opera\u00e7\u00e3o Unidas XIII, no litoral brasileiro, juntamente com navios norte americanos e foi talvez a fase mais dif\u00edcil daquele per\u00edodo, pois a vida de bordo tem muitas de suas caracter\u00edsticas peculiares e totalmente adversas em determinadas situa\u00e7\u00f5es, como sabemos. Ent\u00e3o, foi ali que alguns sucessos e frustra\u00e7\u00f5es foram conhecidos e no meu caso espec\u00edfico, n\u00e3o pude me considerar totalmente realizado, em fun\u00e7\u00e3o da dificuldade de adapta\u00e7\u00e3o em determinadas situa\u00e7\u00f5es. Mas aquilo tudo era aprendizado e serviu muit\u00edssimo para os dias futuros. E como serviu!<\/p>\n<p>A FORMATURA: Passada a fase de classifica\u00e7\u00e3o na turma e a designa\u00e7\u00e3o das pr\u00f3ximas comiss\u00f5es, a expectativa a seguir seria com a t\u00e3o sonhada formatura. Manh\u00e3 de 25\/OUT\/1972 e n\u00f3s naquele majestoso e engalanado campo de atletismo da Escola Naval, que comportava a Guarda da Bandeira, a banda de m\u00fasica, o pelot\u00e3o de desembarque, convidados, esta\u00e7\u00e3o de salva e n\u00f3s, 90 (noventa) Guardas-Marinhas, prestes a tornarem-se oficiais. E assim deu-se in\u00edcio ao cerimonial com a leitura da Ordem-do-Dia n\u00ba 0076\/1972, assinada pelo Contra-Almirante Rubem Jos\u00e9 Rodrigues de Mattos, Diretor da Escola Naval:<\/p>\n<p>\u201c Exorta\u00e7\u00e3o: Grande \u00e9 a nossa alegria ao chegar o tempo em que, de modo mais efetivo, os senhores se integrar\u00e3o no processo de trabalho da Marinha. Mais uma vez a esperan\u00e7a, sentimento comum \u00e0s cerim\u00f4nias que aqui se realizam, se consubstancia e concretiza: nunca, caso hoje, ela se faz t\u00e3o presente. Os sete meses de prepara\u00e7\u00e3o, durante os quais buscaram situar-se no novo \u201cstatus\u201d, conscientemente assumido por cada um, serviram, com a maior certeza, para consolidar em todos, nos senhores como em n\u00f3s outros, a convic\u00e7\u00e3o de os termos em boa hora chamado ao nosso conv\u00edvio.<\/p>\n<p>Oriundos de todas as regi\u00f5es do Brasil, do pampa sulino ou da Amaz\u00f4nia, do Nordeste e Planalto Central, bem como dos estados mais pr\u00f3ximos, constitu\u00eddos, sem d\u00favida, um painel magn\u00edfico de gente mo\u00e7a do melhor quilate, de cores vivas de um pa\u00eds jovem, forte, audaz, consciente e trabalhador. Aqui reunidos, a riqueza de cada um p\u00f4de multiplicar-se no trato fraterno de todos. Engenheiros, matem\u00e1ticos, contabilistas, administradores, economistas, ge\u00f3grafos, cart\u00f3grafos, qu\u00edmicos, bi\u00f3logos, f\u00edsicos, assumindo o momento de agora, que \u00e9 o de colaborar, de dar m\u00e3os e de somar esfor\u00e7os, trazem o conhecimento adquirido na Universidade e participam da constru\u00e7\u00e3o da nova Marinha, que, sendo a mesma, em suas tradi\u00e7\u00f5es e em sua gl\u00f3ria, n\u00e3o deixa de se projetar no futuro, com o empenho que contagia hoje a P\u00e1tria inteira.<\/p>\n<p>E por isso o conjunto harm\u00f4nico que constituem reflete na variedade conhecimentos e na pluraridade de origens a grandeza f\u00edsica e a pujan\u00e7a intelectual do Brasil, no linear das dist\u00e2ncias como no poli\u00e9drico das aptid\u00f5es. Simbolizam, assim, o abra\u00e7o civil \u00e0 Marinha, n\u00e3o apenas afetivo, mas sobretudo prof\u00edcuo; civis que se fazem marinheiros, e , marinheiros, se prop\u00f5em a colocar sempre acima dos interesses pessoais o interesse comum, pela \u201cordem\u201d e pelo \u201cProgresso\u201d, levados pelo mesmo amor que o Patrono da Turma, o Patriarca da Independ\u00eancia, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrade e Silva, sempre dispensou \u00e0 nossa corpora\u00e7\u00e3o. Ao receberem hoje platinas e espada, fazem-se os nossos mais novos Segundos-Tenentes, seiva mo\u00e7a e preciosa que ajudar\u00e1 a fazer crescer, pelo trabalho, a Marinha, a cujo servi\u00e7o abra\u00e7aram. Constituindo a primeira turma do Quadro Complementar depois de recente e feliz reestrutura\u00e7\u00e3o, abrem horizontes que permitem vislumbrar uma integra\u00e7\u00e3o cada vez maior de nossos quadros com o meio civil, universit\u00e1rio ou t\u00e9cnico, para enriquecimento de ambos os setores da vida nacional. Tenentes: Renovando o compromisso de servir \u00e0 Marinha, os senhores fizeram uma op\u00e7\u00e3o consciente. Servir \u00e0 Marinha, antes de tudo, \u00e9 servir \u00e0 P\u00e1tria, e, servindo a esta, servir-se a si, como cidad\u00e3o livre que se engaja em gloriosa carreira, cujo valor aprender\u00e3o a descobrir, pelo pr\u00f3prio servi\u00e7o. Sejam felizes! \u201c<\/p>\n<p>Na foto ao lado Rocha, Plaisant, Furlanetto, Julio, Kinack<br \/>\nRoberto, Castro, Varoni, Burity,<br \/>\nM\u00e1rio C\u00e9sar, Maia. Sauma e Baena<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9ramos a partir de ent\u00e3o os jovens segundos-tenentes (QC-CA, QC-IM e QC-FN), que uma vez distribu\u00eddos por diversas organiza\u00e7\u00f5es militares pelo Brasil, passamos definitivamente a integra-nos ao servi\u00e7o militar naval.&#8221;<\/p>\n<p>O DESENVOLVIMENTO DA CARREIRA: Poucos anos depois, a Marinha abriu a possibilidade daqueles oficiais do QC se habilitarem em cursos de carreira, em igualdade de condi\u00e7\u00f5es com os oficiais oriundos da Escola Naval, o que possibilitou alavancar a carreira de muitos, ao se especializarem em Avia\u00e7\u00e3o Naval, Comunica\u00e7\u00f5es, Eletr\u00f4nica, Hidrografia e Navega\u00e7\u00e3o, M\u00e1quinas, Submarino, Intend\u00eancia e os demais da \u00e1rea do CFN, como Engenharia e Infantaria. Adiante, vieram os Cursos B\u00e1sico da EGN e o Superior de Guerra Naval. Enfim, a carreira abriu os horizontes daqueles que de diversas formas mostraram suas aptid\u00f5es t\u00e9cnicas e marinheiras. Devo aqui, como exemplo, citar o nosso colega Castro, que na \u00e1rea da oceanografia e hidrografia, realizou important\u00edssimos cursos, chegando a al\u00e7ar a chefia do Departamento de Instru\u00e7\u00e3o da DHN. Entretanto, ainda havia um obst\u00e1culo a ser vencido e t\u00e3o sonhado: o fluxo de carreira e os cargos de dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Somente em 1977, por decis\u00e3o do ent\u00e3o Ministro da Marinha, Alte. Esq. Mauro Cesar Rodrigues Pereira, foi criado o Quadro T\u00e9cnico (QT), houve uma reestrutura\u00e7\u00e3o no n\u00famero de vagas, aliviando o gargalo das promo\u00e7\u00f5es e abriu-se a perspectiva de cargos de dire\u00e7\u00e3o para os oficiais. No meu caso particular, tive a oportunidade e felicidade de ser comandante do Posto Oceanogr\u00e1fico da Ilha da Trindade como Capit\u00e3o de Corveta, Delegado da Delegacia em Tabatinga (Amazonas) como Capit\u00e3o de Fragata, Vice Diretor da Diretoria de Portos e Costas (Rio de Janeiro) e posteriormente Capit\u00e3o dos Portos do Maranh\u00e3o, ambos como Capit\u00e3o de Mar e Guerra. Enfim, hav\u00edamos conquistado em definitivo o nosso sonho maior: aquele em que somos convocados para um cargo de dire\u00e7\u00e3o na carreira.<\/p>\n<p>AS COMEMORA\u00c7\u00d5ES DOS 45 ANOS: Para nosso contentamento, uma data desse porte n\u00e3o poderia passar t\u00e3o inc\u00f3gnita pelos nossos queridos companheiros de turma e eis que uma comiss\u00e3o formada pelos amigos Walter, Monteiro, Nilton, Sclindwein e Rafael, organizou os festejos da nossa formatura na cidade de Florian\u00f3polis, SC, com grande pompa e organiza\u00e7\u00e3o. O evento reverteu-se de tamanha import\u00e2ncia que a seguir transcrevo a mensagem enviada pelo atual Comandante da Marinha; a quem agradecemos:<\/p>\n<p>Marinha do Brasil<br \/>\nGabinete do Comandante da Marinha<br \/>\nMensagem do Comandante da Marinha aos Oficiais da Primeira Turma do Quadro Complementar.<\/p>\n<p>Prezados Oficiais,<\/p>\n<p>\u00c9 com grande satisfa\u00e7\u00e3o que apresento os sinceros cumprimentos pelo 45\u00ba Anivers\u00e1rio da turma QC72, pioneira a enriquecer os Quadros da Marinha com jovens de variadas forma\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, escolhidos em rigoroso processo seletivo. Nesta data especial, registro, como Comandante da Marinha, meus sinceros agradecimentos pela valorosa contribui\u00e7\u00e3o que prestaram ao longo de suas carreiras, integrando-se perfeitamente aos diversos Corpos e Quadros, dedicando-se plenamente ao engrandecimento da For\u00e7a e absorvendo os valores maiores que cultivamos.<\/p>\n<p>Quando Tenente, tive o privil\u00e9gio de servir com alguns dos senhores na For\u00e7a de Contratorpedeiros e no Curso de Aperfei\u00e7oamento de Eletr\u00f4nica do CIAW, experientes e devotados Oficiais com quem muito aprendi e de quem guardo excelentes recorda\u00e7\u00f5es. Tenham a certeza que a consolida\u00e7\u00e3o dos Quadros Complementares como realidade viva e imprescind\u00edvel deve-se muito \u00e0 atua\u00e7\u00e3o dos oficiais da primeira turma, que, com compet\u00eancia, elevado conhecimento t\u00e9cnico e lideran\u00e7a mostraram \u00e0 Marinha o qu\u00e3o acertada foi a decis\u00e3o de captar recursos humanos provenientes dos meios universit\u00e1rios. Parab\u00e9ns a todos e sejam muito felizes!<\/p>\n<p>Eduardo Bacellar Leal Ferreira<br \/>\nAlmirante de Esquadra &#8211; Comandante da Marinha<\/p>\n<p>CONCLUS\u00c3O: Hoje todos aqueles jovens tenentes constituem um universo de oficiais reformados, uns deixaram o servi\u00e7o ativo precocemente e outros, lamentavelmente, atenderam o chamamento do Senhor Deus, para a vida eterna. Mas h\u00e1 um pequeno contingente ainda labutando (mesmo reformados) em v\u00e1rias OM, como os colegas M\u00e1rio (CPMA), Rudaj\u00e1 (CPAOR), Castro (MD), Gagliardi (IPqM), Serra Pinto (BNA), Carlindo (PNNSG) e Schlinduvin (EAMSC). Ap\u00f3s aquela nossa declara\u00e7\u00e3o de oficial em 25 de outubro de 1972, at\u00e9 os dias de hoje, temos a convic\u00e7\u00e3o que acertamos no alvo e nos sentimos orgulhosos do nosso passado ao servir \u00e0 Marinha e ao Brasil e ter a oportunidade de praticar as tradi\u00e7\u00f5es navais, o profissionalismo e o patriotismo, deixando um legado de exemplo e do dever bem cumprido para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Viva a Marinha do Brasil!<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Ad Sumus!<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em><strong>*Elson de Azevado Buriti \u00e9 perfei\u00e7oado em Eletr\u00f4nica no CAEO-1975, foi comandante do Posto Oceanogr\u00e1fico da Ilha da Trindade, Delegado na Delegacia em Tabatinga, Vice-Diretor da Diretoria de Portos e Costas e Capit\u00e3o dos Portos do Maranh\u00e3o. Atualmente exerce Tarefa por Tempo Certo no Tribunal Mar\u00edtimo.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">A \u201cTETRA\u201d TRIBUTA\u00c7\u00c3O DO FRETE MAR\u00cdTIMO NAS<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #3366ff;\">IMPORTA\u00c7\u00d5ES &#8211; COMO FAZER UMA REFORMA TRIBUT\u00c1RIA?<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Noel Pereira Magioli Junior*<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Hoje, a preocupa\u00e7\u00e3o dos governos estaduais e federal se resume na \u201cguerra do ICMS\u201d, onde alguns estados reduzem sua tributa\u00e7\u00e3o como chamariz para as empresas que queiram ter seus tributos reduzidos. Sabemos que no Brasil, chamado de \u201cpa\u00eds campe\u00e3o dos impostos\u201d, e que na realidade, tem para mais de 80 tipos de tributos, sendo que na maioria das vezes, por falta de conhecimento, todos chamam de impostos. Na realidade temos apenas 13 tipos de impostos previstos na nossa Constitui\u00e7\u00e3o Federal que a partir do seu artigo 145, que trata do Sistema Tribut\u00e1rio Nacional.<\/p>\n<p>Temos sete impostos federais (Art. 153 da Constitu\u00e7\u00e3o Federal &#8211; CF), tr\u00eas estaduais (Art. 155 da CF) e tr\u00eas municipais (Art. 156 da CF), podendo ainda por for\u00e7a da Constitui\u00e7\u00e3o Federal serem institu\u00eddos impostos mediante lei complementar na imin\u00eancia ou no caso de guerra externa e impostos extraordin\u00e1rios como prev\u00ea o Art. 156 da CF. \u00c9 bastante complexo o nosso sistema tribut\u00e1rio, mas com a chamada \u201cvontade pol\u00edtica\u201d podemos gradativamente corrigir essas distor\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que n\u00e3o temos a contrapartida do que \u00e9 arrecadado para os fins a que se destinam. A exemplo, tivemos h\u00e1 pouco tempo o famigerado CPMF, criado para atender a \u00e1rea da sa\u00fade s\u00f3 que nenhum centavo chegou a ser destinado aos fins a que se propunha.<\/p>\n<p>O nosso sistema de c\u00e1lculos dos tributos \u00e9 o chamado \u201cefeito cascata\u201d, ou seja, imposto sobre imposto como \u00e9 o caso dos c\u00e1lculos nas importa\u00e7\u00f5es. Todos os valores do custo, ou seja, o valor da mercadoria, somado ao valor do seguro e mais ao do frete mar\u00edtimo, teremos o chamado valor CIF (custo, seguro e frete) que \u00e9 o ponto de partida para se calcular o valor do Imposto de Importa\u00e7\u00e3o (I.I.), com base na al\u00edquota do produto ou seu ad valorem. Uma vez obtendo o resultado, soma-se para calcular o valor do Imposto sobre Produtos Industrializados, o chamado IPI e finalmente somados mais uma vez, teremos o c\u00e1lculo do ICMS na importa\u00e7\u00e3o, dependendo da al\u00edquota de cada Estado.<\/p>\n<p>Para concluir, ainda temos o AFRMM (Adicional do Frete para Renova\u00e7\u00e3o da Marinha Mercante) que paga 25% sobre o frete mar\u00edtimo e recolhido aos cofres do governo federal, adicional este destinado a criar fundos para financiar armadores brasileiros na constru\u00e7\u00e3o ou reforma de suas embarca\u00e7\u00f5es, navios, rebocadores, etc. Portanto, tivemos o valor do frete mar\u00edtimo utilizado para o c\u00e1lculo do I.I. (Imposto de Importa\u00e7\u00e3o), do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), do ICMS (imposto sobre opera\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e sobre presta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os de transporte interestadual, intermunicipal e de comunica\u00e7\u00e3o), al\u00e9m do AFRMM explicado acima. Ora, frete mar\u00edtimo \u00e9 um tipo de servi\u00e7o, como tamb\u00e9m o seguro das mercadorias. Como um servi\u00e7o de frete pode entrar no c\u00e1lculo de um imposto destinado a um produto que nem foi produzido no Pa\u00eds?<\/p>\n<p>Se quisermos reduzir o chamado \u201ccusto Brasil\u201d, o governo com a sua boa vontade poderia iniciar com a modifica\u00e7\u00e3o desses c\u00e1lculos, eliminando o valor do frete desse sistema \u201cefeitos cascata\u201d, e calculando separadamente a mercadoria importada por imposto devido e n\u00e3o somando um sobre o outro. O valor do frete seria aplicado somente no AFRMM. Esse \u00e9 o meu entendimento e com certeza n\u00e3o daria preju\u00edzos aos cofres p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Por: Noel Pereira Magioli Junior \u2013 Prof. de Direito Tribut\u00e1rio \u2013 Faculdade S\u00e3o Luis \u2013 Est\u00e1cio de S\u00e1. e-mail: noel@magioli.com<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Bombardeio e afundamento de um petroleiro<\/span><\/h2>\n<h4><span style=\"color: #808080;\"><em>Elson de Azevedo Burity *<\/em><\/span><\/h4>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Nas fotos o petroleiro H\u00e9rcules deixando a Ba\u00eda de Guanabara para seu destino final. Foto publicada na revista VEJA, edi\u00e7\u00e3o 724 de 21\/Jul\/1982 e do afundamento do petroleiro H\u00e9rcules publicadas no jornal FOLHA DE S\u00c3O PAULO, em 22\/Jul\/1982.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-23586 alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/hercules02-300x196.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"196\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/hercules02-300x196.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/hercules02.jpg 340w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>O ano de 1982, inicialmente, era para n\u00f3s brasileiros marcado de expectativas em fun\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o da copa do mundo de futebol em solo espanhol, quando posteriormente, com a famosa maldi\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio Sarri\u00e1 (demolido em 1997), fomos eliminados pela It\u00e1lia por 3 a 2, no dia 5 de julho de 1982. Lembram? Antes, por\u00e9m, precisamente no dia 2 de abril eclodia no Atl\u00e2ntico sul a famosa guerra das Malvinas para os argentinos e Falklands para os ingleses. Por mais estrategistas e belicosos que fossem os militares argentinos, ser\u00e1 que em algum momento acreditaram que uma pot\u00eancia nuclear e detentora de uma Marinha poderosa h\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos, abriria m\u00e3o da posse de um arquip\u00e9lago, sabidamente estrat\u00e9gico, porque ficava distante da Inglaterra? Logo o tempo mostraria que o general-presidente Leopoldo Galtieri errara nos seus c\u00e1lculos e previs\u00f5es.<\/p>\n<p>Como em toda guerra muitos inocentes s\u00e3o penalizados, nessa foi a vez do VLCC (Very Large Crude Carrier) \u201cH\u00e9rcules\u201d, petroleiro de bandeira Liberiana, 230.000 toneladas, 325 m de comprimento, 18 m de calado, constru\u00eddo no Jap\u00e3o e fretado pelo grupo americano Hess Shipping Corporation. Sua viagem consistia em se abastecer de petr\u00f3leo cru no oleoduto de Valdez no Alaska e em face da pouca profundidade do canal do Panam\u00e1, cruzava o estreito de Magalh\u00e3es, subia at\u00e9 as Ilhas Virgens, no Caribe, onde descarregava sua carga. Em 8 de junho de 1982, quando navegava, em lastro, das Ilhas Virgens para o Alaska, a cerca de 600 milhas n\u00e1uticas da Argentina e 500 das Ilhas Malvinas, aparentemente fora da zona de guerra estabelecida por argentinos e ingleses, foi v\u00edtima de um bombardeio. Embora oficialmente as duas partes envolvidas naquele conflito nunca admitiram o bombardeio, h\u00e1 desconfian\u00e7as que as tr\u00eas bombas partiram de avi\u00f5es Camberrra e C-130 argentinos, sendo que uma caiu na \u00e1gua, outra explodiu no conv\u00e9s, uma terceira perfurou o casco e alojando-se no tanque n\u00famero 2, n\u00e3o explodiu.<\/p>\n<p>O H\u00e9rcules, ent\u00e3o comandado pelo Sr. Renzo Battagiarin, recebeu ordens para retornar e o porto do Rio de Janeiro foi escolhido por ser o \u00fanico com dimens\u00f5es apropriadas para receb\u00ea-lo. L\u00e1 chegando, o navio foi vistoriado pela Capitania dos Portos e nada de irregular foi detectado, sendo a seguir autorizado a demandar a Ba\u00eda de Guanabara, at\u00e9 a Ilha do Governador, passando por baixo da ponte Rio-Niter\u00f3i, com o objetivo de fazer reparos a bombordo e na popa, devido a exist\u00eancia de dois rombos feitos pelas bombas. Somente no dia seguinte o comandante do navio anunciou a exist\u00eancia de uma bomba ativada a bordo, fato que precipitou sua sa\u00edda para fundear num ponto cerca de 2 milhas n\u00e1uticas da Ilha Rasa e estabelecida uma \u00e1rea proibida \u00e0 navega\u00e7\u00e3o, 500 jardas (457m) ao redor do navio.<\/p>\n<p>Ademais, a tripula\u00e7\u00e3o de 28 homens desembarcou e somente um rebocador, contratado pela Ag\u00eancia Mar\u00edtima, iniciou o servi\u00e7o de vigia. Ap\u00f3s tr\u00eas semanas de an\u00e1lise por t\u00e9cnicos americanos, italianos e holandeses a tentativa de desativar a bomba ou efetuar uma detona\u00e7\u00e3o controlada foi considerada inadequada para a seguran\u00e7a do navio e do pessoal envolvido. Diante do impasse a empresa propriet\u00e1ria consultou as v\u00e1rias seguradoras que cobriam o custo do navio e finalmente optaram pelo seu afundamento. Para sua derradeira viagem foi designada uma escolta constitu\u00edda pelo contratorpedeiro \u201cSergipe\u201d (D 35), da Marinha do Brasil, e o rebocador Smith Loyd III para pux\u00e1-lo at\u00e9 o local do afundamento, situado a cerca de 290 milhas n\u00e1uticas a leste da cidade de Florian\u00f3polis, numa profundidade de 2.700 m.<\/p>\n<p>\u00c0s 14:15 horas do dia 20 de julho de 1982, seis horas ap\u00f3s abertas v\u00e1rias v\u00e1lvulas no fundo do casco, aquele gigante dos mares foi sepultado no Oceano Atl\u00e2ntico, com todo seu car\u00edssimo equipamento de bordo, pois nada foi permitido retirar. Portanto, h\u00e1 30 anos atr\u00e1s e talvez como um \u00faltimo sinal de sua exist\u00eancia, deixou flutuando no local do afundamento tr\u00eas botes infl\u00e1veis, que foram recolhidos e uma placa com o nome do navio, presenteada posteriormente ao seu \u00faltimo comandante.<\/p>\n<p>* Engenheiro aposentado e Capit\u00e3o-de-Mar-e-Guerra (RM1-T) da Marinha do Brasil.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Carta-bomba na OAB<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><strong>\u201cA sociedade espera, ainda em v\u00e3o, por um ato pol\u00edtico que d\u00ea testemunho e seguran\u00e7a do engajamento efetivo do poder do Estado, na decis\u00e3o de apurar e reprimir os crimes de terrorismo.\u201d<\/strong><br \/>\n<strong>(Jos\u00e9 Paulo Sep\u00falveda Pertence, em 09\/SET\/1980, ent\u00e3o presidente da OAB)<\/strong><\/p>\n<p>Um dos fatos mais danosos \u00e0 democracia plena no Brasil ocorreu h\u00e1 30 anos, no dia 27 de agosto de 1980, quando a Chefe da Secretaria do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, sra. Lyda Monteiro da Silva, com 59 anos de idade, 44 deles dedicados \u00e0 OAB, logo ap\u00f3s regressar do almo\u00e7o, \u00e0s 13h40, ao abrir uma carta, endere\u00e7ada ao ent\u00e3o presidente Eduardo Seabra Fagundes, foi v\u00edtima de um atentado quando a mesma explodiu, decepando instantaneamente seu bra\u00e7o, mutilando seu corpo e provocando sua morte quando ainda seguia para o hospital Souza Aguiar. O cortejo f\u00fanebre que durou mais de 3 horas foi acompanhado por cerca de 6.000 pessoas que sa\u00edram da sede da OAB, no Centro do Rio, at\u00e9 o cemit\u00e9rio em Botafogo.<\/p>\n<p>O atentado coincidiu num momento em que a Seccional de S\u00e3o Paulo da OAB e o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana-CDDPH, insistiam nas investiga\u00e7\u00f5es para identificar os autores das agress\u00f5es sofridas pelo jurista Dalmo Dallari, que fora sequestrado em 02 de julho de 1980, em S\u00e3o Paulo. A segunda bomba daquele mesmo, dia 27 de agosto, explodiu no gabinete do vereador do MDB carioca e representante do Movimento Revolucion\u00e1rio 8 de Outubro &#8211; MR8, Antonio Carlos de Carvalho, ferindo gravemente seu tio e assessor Jos\u00e9 Ribamar de Freitas com 60 anos, que perdeu o bra\u00e7o direito e a vista esquerda, ficando ainda mais cinco pessoas feridas. Para encerrar a s\u00e9rie de atentados, ao anoitecer mais uma bomba explodiria na sede do jornal Tribuna da Luta Oper\u00e1ria, sem causar feridos.<br \/>\nLamentavelmente, aquele per\u00edodo da vida nacional foi pugnado por fartas e violentas agress\u00f5es de ambos os lados, passando por militares e policiais, donas de casa, taxistas, banc\u00e1rios, comerciantes, empres\u00e1rios, estudantes e pessoas comuns. Muitos morreram, inocentemente, apenas por estar nas proximidades dos atentados. De acordo com o Livro Negro do Terrorismo no Brasil, do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito, 25 pessoas tiveram suas mortes confirmadas. A ONG Grupo Terrorismo Nunca Mais (TERNUMA) publicou uma rela\u00e7\u00e3o com o nome de 120 pessoas que tombaram entre os anos de 1964 e 1974. O livro Direito \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Verdade, editado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos publicou uma rela\u00e7\u00e3o com 7 pessoas. No site da enciclop\u00e9dia livre Wikip\u00e9dia constam os n\u00fameros de 17 presos, 15 cassados, 17 exilados e 398 mortos e desaparecidos. O tempo passou e ainda n\u00e3o conseguimos extirpar esses tristes acontecimentos de nossa curta mem\u00f3ria republicana.<\/p>\n<p>Com a promulga\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 6683\/1979, a chamada Lei da Anistia, todos os crimes pol\u00edticos ou conexos, compreendidos entre 02\/SET\/1961 e 15\/AGO\/1979 foram anistiados , o que foi decisivo para a n\u00e3o elucida\u00e7\u00e3o de muitos crimes daquele per\u00edodo e a condena\u00e7\u00e3o dos que mataram, torturaram, sequestraram, assaltaram e atentaram contra a vida e institui\u00e7\u00f5es oficiais e privadas, em nome da lei e da ordem ou de grupos e fac\u00e7\u00f5es clandestinas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s exatos 30 anos de desconhecimento dos autores desse atentado, \u00e9 chegada a hora dos assassinos de plant\u00e3o, que ceifaram a vida da inocente sra. Lyda Monteiro, pagarem por seus crimes. Como o aparato estatal n\u00e3o p\u00f4de localizar os respons\u00e1veis por tr\u00eas explos\u00f5es num mesmo dia e em locais diferentes? Ser\u00e1 que as pessoas envolvidas no epis\u00f3dio, as testemunhas, os \u00d3rg\u00e3os Oficiais e a pr\u00f3pria OAB nada sabem a respeito de algo que possa contribuir para identificar seus autores e mandantes?<\/p>\n<p>Qual seria o motivo real para que durante os 8 anos do atual governo esse famigerado atentado n\u00e3o p\u00f4de ser desvendado?<\/p>\n<p>Porque o governo, com sua maioria parlamentar, n\u00e3o encaminhou um projeto de lei propondo a extin\u00e7\u00e3o da Lei da Anistia, possibilitando assim a apura\u00e7\u00e3o dos muitos crimes do passado?<\/p>\n<p>Estar\u00e1 o governo impossibilitado de faz\u00ea-lo em raz\u00e3o do envolvimento direto e indireto de alguns de seus ministros, pol\u00edticos aliados, funcion\u00e1rios pr\u00f3ximos e simpatizantes?<\/p>\n<p>Ter\u00e1 o futuro governo chance para elucidar esse atentado que, decorridos 30 anos , permanece impune at\u00e9 hoje, processando e julgando exemplarmente seus respons\u00e1veis, que n\u00e3o est\u00e3o cobertos pela Lei da Anistia?<br \/>\nAinda h\u00e1 tempo, a opini\u00e3o p\u00fablica \u00e9 s\u00e1bia e sua revela\u00e7\u00e3o n\u00e3o macular\u00e1 o governo, mesmo que mais uma vez venha \u00e0 tona o envolvimento da sra. Dilma Rousseff, como o fez a revista \u00c9POCA deste m\u00eas de agosto. Ao contr\u00e1rio. Assim, como no Chile, Argentina e Paraguai a justi\u00e7a poder\u00e1 ser feita, antes que a verdade dos fatos passe a pertencer, inexoravelmente, \u00e0 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\"><span style=\"color: #000000;\">Ataque de submarino italiano ao Brasil<\/span><br \/>\n<\/span><em><span style=\"color: #3366ff;\">O sucesso consiste em ir de derrota em derrota sem perder o entusiasmo. (Winston Churchill)<\/span><\/em><\/h2>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\"><em><strong>(Engenheiro e militar aposentado)<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil foi atacado v\u00e1rias vezes por submarinos das Marinhas Alem\u00e3 e Italiana, quando muitas vidas foram perdidas, enlutando seguidamente a na\u00e7\u00e3o brasileira. Um desses ataques ocorreu ao anoitecer do dia 18 de maio de 1942, \u00e0s 18:50 horas, quando o navio mercante \u201cComandante Lira\u201d,de propriedade do Lloyd Brasileiro, ao sair no dia anterior do porto de Recife, navegando em zig-zag para maior seguran\u00e7a, carregado com 79.400 sacas de caf\u00e9 e comandado pelo Capit\u00e3o-de-Longo-Curso Severino Sotero de Oliveira, singrava as \u00e1guas do Atl\u00e2ntico com destino a New Orleans, nas proximidades da posi\u00e7\u00e3o de latitude 02\u00ba 59\u2019 S e longitude 34\u00ba 17\u2019 W, correspondendo a 180 milhas n\u00e1uticas do arquip\u00e9lago de Fernando de Noronha.<\/p>\n<p>Os depoimentos colhidos na \u00e9poca registram que no dia anterior ao ataque, cruzaram em alto mar com um navio mercante argentino e outro espanhol, coincidentemente pa\u00edses alinhados politicamente com a Alemanha e It\u00e1lia. N\u00e3o teriam aqueles navios, num ato de espionagem, passado informa\u00e7\u00f5es da posi\u00e7\u00e3o do \u201cComandante Lira\u201d para as for\u00e7as inimigas? Este n\u00e3o seria um dos motivos para a permanente desaven\u00e7a que cultuamos, at\u00e9 os dias atuais, com os argentinos?<br \/>\nAp\u00f3s ser alvo de um disparo torp\u00e9dico na altura do por\u00e3o n\u00ba 2 de boreste , receber o impacto de 19 tiros de canh\u00e3o de 100 mm, disparos diversos de metralhadora 13,2 mm e atingido por bombas incendi\u00e1rias no conv\u00e9s principal, foi tomado por denso inc\u00eandio, deixando-o impossibilitado de navegar. O pouco armamento que o \u201cComandante Lira\u201d transportava, um canh\u00e3o 75 mm e duas metralhadoras calibre 7 mm, n\u00e3o p\u00f4de ser utilizado pelo artilheiro para sua defesa e logo a seguir seus 52 tripulantes iniciaram o abandono do navio.<\/p>\n<p>No meio daquele desespero, o primeiro telegrafista Jos\u00e9 Henrique da Silva, teve uma atua\u00e7\u00e3o her\u00f3ica, pois, mesmo n\u00e3o estando no seu hor\u00e1rio efetivo de servi\u00e7o, correu \u00e0 esta\u00e7\u00e3o r\u00e1dio, conseguiu transmitir o pedido de socorro e logo ap\u00f3s embarcou no seu bote salva-vidas. Isto foi realizado no lugar de seu colega, tamb\u00e9m telegrafista de servi\u00e7o naquele instante, Leopoldo Zytkuewisz, que inv\u00e1lido da m\u00e3o esquerda, n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de salvar-se utilizando cabo (corda) para descida ou escada do tipo quebra peito, sendo ent\u00e3o lhe dada a prefer\u00eancia de procurar abrigo na baleeira n\u00ba 4 e salvar-se. Esta logo que caiu n\u2019\u00e1gua afastou-se do navio e foi focada com um holofote pelo submarino agressor, que a seguir disparou sua metralhadora sem, entretanto, atingir a baleeira.<\/p>\n<p>Por sorte, naquele momento, avi\u00f5es que atenderam o pedido de socorro emitido pelo telegrafista Jos\u00e9 Henrique sobrevoaram o local e o submarino evadiu-se. Isto garantiu um r\u00e1pido resgate dos n\u00e1ufragos por navios da Marinha Americana que patrulhavam aquela \u00e1rea do Atl\u00e2ntico e na manh\u00e3 seguinte chegavam ao local o cruzador \u201cOmaha\u201d , rebocador \u201cThrush\u201d, os destr\u00f3ieres \u2018Moffett\u201d , \u201cMilwauk\u201d , \u201cJouett\u201d , \u201cMac Dougal\u201d e o rebocador brasileiro \u201cHeitor Perdig\u00e3o\u201d.<br \/>\nEm decorr\u00eancia do \u201cComandante Lira\u201d ser dotado de uma excelente reserva de flutua\u00e7\u00e3o ao possuir duplo fundo em todo o sentido longitudinal, dois pique-tanques \u00e0 proa e \u00e0 r\u00e9 e dois deep-tank nos por\u00f5es, mesmo seriamente avariado e em chamas, teve a sua flutuabilidade mantida e com muito sacrif\u00edcio e profissionalismo conseguiu ser rebocado, chegando em Fortaleza no dia 25 de maio. Mais tarde, soube-se que o submarino agressor tratava-se do italiano \u201cBarbarigo\u201d, ent\u00e3o comandado pelo capit\u00e3o Enzo Grossi, nascido no Brasil em 20\/Abr\/1908 e que ap\u00f3s o t\u00e9rmino da guerra domiciliou-se na Argentina, onde faleceu em 11\/Ago\/1960. Lamentavelmente, este submarino n\u00e3o chegou a ser abatido por nossa Marinha e pouco depois passou a operar no Oceano \u00cdndico.<\/p>\n<p>No final daquele tr\u00e1gico cen\u00e1rio o saldo contabilizado de v\u00edtimas foi de dois desaparecidos (o foguista Jos\u00e9 Maur\u00edcio de Melo e o mo\u00e7o Silv\u00e9rio Silva) e o navio ainda p\u00f4de ser recuperado para outras miss\u00f5es, sendo desativado em 1959.<br \/>\nEste foi o primeiro ataque perpetrado por for\u00e7as inimigas no litoral brasileiro, sem que o Brasil ainda tivesse declarado guerra aos pa\u00edses do eixo, o que veio ocorrer em 31 de agosto de 1942.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Atentado a bomba no Brasil<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u201cO procedimento de uns poucos militares n\u00e3o pode comprometer a grandeza de uma For\u00e7a Armada do porte do Ex\u00e9rcito de Caxias.\u201d (Julio de S\u00e1 Bierrenbach- Almirante-de-Esquadra e ex-Ministro do Superior Tribunal Militar)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Em 1979 o general Jo\u00e3o Batista de Figueiredo, ao suceder na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica o outro general Ernesto Geisel, comprometeu-se em dar continuidade ao processo de abertura pol\u00edtica que Geisel iniciara. Consta que na falta de um perigo real, as alas radicais da repress\u00e3o fabricavam atentados e amea\u00e7as para justificar o retorno a um regime mais duro, mantendo assim a import\u00e2ncia e hegemonia dos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a. Estava em cena uma \u00e9poca em que bombas explodiam em bancas de jornal, reda\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas (destacando-se O Pasquim e Tribuna da Imprensa), gr\u00e1ficas, supermercados, livrarias, OAB e outros estabelecimentos, sem que os autores fossem identificados.<\/p>\n<p>Numa noite de quinta-feira, 30 de abril de 1981, um show programado para o amplo espa\u00e7o existente no centro de conven\u00e7\u00f5es do Riocentro, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, em homenagem ao Dia do Trabalho, apresentaria os cantores Chico Buarque, Elba Ramalho, Gonzaguinha e Gal Costa. Perto das 23:00 horas, quando Alceu Valen\u00e7a introduzia os primeiros acordes de Cora\u00e7\u00e3o Bobo, ouviu-se um forte ru\u00eddo que n\u00e3o chegou a interromper o show. Ao seu final Gonzaguinha subiria ao palco para dizer: \u201cPessoas contra a democracia jogaram bombas para nos amedrontar\u201d!<\/p>\n<p>Rapidamente se apurou que um carro Puma cinza-met\u00e1lico dirigido pelo sargento Guilherme Pereira do Ros\u00e1rio e conduzindo o capit\u00e3o Wilson Lu\u00eds Alves Machado, ambos integrantes do DOI (Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es) do 1\u00ba Ex\u00e9rcito, na tentativa de dinamitar o Riocentro, foram v\u00edtimas do pr\u00f3prio artefato, que ao explodir, matou instantaneamente o sargento e o capit\u00e3o ferido, sobreviveu. Uma segunda bomba lan\u00e7ada na casa dos transformadores tamb\u00e9m explodiu sem causar maiores danos e outras ainda foram desativadas.<\/p>\n<p>Teriam aqueles irrespons\u00e1veis militares como alvo as milhares de pessoas presentes e o palco dos cantores? Para complementar o cen\u00e1rio de terror, todas as placas de tr\u00e2nsito pr\u00f3ximas foram pichadas com a sigla VPR (Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria), grupo liderado pelo desertor do Ex\u00e9rcito e terrorista Carlos Lamarca, respons\u00e1vel por in\u00fameros assassinatos, assaltos e atentados, que morrera na Bahia em 1971, em confronto com militares e policiais. Instaurado o primeiro Inqu\u00e9rito Policial Militar (IPM), seu encarregado, o coronel Lu\u00eds Ant\u00f4nio de Prado Ribeiro, foi logo substitu\u00eddo pelo tamb\u00e9m coronel Job Lorena de Sant\u2019Anna. Mesmo com as evid\u00eancias apontando para a culpabilidade dos dois militares, o IPM muito criticado, n\u00e3o foi conclusivo e a seguir arquivado, culminou com a ren\u00fancia do ent\u00e3o Chefe da Casa Civil da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Golbery do Couto e Silva. Qual seria ent\u00e3o o real motivo de tal ren\u00fancia? Envolvimento de autoridades do governo?<\/p>\n<p>Apesar do arquivamento no Superior Tribunal Militar (STM) por dez votos a quatro, os almirantes e ministros daquela egr\u00e9gia corte, Roberto Andersen Cavalcanti e J\u00falio de S\u00e1 Bierrenbach, tiveram destacada participa\u00e7\u00e3o no sentido da apura\u00e7\u00e3o total dos fatos, o que lamentavelmente n\u00e3o conseguiram. A repercuss\u00e3o negativa daquela desastrada opera\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m contribuiu para que mais tarde fosse deflagrado o movimento das Diretas J\u00e1. No meio daquele turbilh\u00e3o de insatisfa\u00e7\u00f5es, lembro-me bem quando perguntado sobre o que achava do movimento popular das Diretas J\u00e1, o saudoso ex-Ministro da Marinha, Almirante-de-Esquadra Maximiano Eduardo da Silva Fonseca declarou que via naquilo uma vontade da popula\u00e7\u00e3o em querer exercer o direito de votar livremente. Tais declara\u00e7\u00f5es em rede nacional foram o bastante para ser demitido das fun\u00e7\u00f5es que exercia, pelo todo poderoso Jo\u00e3o Batista Figueiredo, e deflagrar mais uma crise no governo. Num gesto de solidariedade, seu desembarque no aeroporto do Gale\u00e3o, Rio de Janeiro, j\u00e1 como ministro demitido, foi um verdadeiro reconhecimento pelos vastos e importantes servi\u00e7os prestados por aquele grande chefe naval, quando um grande n\u00famero de oficiais fardados e perfilados l\u00e1 foram homenage\u00e1-lo, obviamente n\u00e3o se importando com qualquer tipo de retalia\u00e7\u00e3o advinda do governo.<\/p>\n<p>Os anos se passaram, quando em 1999, o ex-Chefe do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), General Oct\u00e1vio Aguiar de Medeiros declarou que soube do atentado uma hora antes pelo tamb\u00e9m general Newton Cruz, o que precipitou a reabertura do processo, a pedido da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da C\u00e2mara dos Deputados, pois o crime n\u00e3o era coberto pela chamada Lei da Anistia (Lei n\u00ba 6.683\/1979), que estabelecia a prescri\u00e7\u00e3o entre 2 de Setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979. Ap\u00f3s tr\u00eas meses de investiga\u00e7\u00f5es o novo encarregado do IPM, general Sergio Conforto apontava os respons\u00e1veis, cuja Representa\u00e7\u00e3o Criminal foi julgada e a senten\u00e7a prolatada pelo Superior Tribunal Militar em decis\u00e3o de 03 de maio de 2000, indiciou os generais Otavio Aguiar de Medeiros (falecido em 1985), Newton Ara\u00fajo de Oliveira Cruz, Job Lorena de Sant\u2019Anna (falecido em 2008), coronel Wilson Luiz Chaves Machado e o ex-sargento Guilherme Pereira do Ros\u00e1rio (morto no atentado). Entretanto, o processo foi arquivado de acordo com a extin\u00e7\u00e3o de punibilidade prevista no \u00a7 1\u00ba, Art. 4\u00ba da Emenda Constitucional n\u00ba 26 de 27\/11\/1985 e na forma do inciso II, Art. 123 do C\u00f3digo Penal Militar (CPM).<\/p>\n<p>Assim, os respons\u00e1veis pelo atentado do Rio Centro conseguiram enlamear a imagem do valoroso Ex\u00e9rcito de Caxias e escapar das garras da lei, sem entretanto alcan\u00e7ar seus objetivos.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">OS ESCALPELADOS DO S\u00c9CULO XXI<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Por Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><br \/>\nEngenheiro, militar aposentado da Marinha do Brasil e ex-Capit\u00e3o dos Portos do Maranh\u00e3o<\/p>\n<p>Durante a d\u00e9cada de 60, muitos de n\u00f3s assistimos filmes no cinema e na televis\u00e3o, referentes ao velho oeste norte-americano, onde apareciam cenas de \u00edndios apaches, comanches ou sioux, que escalpelavam suas v\u00edtimas, geralmente constitu\u00eddas de homens brancos. O escalpelamento era praticado numa \u00e9poca em que os meios de transporte eram constitu\u00eddos por cavalos e carro\u00e7as e num ambiente em que prevalecia a lei do mais forte.<\/p>\n<p>Anos e anos se passaram e aquela cena horr\u00edvel de homens com o couro cabeludo sendo cortado por \u00edndios passaram a acontecer aqui no Brasil, em plena Amaz\u00f4nia. Enquanto l\u00e1, no velho oeste, o fato acorria em terra firme e no meio de intermin\u00e1veis combates entre \u00edndios e brancos, aqui o escalpelamento \u00e9 a bordo de pequenas embarca\u00e7\u00f5es artesanais, que normalmente possuem seus motores instalados no seu centro. Por defici\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o do pequeno barco, o eixo que liga o motor ao h\u00e9lice, fica exposto e sem prote\u00e7\u00e3o. Como este mesmo eixo gira em alta velocidade, qualquer objeto fr\u00e1gil \u00e9 facilmente por ele sugado e enrolado. Neste contexto, as maiores v\u00edtimas s\u00e3o as mulheres de cabelo comprido que, n\u00e3o alertadas para prend\u00ea-los ou encurt\u00e1-los com grampo ou tiara, t\u00eam seus cabelos escalpelados instantaneamente pelo eixo do motor. S\u00e3o senhoras, jovens e crian\u00e7as que uma vez vitimadas, necessitam submeter-se a v\u00e1rias cirurgias reparadoras at\u00e9 terem a chance de ver um dia o seu cabelo de volta. Imaginem a dor f\u00edsica e o sofrimento que tais v\u00edtimas s\u00e3o obrigadas a suportar? As les\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o graves que a hemorragia chega a provocar a morte e os que sobrevivem carregar\u00e3o sequelas irrevers\u00edveis para o resto da vida.<\/p>\n<p>Na tentativa de eliminar tamanho problema social, a Marinha do Brasil, atrav\u00e9s de suas Capitanias dos Portos, incrementou a fiscaliza\u00e7\u00e3o naquelas embarca\u00e7\u00f5es ribeirinhas e ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da lei n\u00ba 11.970\/2009, passou a existir um dispositivo legal para exigir de seus propriet\u00e1rios a instala\u00e7\u00e3o de uma prote\u00e7\u00e3o no motor, eixo e partes m\u00f3veis das embarca\u00e7\u00f5es, de forma a proteger os passageiros e tripula\u00e7\u00f5es do risco de acidentes. Em paralelo foram instaurados dezenas de inqu\u00e9ritos administrativos visando apurar poss\u00edveis responsabilidades e principalmente, proporcionar apoio m\u00e9dico e financeiro \u00e0s v\u00edtimas. Assim, procurou-se obter uma cobertura pecuni\u00e1ria atrav\u00e9s do Seguro Obrigat\u00f3rio de Danos Pessoais Causados por Embarca\u00e7\u00f5es ou por sua Carga, o t\u00e3o conhecido DPEM, institu\u00eddo pela lei n\u00ba 8.374\/1991.<\/p>\n<p>No universo de acidentados existem hoje cerca de mais de 120 pessoas, somente em rela\u00e7\u00e3o aos estados do Par\u00e1 e Amap\u00e1, que perderam seus cabelos ao deix\u00e1-los soltos e sem nenhuma prote\u00e7\u00e3o. H\u00e1 tamb\u00e9m um quantitativo, n\u00e3o revelado, ainda de jovens que por descuido encostaram o cord\u00e3o da bermuda no eixo e tiveram o p\u00eanis arrancado instantaneamente. Imaginem se as v\u00edtimas de toda a Amaz\u00f4nia e demais estados brasileiros fossem computadas e sa\u00edssem do anonimato? O problema ganhou tamanha dimens\u00e3o que, no dia 14 de janeiro deste ano, o Presidente da Rep\u00fablica sancionou a lei n\u00ba 12.199 que institui o Dia Nacional de Combate e Preven\u00e7\u00e3o ao Escalpelamento, a ser comemorado anualmente no dia 28 de agosto.<\/p>\n<p>Que fique, portanto, um alerta para todos aqueles que utilizam as pequenas embarca\u00e7\u00f5es, onde o eixo do motor est\u00e1 exposto, para que o cubra com uma prote\u00e7\u00e3o em madeira e proteja o motor e demais partes m\u00f3veis das embarca\u00e7\u00f5es. Assim agindo estar\u00e3o salvando inocentes vidas e sofrimentos daqueles, que em muitos casos, s\u00e3o os pr\u00f3prios familiares dos donos das embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff;\">A implanta\u00e7\u00e3o do ISPS Code<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Luiz Augusto Oliveira de Freitas<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Capit\u00e3o-de-Mar-e-Guerra &#8211; Auditor ISPS Code<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o atentado ao World Trade Center, em Nova Iorque, no dia 11 de setembro de 2001, a preocupa\u00e7\u00e3o mundial voltou-se para a prote\u00e7\u00e3o contra atos terroristas. No ano seguinte, durante confer\u00eancia diplom\u00e1tica sobre seguran\u00e7a, a Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional (IMO, sigla em ingl\u00eas) instituiu uma s\u00e9rie de medidas de seguran\u00e7a, denominada ISPS Code (C\u00f3digo Internacional para a Prote\u00e7\u00e3o de Navios e Instala\u00e7\u00f5es Portu\u00e1rias), a ser implementada pelos 162 pa\u00edses que a comp\u00f5e, inclu\u00eddo o Brasil que \u00e9 um de seus signat\u00e1rios. A Confer\u00eancia Diplom\u00e1tica sobre Seguran\u00e7a Mar\u00edtima realizada em Londres em dezembro de 2002 adotou novas disposi\u00e7\u00f5es na Conven\u00e7\u00e3o Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar de 1974 e esse C\u00f3digo com vistas a intensificar a prote\u00e7\u00e3o mar\u00edtima.<\/p>\n<p>O ISPS Code tem o objetivo de estabelecer uma coopera\u00e7\u00e3o internacional entre governos, organismos governamentais, administradores locais e empres\u00e1rios dos setores naval e portu\u00e1rio para detectar amea\u00e7as \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos navios ou \u00e0s instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias. Para tal, \u00e9 exigida avalia\u00e7\u00e3o de riscos \u00e0 prote\u00e7\u00e3o mar\u00edtima, compartilhamento dessas informa\u00e7\u00f5es, manuten\u00e7\u00e3o de protocolos de comunica\u00e7\u00e3o, proibi\u00e7\u00e3o de acessos n\u00e3o-autorizados aos navios e \u00e0s instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias, e combate \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de armas, artefatos incendi\u00e1rios ou explosivos nos navios e nas instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias.<\/p>\n<p>O Brasil adotou o ISPS Code como diretriz para a elabora\u00e7\u00e3o dos Planos de Seguran\u00e7a Portu\u00e1ria de cada porto e terminal do pa\u00eds, p\u00fablico e privado, que opere no com\u00e9rcio internacional, e a tarefa da condu\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o dos trabalhos coube \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional de Seguran\u00e7a nos Portos e Vias Naveg\u00e1veis (CONPORTOS), um colegiado formado por representantes dos Minist\u00e9rios da Justi\u00e7a, Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Marinha, Transportes e Fazenda. Essa Comiss\u00e3o foi encarregada de elaborar e implantar normas de prote\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o a atos il\u00edcitos nos portos, tais como roubo, pirataria, tr\u00e1fico de drogas e armas, imigra\u00e7\u00e3o ilegal, contrabando, entre outros. Fazendo parte da estrutura da CONPORTOS foram criadas as Comiss\u00f5es Estaduais de Seguran\u00e7a P\u00fablica nos Portos Terminais e Vias Naveg\u00e1veis (CESPORTOS), compostas regionalmente por representantes do Departamento da Pol\u00edcia Federal, o qual coordena a Comiss\u00e3o, das Capitanias dos Portos, Secretaria da Receita Federal, ANVISA, Administra\u00e7\u00f5es Portu\u00e1rias, e dos Governos dos Estados.<\/p>\n<p>Essas Comiss\u00f5es coordenaram os Portos, Terminais e Instala\u00e7\u00f5es de todo o Brasil para a realiza\u00e7\u00e3o de Estudos de Avalia\u00e7\u00e3o de Risco e elabora\u00e7\u00e3o dos seus respectivos Planos de Seguran\u00e7a P\u00fablica Portu\u00e1ria. Esses planos devem estar adequados para atender as demandas ligadas a interface navio\/porto, e servem para garantir a aplica\u00e7\u00e3o de medidas criadas para proteger instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias e navios, pessoas, cargas, unidades de transporte de cargas e provis\u00f5es do navio dentro da instala\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria contra riscos de um incidente de prote\u00e7\u00e3o. S\u00e3o basicamente medidas para prevenir que armas, subst\u00e2ncias perigosas e dispositivos destinados ao uso contra pessoas, navios ou portos, e cujo transporte n\u00e3o seja autorizado, sejam introduzidos em uma instala\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria ou a bordo de um navio. Portanto, a implementa\u00e7\u00e3o dos Planos de Seguran\u00e7a requer monitoramento e controle de acessos, de pessoas, de ve\u00edculos e de cargas, e garantia da pronta disponibilidade de comunica\u00e7\u00f5es e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>A CONPORTOS vem fazendo as vistorias nos Portos e Terminais para que possa ser emitida a Declara\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o exigida pela IMO, de forma a atender as normas definidas no C\u00f3digo ISPS evitando assim, poss\u00edveis preju\u00edzos comerciais \u00e0 Exportadores Brasileiros em fun\u00e7\u00e3o do n\u00e3o embarque de mercadorias para os Estados Unidos e Comunidade Europ\u00e9ia.<\/p>\n<p>Das 228 instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias brasileiras, at\u00e9 o m\u00eas de julho de 2006, 152 j\u00e1 est\u00e3o certificadas pela CONPORTOS por cumprirem todas as recomenda\u00e7\u00f5es da IMO. Assim, operadores de portos e navios t\u00eam certeza de que, nessas instala\u00e7\u00f5es, medidas de seguran\u00e7a foram tomadas para prote\u00e7\u00e3o contra ataques terroristas. O desempenho brasileiro est\u00e1 acima da m\u00e9dia mundial. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional (IMO), criadora do c\u00f3digo, 69% dos portos j\u00e1 tinham seus planos de seguran\u00e7a aprovados em 1\u00ba de julho de 2004, data em que o ISPS Code passou a ser obrigat\u00f3rio nos pa\u00edses signat\u00e1rios, inclusive no Brasil. Na pr\u00e1tica, o descumprimento do estabelecido pelo ISPS poder\u00e1 trazer divis\u00e3o entre portos e navios, que ser\u00e3o classificados como aptos ou n\u00e3o aptos. Os portos n\u00e3o aptos podem deixar de participar das cadeias internacionais de abastecimento ou seja, os navios estrangeiros podem se recusar a neles atracar. Importante ressaltar que essas embarca\u00e7\u00f5es s\u00e3o respons\u00e1veis pelo escoamento da produ\u00e7\u00e3o brasileira aos centros consumidores de todo o mundo, o que gera ao Brasil cerca de US$73 bilh\u00f5es em exporta\u00e7\u00f5es anuais. Al\u00e9m disso, a falta do Certificado prejudicaria o turismo mar\u00edtimo, segmento em pleno crescimento, j\u00e1 que em m\u00e9dia 100 mil estrangeiros entram anualmente no Pa\u00eds pelo mar. Por outro lado, os navios que n\u00e3o cumprirem ou que cumprirem parcialmente o ISPS poder\u00e3o ficar de fora do circuito das principais rotas comerciais, o que trar\u00e1 efeitos diretos e indiretos.<\/p>\n<p>Especificamente no Maranh\u00e3o, onde, no exerc\u00edcio do cargo de Capit\u00e3o dos Portos durante o per\u00edodo de fevereiro de 2004 a fevereiro de 2006, participei dos trabalhos da CESPORTOS-MA como membro titular representente da Marinha do Brasil, foram certificadas no ano de 2005 todas as instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias que operam no com\u00e9rcio exterior, fruto de um grande esfor\u00e7o de todos os envolvidos, direta ou indiretamente, na ado\u00e7\u00e3o das provid\u00eancias necess\u00e1rias. Assim, receberam a Declara\u00e7\u00e3o de Cumprimento a Empresa Maranhense de Administra\u00e7\u00e3o Portu\u00e1ria (EMAP &#8211; porto do Itaqui), a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a Companhia Vale do Rio Doce (Terminal mar\u00edtimo da Ponta da Madeira), a Granel Qu\u00edmica Ltda, o Moinho Cruzeiro do Sul Ltda, a Petrobr\u00e1s Transporte S\/A (Transpetro &#8211; terminal aquavi\u00e1rio de S\u00e3o Luis) e o terminal portu\u00e1rio privativo do Cons\u00f3rcio de Alum\u00ednio do Maranh\u00e3o \u2013 ALUMAR).<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, a Declara\u00e7\u00e3o de Cumprimento (chancela do Governo Federal) certifica a total implementa\u00e7\u00e3o do Plano de Seguran\u00e7a Portu\u00e1ria e do ISPS Code, de forma que essas instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias s\u00e3o consideradas aptas a continuar operando no com\u00e9rcio exterior.<br \/>\nO pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o de auditorias de verifica\u00e7\u00e3o nessas instala\u00e7\u00f5es, a cargo da CONPORTOS, para atender as exig\u00eancias contidas no C\u00f3digo ISPS. Conforme a resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 37 da CONPORTOS, de 21 de junho de 2005, a primeira auditoria ser\u00e1 realizada, obrigatoriamente, no prazo de at\u00e9 03 (tr\u00eas) anos, contado de 1\u00ba de julho de 2004, data em que passou a vigir o C\u00f3digo ISPS ou seja, a partir de julho de 2007. At\u00e9 l\u00e1, todas as instala\u00e7\u00f5es j\u00e1 certificadas dever\u00e3o realizar, obrigatoriamente, auditorias internas de implementa\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo, tamb\u00e9m atendendo \u00e0s suas exig\u00eancias.<\/p>\n<p>Segundo estimativas da Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica e Desenvolvimento (OCDE), 46 mil embarca\u00e7\u00f5es e 4 mil instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias em todo mundo dever\u00e3o aplicar o C\u00f3digo Internacional para a Seguran\u00e7a de Navios e Instala\u00e7\u00f5es Portu\u00e1rias, esperando-se com isso uma substancial redu\u00e7\u00e3o nos riscos de prote\u00e7\u00e3o envolvidos nas atividades mar\u00edtimas.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Acidentes da navega\u00e7\u00e3o &#8211; Parte II<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #3366ff;\">A Inspe\u00e7\u00e3o Naval e o Tribunal Mar\u00edtimo<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Luiz Augusto Freitas- Capit\u00e3o-de-Mar-e-Guerra<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Conforme vimos no artigo passado, grande quantidade de acidentes de barco, alguns com v\u00edtimas fatais t\u00eam sido provocados por atos irrespons\u00e1veis: consumo de \u00e1lcool em excesso, alta velocidade, n\u00famero de passageiros acima do permitido e a falta de experi\u00eancia no tr\u00e1fego noturno, para citar apenas alguns motivos. Com o intuito de prevenir os acidentes da navega\u00e7\u00e3o, a Marinha do Brasil, por meio dos Representantes da Autoridade Mar\u00edtima ou seus Agentes, realiza em todo territ\u00f3rio nacional a Inspe\u00e7\u00e3o Naval, que nada mais \u00e9 que uma a\u00e7\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o realizada com a finalidade de efetuar uma verifica\u00e7\u00e3o inopinada das condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a das embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 importante entender o que \u00e9 a Inspe\u00e7\u00e3o naval e como ela se processa e, principalmente, o que acontece aos infratores depois que s\u00e3o autuados pelas equipes de inspe\u00e7\u00e3o naval das Capitanias, delegacias e Ag\u00eancias. Essa era a maior d\u00favida existente entre a popula\u00e7\u00e3o enquanto exerci o cargo de Capit\u00e3o dos Portos do Maranh\u00e3o entre 2004 e fevereiro de 2006, exatamente saber se os desrespeitos flagrados pela inspe\u00e7\u00e3o naval n\u00e3o ficavam impunes. Naquele per\u00edodo, os inspetores navais da Capitania abordaram 5246 embarca\u00e7\u00f5es de todos os tipos, autuando quase 1000 delas por desrespeitos diversos \u00e0 Lei de Seguran\u00e7a do Tr\u00e1fego Aquavi\u00e1rio (LESTA), e ainda assim existia em muitas pessoas a sensa\u00e7\u00e3o da impunidade por conta da desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As Normas da Autoridade Mar\u00edtima Para a atividade de Inspe\u00e7\u00e3o Naval (NORMAM-07) define-a como uma atividade de cunho administrativo, que consiste na fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento da Lei no 9537 de 11\/12\/97 (LESTA), das normas e regulamentos dela decorrentes, e dos atos e resolu\u00e7\u00f5es internacionais ratificados pelo Brasil, no que se refere exclusivamente \u00e0 salvaguarda da vida humana e \u00e0 seguran\u00e7a da navega\u00e7\u00e3o, no mar aberto e em hidrovias interiores, e preven\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o ambiental por parte de embarca\u00e7\u00f5es, plataformas fixas ou suas instala\u00e7\u00f5es de apoio.<\/p>\n<p>A fiscaliza\u00e7\u00e3o se at\u00e9m \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o de documentos relativos aos tripulantes das embarca\u00e7\u00f5es de todos os tipos, e se divide em duas verifica\u00e7\u00f5es distintas: a documental e as reais condi\u00e7\u00f5es do material e equipagem da embarca\u00e7\u00e3o. No cumprimento de suas tarefas, os Inspetores Navais poder\u00e3o lavrar Notifica\u00e7\u00f5es, ou elaborar relatos de ocorr\u00eancia a serem transformados em Autos de Infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Constatada a infra\u00e7\u00e3o ser\u00e1 lavrada pelo Inspetor Naval uma Notifica\u00e7\u00e3o para Comparecimento para convocar o respons\u00e1vel pelo seu eventual cometimento para presta\u00e7\u00e3o de esclarecimentos e obten\u00e7\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o nos casos de infring\u00eancia \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o vigente afeta \u00e0 seguran\u00e7a da navega\u00e7\u00e3o, salvaguarda da vida humana, no mar aberto e em hidrovias interiores, que antecede a lavratura do respectivo Auto de Infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Sem esse procedimento legal, nenhuma penalidade poder\u00e1 ser imposta.<\/strong><\/p>\n<p>Lavrado o Auto de Infra\u00e7\u00e3o, o infrator dispor\u00e1 de quinze (15) dias \u00fateis de prazo para apresentar sua defesa, contados da data do seu conhecimento. O julgamento do Auto de Infra\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser proferido pela AUTORIDADE COMPETENTE, com decis\u00e3o devidamente fundamentada, no prazo de trinta (30) dias corridos, contados da data de recebimento da defesa ou julgado, caso esta defesa n\u00e3o seja apresentada, ap\u00f3s decorrido o prazo para sua apresenta\u00e7\u00e3o e, considerado procedente o Auto, ser\u00e1 estabelecida a pena.<\/p>\n<p><strong>As penalidades poder\u00e3o ser multa, suspens\u00e3o do certificado de habilita\u00e7\u00e3o at\u00e9 12 meses e\/ ou cancelamento do certificado de habilita\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Importante saber que da decis\u00e3o do julgamento do Auto de Infra\u00e7\u00e3o caber\u00e1 recurso, sem efeito suspensivo, no prazo de cinco (5) dias \u00fateis, contados da data do conhecimento da decis\u00e3o, dirigido \u00e0 AUTORIDADE COMPETENTE da estrutura da Autoridade Mar\u00edtima, imediatamente superior \u00e0quela que proferiu a decis\u00e3o. Ela dispor\u00e1 de um prazo de trinta (30) dias para proferir a sua decis\u00e3o, devidamente fundamentada.<\/p>\n<p>Caso n\u00e3o tenha sido julgado procedente o recurso e o infrator n\u00e3o concorde com a pena imposta, poder\u00e1 ainda recorrer mais uma vez da decis\u00e3o, atrav\u00e9s de recurso em \u00faltima inst\u00e2ncia administrativa sem efeito suspensivo, dirigido ao Representante da Autoridade Mar\u00edtima para a Seguran\u00e7a do Tr\u00e1fego Aquavi\u00e1rio (Diretor de Portos e Costas), e essa autoridade dispor\u00e1 de trinta (30) dias para proferir sua decis\u00e3o, devidamente fundamentada.<\/p>\n<p>Pelo que foi apresentado fica claro que a demora muitas vezes sentida para a aplica\u00e7\u00e3o e cumprimento das penas impostas aos infratores deve-se aos aspectos legais, e n\u00e3o a falta de a\u00e7\u00f5es nesse sentido.<\/p>\n<p>Quando da ocorr\u00eancia de um acidente ou fato da navega\u00e7\u00e3o, s\u00e3o instaurados Inqu\u00e9ritos Administrativos sobre Acidentes e Fatos da Navega\u00e7\u00e3o (IAFN), que tramitam at\u00e9 o Tribunal Mar\u00edtimo (TM). O IAFN deve ser instaurado imediatamente ou at\u00e9 o prazo de 5 (cinco) dias, contados da data em que um dos Agentes da Autoridade Mar\u00edtima houver tomado conhecimento do acidente ou fato da navega\u00e7\u00e3o e durante a fase de instru\u00e7\u00e3o do IAFN ser\u00e3o colhidas pelo encarregado do inqu\u00e9rito provas testemunhal, pericial e documental na busca da causa determinante e do respons\u00e1vel pelo evento.<\/p>\n<p>O Tribunal Mar\u00edtimo, criado em 5 de julho de 1934, com jurisdi\u00e7\u00e3o em todo o territ\u00f3rio nacional, \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o aut\u00f4nomo, auxiliar do Poder Judici\u00e1rio, vinculado ao Comando da Marinha, e tem como atribui\u00e7\u00f5es julgar os acidentes e fatos da navega\u00e7\u00e3o mar\u00edtima, fluvial e lacustre, bem como manter o registro da propriedade mar\u00edtima. Sua principal raz\u00e3o de ser tem sido a de contribuir para a seguran\u00e7a da navega\u00e7\u00e3o, de modo que seu prop\u00f3sito n\u00e3o se limita a meramente punir, mas tamb\u00e9m o de estabelecer as circunst\u00e2ncias relevantes de cada acidente, perscrutar os fatores que lhes deram origem, publicar suas causas e fazer recomenda\u00e7\u00f5es apropriadas \u00e0 Autoridade Mar\u00edtima, com vistas a altera\u00e7\u00f5es preventivas \u00e0s Normas que tratam da seguran\u00e7a da navega\u00e7\u00e3o, \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da vida humana e prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente marinho.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Acidentes da navega\u00e7\u00e3o I<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Luiz Augusto Freitas<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Capit\u00e3o-de-Mar-e-Guerra<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Os acidentes da navega\u00e7\u00e3o s\u00e3o fruto de uma cadeia de eventos que redundam em penosas conseq\u00fc\u00eancias para embarca\u00e7\u00f5es, tripulantes, banhistas e meio ambiente. Ao analisar os dados referentes aos acidentes e fatos da navega\u00e7\u00e3o, a Marinha do Brasil, como Autoridade Mar\u00edtima Brasileira, busca identificar n\u00e3o s\u00f3 a causa determinante, mas tamb\u00e9m os fatores que contribu\u00edram para a mesma e os segmentos da comunidade n\u00e1utica envolvidos, a fim de elaborar recomenda\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a que possibilitem a interrup\u00e7\u00e3o da propaga\u00e7\u00e3o dessa perigosa seq\u00fc\u00eancia de acontecimentos. Tal trabalho cabe \u00e0 Comiss\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o e Preven\u00e7\u00e3o de Acidentes da Navega\u00e7\u00e3o (CIPANAVE), da Diretoria de Portos e Costas. A preven\u00e7\u00e3o dos acidentes da navega\u00e7\u00e3o \u00e9 obtida n\u00e3o s\u00f3 pelas a\u00e7\u00f5es promovidas pela Autoridade Mar\u00edtima mas pelo esfor\u00e7o conjunto de todos os segmentos envolvidos nas atividades n\u00e1uticas. Vale mencionar que, a despeito de todo o esfor\u00e7o de fiscaliza\u00e7\u00e3o promovido diuturnamente pela Autoridade Mar\u00edtima, \u00e9 imposs\u00edvel presenciar todas as viola\u00e7\u00f5es cometidas ao longo da costa e em hidrovias interiores em um pa\u00eds de propor\u00e7\u00f5es continentais. Portanto, a \u00fanica fiscaliza\u00e7\u00e3o que permanece 24 horas junto ao navegante \u00e9 a sua pr\u00f3pria consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Segundo o acompanhamento da CIPANAVE, em que pese os trabalhos de preven\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o realizados, apenas entre os anos de 2003 e 2005 foram contabilizados pelas Capitanias dos Portos, Delegacias e Ag\u00eancias, 1637 acidentes e fatos da navega\u00e7\u00e3o em todo territ\u00f3rio nacional, sendo que 310 deles resultaram em 444 v\u00edtimas fatais. Dessas v\u00edtimas fatais, 21% foram motivadas por acidentes com embarca\u00e7\u00f5es de pesca, 21% no transporte de passageiros e carga e 19% no esporte e recreio. As falhas humanas predominam como as principais causas dos acidentes da navega\u00e7\u00e3o, chegando a 83% dos casos registrados entre 2001 e 2005, geralmente por viola\u00e7\u00f5es \u00e0s diversas Normas da Autoridade Mar\u00edtima. O excesso de passageiros ou de carga tamb\u00e9m \u00e9 um fator que contribui de maneira decisiva nos acidentes. Dessa forma, mais da metade dos acidentes analisados poderiam ter sido evitados por meio de conscientiza\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia do cumprimento do contido nas Normas por parte de propriet\u00e1rios e por parte de alguns condutores das embarca\u00e7\u00f5es, que tendem a cometer imprud\u00eancias, a despeito das orienta\u00e7\u00f5es nelas contidas.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 natureza desses acidentes fatais, destacam-se os naufr\u00e1gios em 31% dos casos, a queda de pessoas na \u00e1gua em 15%, os abalroamentos em 12% e acidentes com tripulantes e passageiros a bordo em 7%. Cerca de 35% das colis\u00f5es e abalroamentos foram fruto do excesso de velocidade. Os emborcamentos, acidente no qual s\u00e3o registrados os maiores n\u00fameros de v\u00edtimas fatais na atividade, registram 90% dos casos com embarca\u00e7\u00f5es mi\u00fadas, em virtude do excesso de lota\u00e7\u00e3o, de suspenderem com a embarca\u00e7\u00e3o sem atentar para a previs\u00e3o do tempo, e de navegarem em mar aberto, o que n\u00e3o \u00e9 permitido.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, as embarca\u00e7\u00f5es mi\u00fadas s\u00e3o respons\u00e1veis por cerca de 50% do total de acidentes, mas com 80% de participa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s v\u00edtimas fatais. Ou seja, as embarca\u00e7\u00f5es mi\u00fadas, com destaque para botes a motor e jet ski, apresentam maior risco de perdas de vidas humanas. Nos acidentes envolvendo a moto-aqu\u00e1tica ou jet ski suas conseq\u00fc\u00eancias tendem a ser mais graves, em virtude da velocidade que rapidamente pode ser atingida pela embarca\u00e7\u00e3o que n\u00e3o possui uma estrutura que evite o impacto direto contra o corpo do condutor. A despeito do permanente crescimento do n\u00famero de embarca\u00e7\u00f5es inscritas na atividade de esporte e recreio, o n\u00famero de acidentes da navega\u00e7\u00e3o envolvendo tais embarca\u00e7\u00f5es vem sofrendo uma gradual redu\u00e7\u00e3o desde o ano de 2001, chegando a 2005 com 96 casos registrados em todo territ\u00f3rio nacional contra 112 registrados em 2001.<\/p>\n<p>Entretanto, a maior vit\u00f3ria de todos os segmentos da comunidade n\u00e1utica envolvidos na sua preven\u00e7\u00e3o encontra-se na redu\u00e7\u00e3o de perdas de preciosas vidas humanas. No ano de 2005 foram registradas 26 v\u00edtimas fatais em acidentes com embarca\u00e7\u00f5es de esporte e recreio contra 57 no ano de 2001. Essa queda acentuada no n\u00famero de fatalidades mostra que, a despeito de acidentes continuarem ocorrendo, suas conseq\u00fc\u00eancias v\u00eam sendo reduzidas a propor\u00e7\u00f5es menores. A conscientiza\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia do uso efetivo de coletes salva-vidas em embarca\u00e7\u00f5es mi\u00fadas e de pequeno porte teve grande influ\u00eancia nesse resultado.<br \/>\nNo esporte e recreio os principais fatores causadores de acidentes t\u00eam sido a viola\u00e7\u00e3o de normas e regulamentos por parte de propriet\u00e1rios e condutores habilitados, e o desconhecimento de normas e regulamentos da navega\u00e7\u00e3o, por parte dos condutores sem habilita\u00e7\u00e3o. Cerca de 30% dos acidentes registrados no per\u00edodo de 2001 a 2005 envolviamcondutores inabilitados, n\u00e3o pertencentes ao segmento da comunidade n\u00e1utica amadora, \u00e0 margem da lei e desprovidos dos conhecimentos necess\u00e1rios \u00e0 seguran\u00e7a no mar.<\/p>\n<p>O condutor inabilitado n\u00e3o tem o conhecimento necess\u00e1rio para navegar em seguran\u00e7a e ao suspender com sua embarca\u00e7\u00e3o, exp\u00f5e ao risco sua tripula\u00e7\u00e3o, banhistas e outras embarca\u00e7\u00f5es e tripula\u00e7\u00f5es, promovendo a degrada\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a da navega\u00e7\u00e3o. Ressalta-se que em muitas ocasi\u00f5es as embarca\u00e7\u00f5es s\u00e3o cedidas aos inabilitados pelos propriet\u00e1rios habilitados, apenas para \u201cdar uma voltinha\u201d. Essa condu\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel \u00e9 forte colaboradora da gera\u00e7\u00e3o da cadeia de eventos indesej\u00e1veis que pode resultar em preju\u00edzo para as embarca\u00e7\u00f5es e, principalmente, para a vida humana.<\/p>\n<p>Os amadores, aqueles habilitados pela Autoridade Mar\u00edtima, tamb\u00e9m cometem erros e viola\u00e7\u00f5es \u00e0s Normas que resultam em acidentes e fatalidades. Um exemplo dessas viola\u00e7\u00f5es \u00e9 o n\u00e3o cumprimento da dota\u00e7\u00e3o de coletes salva-vidas exigida pela Autoridade Mar\u00edtima, sendo que mais de 40% das v\u00edtimas fatais poderiam ter sobrevivido \u00e0 ocorr\u00eancia, caso as embarca\u00e7\u00e3oes estivessem dotadas da quantidade de coletes salva-vidas prevista nas Normas.<br \/>\nOutra causa freq\u00fcente de acidentes envolvendo embarca\u00e7\u00f5es de esporte e recreio \u00e9 o desrespeito \u00e0s \u00e1reas seletivas de navega\u00e7\u00e3o, \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o da navega\u00e7\u00e3o na \u00e1rea destinada a banhistas e \u00e0 velocidade de aproxima\u00e7\u00e3o para fundeio. Colis\u00f5es de embarca\u00e7\u00f5es com pessoas, em virtude da viol\u00eancia do choque, resultam em les\u00f5es graves e fatalidades.<br \/>\nContribuem ainda para os acidentes fatais diversos fatores tais como a ingest\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas, o excesso de confian\u00e7a e o excesso de velocidade.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de manuten\u00e7\u00e3o eficaz da embarca\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos mais freq\u00fcentes fatores contribuintes para acidentes na avega\u00e7\u00e3o. Cabe ao propriet\u00e1rio da embarca\u00e7\u00e3o, portanto, providenciar as condi\u00e7\u00f5es adequadas de sua manuten\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o exime o Comandante da embarca\u00e7\u00e3o da responsabilidade de verific\u00e1-la. A neglig\u00eancia do propriet\u00e1rio com o aprestamento de sua embarca\u00e7\u00e3o, principalmente no tocante aos sistemas de governo e propuls\u00e3o, representa uma falha latente que, a qualquer momento, poder\u00e1 colocar o Comandante da embarca\u00e7\u00e3o a prova. A avaria torna-se o evento inicial de uma seq\u00fc\u00eancia de acontecimentos que resultar\u00e1 em conseq\u00fc\u00eancias graves.<\/p>\n<p>Felizmente, a an\u00e1lise dos acidentes da navega\u00e7\u00e3o ocorridos no per\u00edodo de 2001 a 2005 indica que o \u00edndice de acidentes e de fatalidades vem decrescendo significativamente, fruto n\u00e3o somente do esfor\u00e7o de fiscaliza\u00e7\u00e3o empreendido pela Autoridade Mar\u00edtima por meio de inspe\u00e7\u00f5es navais, como tamb\u00e9m pela maior conscientiza\u00e7\u00e3o do navegador sobre a import\u00e2ncia do cumprimento das normas de seguran\u00e7a em vigor. Espera-se assim evitar ou reduzir a ocorr\u00eancia futura decidentes como o que vitimou duas pessoas, em maio \u00faltimo, em Angra dos Reis, litoral sul do estado do Rio de Janeiro, envolvendo a lancha September V e uma traineira.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Auto-sufici\u00eancia em petr\u00f3leo e a Marinha<\/span><\/h2>\n<p><em><strong>Roberto Guimar\u00e3es Carvalho<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Possibilitar que a Marinha possa patrulhar a nossa &#8220;Amaz\u00f4nia Azul&#8221; \u00e9 um dever do Estado. Talvez a Petrobras possa ajudar. O BRASIL todo comemora, com fundadas raz\u00f5es, a auto-sufici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo: enfim, para justo orgulho de todos os brasileiros, produzimos mais do que consumimos! Essa conquista comp\u00f5e p\u00e1ginas que enriquecem a pr\u00f3pria hist\u00f3ria recente do Brasil. Seja a her\u00f3ica vis\u00e3o do estadista que decidiu, em contexto de dif\u00edceis circunst\u00e2ncias pol\u00edticas e econ\u00f4micas, pelo &#8220;O Petr\u00f3leo \u00e9 Nosso&#8221;; seja a vibrante epop\u00e9ia da Petrobras; seja a confian\u00e7a dos governos, que, por mais de cinco d\u00e9cadas, jamais deixaram de investir nesse segmento; ou, por fim, seja pela m\u00edstica de uma calada torcida de todo o povo brasileiro para que essa meta fosse alcan\u00e7ada.<\/p>\n<p>O fato inconteste \u00e9 que o Brasil venceu. O Brasil conseguiu. A Marinha se junta ao mutir\u00e3o nacional de orgulho por essa vit\u00f3ria. Contudo, a consci\u00eancia do dever constitucional a obriga a reflex\u00f5es de ordem estrat\u00e9gica sobre esse fato, considerando que um percentual bastante significativo da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo -cerca de 85%- \u00e9 realizado nas \u00e1guas da nossa &#8220;Amaz\u00f4nia Azul&#8221;, e que vis\u00f5es prospectivas anunciam a descoberta de novas jazidas no mar. O direito do mar (Conven\u00e7\u00e3o da Jamaica), ao mesmo tempo em que concede ao Estado costeiro o direto de explorar os recursos vivos e n\u00e3o-vivos do solo, subsolo e da camada l\u00edquida da sua zona econ\u00f4mica exclusiva (ZEE), reconhece o direito \u00e0 livre navega\u00e7\u00e3o internacional nas ZEE.<\/p>\n<p>Isso significa que qualquer pa\u00eds pode deslocar uma for\u00e7a naval para operar nas proximidades das \u00e1reas mar\u00edtimas onde se localizam as nossas plataformas de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo sem nenhum constrangimento de ordem jur\u00eddica, embora possa haver de ordem pol\u00edtica. Da\u00ed ser o mar, por excel\u00eancia, o cen\u00e1rio pr\u00f3prio para o surgimento de crises internacionais de natureza pol\u00edtico-estrat\u00e9gica. Tais crises, quando mal conduzidas, podem escalar para conflitos armados que sempre interessam aos mais fortes ou, mesmo quando bem manobradas, tendem a sujeitar os mais fracos a aceitar as condi\u00e7\u00f5es impostas pelos mais fortes. No caso em apre\u00e7o, ou seja, para evitar crises no cen\u00e1rio mar\u00edtimo ou para poder enfrent\u00e1-las com a cabe\u00e7a erguida, caso elas ocorram, a exist\u00eancia de uma Marinha com capacidade cr\u00edvel de dissuas\u00e3o \u00e9 o \u00fanico recurso plenamente satisfat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Outro aspecto que n\u00e3o pode ser negligenciado \u00e9 o das denominadas &#8220;novas amea\u00e7as&#8221;, entre as quais, al\u00e9m dos crimes transnacionais e ambientais, est\u00e1 inclu\u00eddo o terrorismo internacional. Plataformas de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo s\u00e3o alvos potencialmente tentadores para a\u00e7\u00f5es terroristas. Assim, al\u00e9m da capacidade de dissuas\u00e3o j\u00e1 mencionada, a Marinha necessita ter uma outra capacidade, qual seja, a de poder patrulhar de forma permanente todo o imenso mar que nos cerca, incluindo, prioritariamente, as \u00e1reas mar\u00edtimas de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. Para tal tarefa, em tempo de paz, o navio-patrulha \u00e9 o meio adequado. Somente um navio pode, al\u00e9m de detectar e identificar, interceptar as embarca\u00e7\u00f5es que estejam navegando nas nossas \u00e1guas jurisdicionais. Pode ainda, utilizando o Grupo de Visita e Inspe\u00e7\u00e3o (GVI) e a Guarni\u00e7\u00e3o de Presa (GP), que fazem parte da sua tripula\u00e7\u00e3o, inspecionar e, se for o caso, obrigar a demandar o porto nacional mais pr\u00f3ximo aquelas que estiverem infringindo as nossas leis, entregando-as \u00e0s autoridades competentes para as provid\u00eancias posteriores.<\/p>\n<p>Prover \u00e0 Marinha os meios e os recursos necess\u00e1rios para que ela possua uma capacidade de dissuas\u00e3o com credibilidade \u00e9, sem d\u00favida, um dever do Estado -e para isso existem os royalties. Possibilitar que a Marinha possa, efetivamente, patrulhar a nossa &#8220;Amaz\u00f4nia Azul&#8221; tamb\u00e9m \u00e9 um dever do Estado. Mas talvez a Petrobras possa ajudar. Como? Tornando-se, mais do que j\u00e1 \u00e9, uma efetiva parceira da Marinha, celebrando com ela um acordo administrativo que permita o repasse de recursos extra-or\u00e7ament\u00e1rios diretos para a Marinha e, portanto, fora do alcance dos contingenciamentos do Or\u00e7amento, para que a For\u00e7a Naval possa implementar o seu projeto de navios-patrulha a serem constru\u00eddos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Tais recursos seriam uma pequena parcela dos pesados investimentos feitos pela Petrobras -e que continuariam a ser investimentos, s\u00f3 que voltados para a prote\u00e7\u00e3o e a seguran\u00e7a do imenso patrim\u00f4nio que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 daquela empresa, j\u00e1 que tamb\u00e9m pertence a todo o povo brasileiro. Pode parecer um sonho, mas a vit\u00f3ria que estamos comemorando tamb\u00e9m era um sonho que se transformou em realidade. Orgulhemo-nos e saudemos a auto-sufici\u00eancia do petr\u00f3leo, sem descurar, por\u00e9m, da responsabilidade de proteg\u00ea-la e defend\u00ea-la.<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><em><strong>*ROBERTO DE GUIMAR\u00c3ES CARVALHO,<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\"><em><strong>67, almirante-de-esquadra, \u00e9 o comandante da Marinha.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">O naufr\u00e1gio do \u2018Estrela Guia I\u2019<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Engenheiro e Capit\u00e3o-de-Mar-e-Guerra (RRM) da Marinha do Brasil<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>O Decreto n\u00ba 968\/93, que regulamenta o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Mar\u00edtimo (FDEPM), determina que seus recursos s\u00e3o constitu\u00eddos das arrecada\u00e7\u00f5es de todas as folhas de pagamento das empresas particulares, estatais, de economia mista e autarquias, quer federais, estaduais ou municipais, de navega\u00e7\u00e3o mar\u00edtima fluvial ou lacustre e at\u00e9 de servi\u00e7os portu\u00e1rios, o que deixa claro que os recursos n\u00e3o s\u00e3o oriundos de verbas or\u00e7ament\u00e1rias do Governo Federal. O FDEPM \u00e9 aplicado no desenvolvimento do ensino e aperfei\u00e7oamento profissional do pessoal da Marinha Mercante e todas as demais atividades correlatas em todo o Brasil e nelas est\u00e3o ainda inclu\u00eddos os custeios: dos Centros de Instru\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m e Rio de Janeiro na forma\u00e7\u00e3o de oficiais da Marinha Mercante e toda uma infinidade de cursos de qualifica\u00e7\u00e3o desde os mais complexos para navios de grande porte at\u00e9 aqueles ministrados aos nossos humildes e valorosos pescadores. Assim, ao aspecto educativo tamb\u00e9m se agrega a fiscaliza\u00e7\u00e3o, pois estas duas atividades relacionadas ao mar encontram-se intimamente ligadas. Se n\u00e3o houver uma boa forma\u00e7\u00e3o profissional, a fiscaliza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 muito exigida e acidentes fatalmente ocorrer\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, o FDEPM foi inclu\u00eddo na pol\u00edtica de cortes e limita\u00e7\u00e3o de gastos do governo federal e as libera\u00e7\u00f5es ocorrem ap\u00f3s demoradas autoriza\u00e7\u00f5es. Como as Capitanias dos Portos tamb\u00e9m recebem verbas or\u00e7ament\u00e1rias e normalmente sempre abaixo do montante solicitado, que n\u00e3o atendem as necessidades globais, o or\u00e7amento anual para ser administrado exige uma verdadeira engenharia de economias e gastos. Em outras \u00e1reas, como por exemplo, os cortes do Governo Federal influenciam no reduzido n\u00famero de jovens que cumprem o servi\u00e7o militar e na economia que se faz no fornecimento das refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias aos militares. Esta pol\u00edtica de enxugamento em cascata prejudica, obviamente, o fim da linha que \u00e9 a a\u00e7\u00e3o da Capitania dos Portos do Maranh\u00e3o (CPMA) e de todas as demais Capitanias do Brasil, que poderiam ser muito mais abrangentes caso tivessem os meios humanos e materiais compat\u00edveis com as suas reais, in\u00fameras e \u00e1rduas atribui\u00e7\u00f5es. Qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, pendor ao trabalho, censo humanit\u00e1rio e capacidade para enfrentar adversidades n\u00e3o faltam naqueles valorosos e abnegados militares e servidores civis que n\u00e3o t\u00eam feriado, final de semana com suas fam\u00edlias, dia ou noite para bem exercer suas obriga\u00e7\u00f5es em prol da comunidade mar\u00edtima e fluvial, enfim, do Brasil.<\/p>\n<p>Apesar das cr\u00edticas infundadas sempre existentes, chegamos ent\u00e3o no \u00e2mago do problema que influencia diretamente nos acidentes mar\u00edtimos: habilita\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o profissional e uma fiscaliza\u00e7\u00e3o que possa cobrir toda a demanda do vasto litoral do estado. Isto s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ado com uma sistem\u00e1tica libera\u00e7\u00e3o de recursos \u00e0 altura das necessidades que atendam todo universo daqueles que vivem das atividades relacionadas com o mar, amplia\u00e7\u00e3o dos meios materiais e efetivo de pessoal civil e militar, que proporcione em paralelo um aumento da fiscaliza\u00e7\u00e3o. Lamentavelmente, deparamos com o naufr\u00e1gio do \u201cEstrela Guia I\u201d, quando pessoas inocentes s\u00e3o vitimadas e o condutor da embarca\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o possuindo habilita\u00e7\u00e3o, autorizou o excesso de pessoas a bordo e pior, tratava-se de um barco de pesca que n\u00e3o podia conduzir passageiros. Ser\u00e1 que este irrespons\u00e1vel desconhecia tudo isto? \u00c9 \u00f3bvio que esta irresponsabilidade isolada n\u00e3o pode ser imputada \u00e0 Capitania.<\/p>\n<p>Que este momento de dor das fam\u00edlias enlutadas possa, de alguma forma, sensibilizar as autoridades financeiras do Governo Federal, no sentido de priorizar as reais necessidades da nossa Capitania dos Portos do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Israel, Gaza e Cisjord\u00e2nia<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<em><strong>Engenheiro e Capit\u00e3o-de-Mar-e-Guerra (RRM) da Marinha do Brasil<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em 14 de maio de 1948, ap\u00f3s uma verdadeira dizima\u00e7\u00e3o dos judeus na Segunda Guerra Mundial, durante uma assembl\u00e9ia geral da ONU, era criado Israel com a divis\u00e3o da Palestina em dois estados: um judeu e um \u00e1rabe. O novo pa\u00eds nasceria em terra habitada pelos palestinos, sem que houvesse a concord\u00e2ncia dos pa\u00edses \u00e1rabes vizinhos.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a chegada dos novos colonizadores, aconteceria o primeiro conflito ao eclodir a guerra nos anos de 1948 e 1949 com o Egito, S\u00edria, L\u00edbano e Iraque. A partir da\u00ed, a paz nunca mais predominou naquela regi\u00e3o e em 1967 novamente tropas do Egito, Jord\u00e2nia, S\u00edria e L\u00edbano invadiram Israel pelo sul, leste e norte, perdendo mais uma vez a guerra. Ap\u00f3s a vit\u00f3ria, Israel avan\u00e7ou suas tropas para muito al\u00e9m das fronteiras estabelecidas pela ONU, ocupando ao sul toda a pen\u00ednsula do Sinai at\u00e9 o Canal de Suez, ao norte avan\u00e7ou at\u00e9 as colinas de Golan em territ\u00f3rio da S\u00edria e a leste ocupou toda a Cisjord\u00e2nia at\u00e9 a fronteira com a Jord\u00e2nia.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, Israel formou uma \u00e1rea de seguran\u00e7a ao longo de toda sua fronteira, prevenindo-se e antecipando-se contra novos ataques de seus vizinhos.<\/p>\n<p>Em 1982, Anuar Sadat e Menahem Begin assinam o acordo de Camp David, que permitiu a devolu\u00e7\u00e3o do Sinai ao Egito. Como os demais territ\u00f3rios n\u00e3o foram devolvidos, a ocupa\u00e7\u00e3o israelense provocou a forma\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de refugiados palestinos, que se viram for\u00e7ados a abandonar suas terras, alojando-se na Jord\u00e2nia, L\u00edbano e S\u00edria. Entretanto, aqueles que n\u00e3o fugiram e permaneceram em suas terras, passaram a viver como refugiados em seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio, sem p\u00e1tria, sem soberania e desprovidos de qualquer projeto de desenvolvimento urbano, pol\u00edticas p\u00fablicas de saneamento e escolas especializadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 registro na hist\u00f3ria de povos que permaneceram eternamente dominados, sem rebelar-se e esta longa opress\u00e3o iniciou um novo ciclo de retalia\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o dos grupos extremistas Hezbollah, Hamas, Jihad Isl\u00e2mico e OLP.<\/p>\n<p>A radicaliza\u00e7\u00e3o da luta contra a ocupa\u00e7\u00e3o israelense alcan\u00e7ou maiores propor\u00e7\u00f5es quando em 29 de setembro de 2000 o primeiro ministro Ariel Sharon visitou a esplanada da mesquita de Al Aqsa, que curiosamente situa-se a poucos metros do Muro das Lamenta\u00e7\u00f5es, dando-se in\u00edcio a uma Entifada. Aquela divis\u00e3o geopol\u00edtica \u00e9 t\u00e3o complexa que a cidade de Bel\u00e9m, onde Cristo nasceu, n\u00e3o sendo considerada terra santa para judeus e mu\u00e7ulmanos, \u00e9 cultuada pelos crist\u00e3os e militarmente controlada por Israel.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos, na tentativa de evitar os efeitos dos homens-bomba, Israel iniciou a constru\u00e7\u00e3o de um muro cuja demarca\u00e7\u00e3o ultrapassa as atuais fronteiras com a Cisjord\u00e2nia e abranger\u00e1 cerca de 700Km, possuindo sensores eletr\u00f4nicos, torres de observa\u00e7\u00e3o, cercas de arame farpado e muito armamento, \u00e9 semelhante ao outrora famigerado muro de Berlim.<\/p>\n<p>Atualmente, pressionado pela ONU, Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e Estados Unidos, Israel demonstra ter adotado o chamado Mapa da Paz ao desativar os assentamentos judeus na Faixa de Gaza e Cisjord\u00e2nia, deixando as \u00e1reas livres para o retorno e fixa\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de refugiados palestinos. Para se alcan\u00e7ar a tal sonhada estabilidade ser\u00e1 imprescind\u00edvel neste momento que os diversos grupos extremistas, de ambos os lados, renunciem ao fanatismo religioso e \u00f3dio acumulado durante milhares de anos.<\/p>\n<p>Aquela regi\u00e3o considerada altamente perigosa, paradoxalmente tem a cidade de Jerusal\u00e9m como terra santa para judeus, mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os de todo o mundo.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">O Muro de Berlim<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<em><strong>Engenheiro e Capit\u00e3o-de-Mar-e-Guerra (RRM) da Marinha do Brasil<\/strong><\/em><\/p>\n<p>No t\u00e9rmino da Segunda Guerra Mundial, para que ocorresse a tomada do bunker de Hitler, os sovi\u00e9ticos j\u00e1 haviam marchado sobre a Pol\u00f4nia, Iugosl\u00e1via, Tchecoslov\u00e1quia, Rom\u00eania e Hungria, posicionando as tropas ent\u00e3o comandadas pelo marechal Zukov no limite da parte oriental de Berlim e os ex\u00e9rcitos aliados por sua vez, estacionaram-se na parte ocidental de Berlim, ficando a partir de ent\u00e3o, virtualmente, dividida e com dois sistemas pol\u00edticos implantados, totalmente antag\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos defendiam a expans\u00e3o capitalista baseada na economia de mercado, propriedade privada e sistema democr\u00e1tico, enquanto os sovi\u00e9ticos aplicavam a igualdade social, economia planificada e falta de democracia, atrav\u00e9s de um \u00fanico partido pol\u00edtico, o Partido Comunista. O mundo, a partir de ent\u00e3o, bipolarizou-se politicamente e, em 1948, com o objetivo de desenvolver economicamente a Alemanha, ent\u00e3o arrasada pelos bombardeios, os Estados Unidos colocaram em pr\u00e1tica o Plano Marshall, que oferecia ajuda econ\u00f4mica para a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Isto propiciou um inesperado surto de desenvolvimento no lado ocidental, causando um desequil\u00edbrio entre as duas Alemanhas e os alem\u00e3es do lado oriental, menos desenvolvido, passaram a transpor a fronteira, principalmente em busca de trabalho.<\/p>\n<p>Enquanto o n\u00famero de refugiados se aproximava dos 3 milh\u00f5es, o governo da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica da Alemanha (RDA) principiava, em 13 de agosto de 1961, a constru\u00e7\u00e3o do Muro de Berlim, com o objetivo de sustar o constante fluxo de alem\u00e3es orientais para a Rep\u00fablica Federal da Alemanha (RFA). O muro atingiu um comprimento de 43 km, sendo 37 km na \u00e1rea residencial, media 3,6 metros de altura, possu\u00eda 302 torres de observa\u00e7\u00e3o, cercas de arame farpado, armadilhas, explosivos e 20 bunkers, de onde os soldados comunistas patrulhavam, atiravam e matavam aqueles que tentassem ultrapass\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Durante a sua vig\u00eancia, 192 pessoas foram assassinadas, mais de 200 feridas e outras milhares foram detidas na tentativa de fuga para a liberdade ocidental, sendo presas e condenadas a pesadas penas. Aquele muro, que nasceu como se fosse uma heran\u00e7a maldita do nazismo de Hitler e afian\u00e7ado pelo ent\u00e3o l\u00edder sovi\u00e9tico Nikita Krushev, encarnava o fracasso do comunismo mundial, resultando num processo de isolamento dos alem\u00e3es orientais, separando amigos, familiares e uma na\u00e7\u00e3o inteira, seria derrubado somente em 1989, quando da derrocada do comunismo, ap\u00f3s humilhar, oprimir e privar aquele povo por 28 anos.<\/p>\n<p>Lamentavelmente, os erros do passado parece que n\u00e3o serviram de exemplo para os governantes do presente. Hoje, vemos o Estado de Israel, em nome de uma pol\u00edtica de defesa contra ataques terroristas, decidir pela constru\u00e7\u00e3o de muro semelhante que desta vez separe \u00e1rabes de judeus, considerados povos irm\u00e3os quando do surgimento do cristianismo no mundo.<br \/>\nResta-nos apenas torcer para que, mais uma vez, a paz mundial possa ser cultuada de verdade e que os 44 anos de constru\u00e7\u00e3o daquele famigerado Muro de Berlim, s\u00edmbolo de um desastre ideol\u00f3gico e do fracasso do comunismo internacional, seja apenas a lembran\u00e7a de um triste passado contado nos livros da hist\u00f3ria contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">DEVASTA\u00c7\u00c3O RIMA COM PRIS\u00c3O<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<em><strong>Engenheiro e Capit\u00e3o-de-Mar-e-Guerra (RRM) da Marinha do Brasil<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Mais uma vez a Amaz\u00f4nia \u00e9 tema de cr\u00edticas na imprensa mundial e desta vez os coment\u00e1rios partiram dos jornais Financial Times e Independent, da rede de TV BBC e revista Economist. Tamb\u00e9m n\u00e3o era pra menos! Como podemos aceitar um crescimento da \u00e1rea desmatada, somente no estado de Mato Grosso, de 20% no per\u00edodo de 2003\/2004? Os dados recentes do IBGE indicam que a devasta\u00e7\u00e3o atingiu uma \u00e1rea total de 26.130Km\u00b2, equivalente a uma extens\u00e3o territorial maior que a B\u00e9lgica. Se fizermos uma autocr\u00edtica, n\u00e3o poderemos deixar de constatar que h\u00e1 algo de errado no controle de autoriza\u00e7\u00f5es para desmatamento.<\/p>\n<p>Segundo levantamentos do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual do Mato Grosso, aquele estado, sozinho, \u00e9 respons\u00e1vel por 48% de toda a devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, havia irregularidades na emiss\u00e3o das Autoriza\u00e7\u00f5es para Transporte de Produtos Florestais (ATPF) emitidas pelos \u00f3rg\u00e3os ambientais e as \u00e1reas ind\u00edgenas eram invadidas, exploradas e desmatadas.<\/p>\n<p>Pois bem, h\u00e1 cerca de dois anos e sigilosamente, o assunto vinha sendo monitorado na esfera federal e eis que ao ser deflagrada a Opera\u00e7\u00e3o Curupira pela Pol\u00edcia Federal, felizmente tudo ficou mais claro. Descobriu-se que h\u00e1 uma quadrilha ramificada nos estados do Amazonas, Par\u00e1, Mato Grosso, Rond\u00f4nia, Santa Catarina, Paran\u00e1 e Distrito Ferderal, o que levou a pris\u00e3o de dezenas de pessoas, inclusive autoridades ambientais do Estado do Mato Grosso e do IBAMA. As licen\u00e7as ambientais eram vendidas ao pre\u00e7o de R$2.000,00 e extra\u00eddas em nome de empresas madeireiras fantasmas, que ao se tentar confrontar a localiza\u00e7\u00e3o chegavam-se em cemit\u00e9rios, postos de gasolina, casa residenciais e empresas diversas.<\/p>\n<p>Em decorr\u00eancia, \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o ambiental e reservas ind\u00edgenas foram sumariamente devastadas e toda a madeira ilegalmente extra\u00edda foi comercializada e at\u00e9 exportada, como o nosso cedro e mogno, que levar\u00e3o muitos e muitos anos para serem replantados e atingirem a idade adulta. Para se ter uma id\u00e9ia do dano ambiental causado, calcula-se que o desmatamento corresponde ao transporte de 66 mil caminh\u00f5es de madeira nobre, que caso pudessem ser alinhadas dariam para cobrir um trecho rodovi\u00e1rio equivalente \u00e0 dist\u00e2ncia entre Salvador e Curitiba. A opera\u00e7\u00e3o que mobilizou um efetivo de 430 policiais federais, ainda conseguiu apreender v\u00e1rios carros de luxo, lancha e at\u00e9 avi\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto ao lucro daqueles canalhas, calcula-se que nestes anos a quadrilha conseguiu abocanhar a quantia de R$890 milh\u00f5es. A roubalheira era t\u00e3o grande que haviam licen\u00e7as irregulares expedidas para cerca de 431 empresas fantasmas, com o objetivo de \u201cesquentar\u201d os grandes estoques de madeiras . Gra\u00e7as a a\u00e7\u00e3o das nossas autoridades policiais federais e o prof\u00edcuo trabalho sempre desenvolvido pelos Procuradores da Rep\u00fablica, o Brasil p\u00f4de dar uma dura e real resposta \u00e0quela imprensa estrangeira sempre pronta a denegrir nossa imagem. Agora \u00e9 o momento da justi\u00e7a processar os envolvidos: demiss\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico, corrup\u00e7\u00e3o ativa e passiva, estelionato e forma\u00e7\u00e3o de quadrilha.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Anivers\u00e1rio de uma guerra?<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Engenheiro e Capit\u00e3o-de-Mar-e-Guerra (RRM) da Marinha do Brasil<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Ao findar a Primeira Guerra Mundial, em 1918, pensava-se na impossibilidade de surgir um outro conflito. Mas a hist\u00f3ria viria mostrar outra guerra em 1939 e mais uma vez liderada pela Alemanha, agora sob o comando de Adolf Hitler, quando suas tropas em 1\u00ba de setembro invadiram a Pol\u00f4nia. A insanidade germ\u00e2nica permitiu a conquista da Europa e os ataques expandiram-se pelo Mediterr\u00e2neo, \u00cdndico, Atl\u00e2ntico Sul, Atl\u00e2ntico Norte, Mar do Norte e B\u00e1ltico, ocasi\u00e3o em que centenas de navios mercantes ingleses, americanos, canadenses, australianos e brasileiros eram afundados.<\/p>\n<p>A ditadura brasileira de Get\u00falio Vargas, inicialmente, tolerava o regime alem\u00e3o, mas, ap\u00f3s o torpedeamento dos navios mercantes Araraquara, An\u00edbal Ben\u00e9volo, Itagiba e Arar\u00e1, pelo submarino alem\u00e3o U-507, o Brasil declarou guerra aos pa\u00edses do eixo (Alemanha, It\u00e1lia e Jap\u00e3o) em 31 de agosto de 1942. Em 8 de maio de 1945 a Alemanha capitulava diante do avan\u00e7o das tropas aliadas, ap\u00f3s as for\u00e7as sovi\u00e9ticas do general Zukov, conseguirem invadir o bunker onde Hitler comandava aquela guerra que ceifou a vida de mais de 40 milh\u00f5es de pessoas. Mas o ditador n\u00e3o p\u00f4de ser preso, pois, n\u00e3o querendo ficar exposto ap\u00f3s sua morte, a exemplo de Benito Mussolini, deixara instru\u00e7\u00f5es para que seu corpo e de sua mulher fossem queimados, ap\u00f3s seu suic\u00eddio, que ocorreu ao ingerir c\u00e1psulas de cianureto e disparar um tiro em seu pr\u00f3prio cr\u00e2nio, para ter a certeza da morte.<\/p>\n<p>Com a queda da Alemanha, p\u00f4de-se descobrir os famigerados campos de concentra\u00e7\u00e3o onde mais de tr\u00eas milh\u00f5es de judeus foram assassinados e recuperadas as riquezas saqueadas dos pa\u00edses dominados, como ouro (uma grande parte oriunda das dentaduras dos judeus assassinados), j\u00f3ias, quadros e demais obras de arte. O Brasil tamb\u00e9m pagou sua cota de sacrif\u00edcio, pois dos 25.334 integrantes da For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira (FEB), foram mortos 13 oficiais, 422 soldados do ex\u00e9rcito e oito oficiais da FAB. A Marinha de Guerra contabilizou 486 mortos, o afundamento do navio-transporte \u201cVital de Oliveira\u201d, da corveta \u201cCamaqu\u00e3\u201d e cruzador \u201cBahia\u201d; a Marinha Mercante 972 mortos e 32 navios torpedeados; e para nosso j\u00fabilo a Marinha e For\u00e7a A\u00e9rea conseguiram afundar 12 submarinos alem\u00e3es no litoral brasileiro.<\/p>\n<p>Lamentavelmente, a paz mundial at\u00e9 hoje n\u00e3o foi obtida, a desconfian\u00e7a e o \u00f3dio campeiam pelo mundo: os Estados Unidos e Inglaterra n\u00e3o se alinham com a China, R\u00fassia, Cuba, Cor\u00e9ia, Vietnam, L\u00edbia, L\u00edbano, S\u00edria e Ir\u00e3; Israel \u00e9 detestado pelos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos; o Jap\u00e3o n\u00e3o se acerta com a China e Cor\u00e9ia.<br \/>\nEnfim, que os 60 anos do t\u00e9rmino daquela guerra sirvam para uma mudan\u00e7a nos rumos das pol\u00edticas externas dos pa\u00edses desenvolvidos. A despeito do grande desenvolvimento cient\u00edfico e industrial, herdamos o flagelo das armas at\u00f4micas, a corrida armamentista, as diversas guerras localizadas e em conseq\u00fc\u00eancia a mis\u00e9ria, a fome, doen\u00e7as e desigualdades sociais instalaram-se em diversos continentes, principalmente na \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina. Fatalmente, o mundo seria muito melhor se os governantes das grandes pot\u00eancias debitassem grande parte dos gastos em armamentos nas verdadeiras necessidades das popula\u00e7\u00f5es famintas e desassistidas.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">AD SUMUS!<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Engenheiro e Capit\u00e3o-de-Mar-e-Guerra (RRM) da Marinha do Brasil<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Criada pela rainha de Portugal D. Maria I, em 1797, a antiga Brigada Real da Marinha portuguesa, que mais tarde deu origem ao Corpo de Fuzileiros Navais, teve no Brasil sua primeira miss\u00e3o ao garantir a seguran\u00e7a da fam\u00edlia real, que trazendo seus principais efetivos, chegou ao Rio de Janeiro em 7 de mar\u00e7o de 1808, data em que \u00e9 comemorada a sua funda\u00e7\u00e3o. Em repres\u00e1lia \u00e0 invas\u00e3o de Portugal pelas tropas de Napole\u00e3o, D. Jo\u00e3o VI determinara a invas\u00e3o da Guiana francesa, que ap\u00f3s ferozes combates rende-se em 14 de janeiro de 1809. Estava assim consumado o primeiro batismo de fogo dos Fuzileiros Navais. Anos se passaram quando na segunda guerra mundial um destacamento foi instalado na Ilha da Trindade, para a defesa contra um poss\u00edvel estabelecimento de base de submarinos inimigos, o que poria em risco a navega\u00e7\u00e3o no Atl\u00e2ntico Sul; foram criadas Companhias Regionais ao longo da costa brasileira que mais tarde se transformariam nos atuais Grupamentos de Fuzileiros Navais; e durante muitos anos guarneceram uma s\u00e9rie de destacamentos ao longo de toda a fronteira com a Argentina e Uruguai, cujo comando situava-se na cidade de Uruguaiana, no estado do Rio Grande do Sul .<\/p>\n<p>Hoje o Corpo de Fuzileiros Navais possui um efetivo superior a 14.000 homens, entre pra\u00e7as e oficiais, oriundos de diversas camadas sociais e de v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds. Pertencendo \u00e0 estrutura organizacional da Marinha do Brasil e no contexto da estrat\u00e9gia naval, \u00e9 empregado na proje\u00e7\u00e3o de poder sobre terra e para tanto s\u00e3o lan\u00e7ados dos navios, empregando embarca\u00e7\u00f5es de desembarque, ve\u00edculos anf\u00edbios e helic\u00f3pteros, ainda contando com apoio de fogo lan\u00e7ado dos navios da esquadra, avi\u00f5es e helic\u00f3pteros. Quando em terra, operam seus pr\u00f3prios meios, que incluem carros blindados, artilharia antia\u00e9rea, artilharia de campanha, comunica\u00e7\u00f5es, guerra eletr\u00f4nica e engenharia de combate. Tamb\u00e9m podem ser empregados em situa\u00e7\u00f5es de crises internas, aux\u00edlio ao policiamento ostensivo e opera\u00e7\u00f5es conjuntas na nossa fronteira amaz\u00f4nica, executando a seguran\u00e7a em algumas embaixadas do Brasil no exterior e at\u00e9 em campanhas de vacina\u00e7\u00e3o pelo interior ou apoio \u00e0s v\u00edtimas de enchentes e calamidades p\u00fablicas.<\/p>\n<p>No plano internacional, em 1965 participaram da For\u00e7a Interamericana de Paz na Rep\u00fablica Dominicana, posteriormente como observadores Militares da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em \u00e1reas de conflito como El Salvador, B\u00f3snia, Honduras, Mo\u00e7ambique, Ruanda, Peru, Equador e Angola, e est\u00e3o presentes na miss\u00e3o de assist\u00eancia ao Timor Leste. Atualmente, integram o Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais no Haiti, contribuindo para a manuten\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a naquele pa\u00eds amigo, realizando v\u00e1rias atividades humanit\u00e1rias como atendimento m\u00e9dico, distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel e fornecendo alimentos para aquela popula\u00e7\u00e3o carente e ainda apreendendo centenas de pistolas, fuzis e grande quantidade de muni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre as institui\u00e7\u00f5es mais antigas do Brasil, os Fuzileiros Navais s\u00e3o facilmente identificados pelo uniforme vermelho garan\u00e7a, usado em datas especiais e tamb\u00e9m s\u00e3o conhecidos em todo Brasil pelo garbo das suas famosas banda marcial, orquestra sinf\u00f4nica e quinteto de sopro. E neste particular, S\u00e3o Lu\u00eds teve a grata satisfa\u00e7\u00e3o de contar com a presen\u00e7a da banda de m\u00fasica do Grupamento de Fuzileiros Navais de Bel\u00e9m, nos anos de 2000 e 2001, que aqui fez v\u00e1rias apresenta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, bailes e participou das comemora\u00e7\u00f5es do anivers\u00e1rio do munic\u00edpio da Raposa.<\/p>\n<p>Com batalh\u00f5es e unidades nas cidades de Rio Grande, Lad\u00e1rio, Rio de Janeiro, Salvador, Natal, Bras\u00edlia, Bel\u00e9m, Manaus e mais recentemente em Tabatinga, na long\u00ednqua tr\u00edplice fronteira entre Brasil,Col\u00f4mbia e Peru , os Fuzileiros Navais, marinheiros de terra e soldados do mar, constituem exemplo de profissionalismo e dedica\u00e7\u00e3o ao Brasil e \u00e0 Marinha.<\/p>\n<p>Neste 7 de mar\u00e7o ao completar 197 anos de sua funda\u00e7\u00e3o, saudemos todos os bravos combatentes Fuzileiros Navais, que no sil\u00eancio da caserna e no cumprimento do dever servem ao nosso imenso Brasil e, pela presen\u00e7a nos tr\u00eas ambientes de combate &#8211; terra, mar e ar \u2013 cultuam um lema que tornou-se muito conhecido pelos seus integrantes: Ad Sumus! (Aqui Estamos!).<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Auschwitz: 60 anos<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Engenheiro, CMG e ex-capit\u00e3o dos portos do Maranh\u00e3o<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Foi com grande tristeza, dor e preocupa\u00e7\u00e3o que o mundo reverenciou a mem\u00f3ria dos mortos nos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas, que foram assassinados covardemente e sem a menor chance de defesa. Eram na sua grande maioria judeus, prisioneiros russos, poloneses, ciganos e homossexuais, que inicialmente eram recrutados como m\u00e3o-de-obra escrava, mas a partir de 1942 passaram a ser sumariamente envenenados em c\u00e2maras de g\u00e1s ou simplesmente fuzilados.<\/p>\n<p>Constru\u00eddo em 1940 e localizado no sul da Pol\u00f4nia ocupada pelas tropas alem\u00e3es, o principal campo de concentra\u00e7\u00e3o, Auschwitz, transformou-se no maior genoc\u00eddio da hist\u00f3ria contempor\u00e2nea. Com dezenas de edif\u00edcios para abrigar os milhares de prisioneiros, possu\u00eda ainda quatro sal\u00f5es de banho, onde dos chuveiros sa\u00edam gases letais, celeiros para os cad\u00e1veres e fornos cremat\u00f3rios, reservados \u00e0 incinera\u00e7\u00e3o dos corpos. O comandante de Auschwitz era o capit\u00e3o Rudolf Franz H\u00f6ss e o chefe das experi\u00eancias com seres humanos, o m\u00e9dico Josef Mengele, que mais tarde se refugiaria no nosso Brasil, onde morreu. A pr\u00e1tica assassina dos nazistas era t\u00e3o intensa que n\u00e3o se contentaram somente com um \u00fanico campo de concentra\u00e7\u00e3o, pois outros foram sucessivamente constru\u00eddos e sempre com a mesma finalidade: assassinar em massa prisioneiros e povos que n\u00e3o se alinhavam com as ideologias nazistas. Assim, os n\u00fameros, a seguir de mortos em todos os campos de concentra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deixam d\u00favidas de que os alem\u00e3es violaram todos tratados internacionais, eram simplesmente assassinos, covardes e desumanos: Auschwitz 1.000.000; Treblinka 800 mil; Belzec 400 mil; Majdaek 350 mil; Chelmno 340 mil; Sobibor 260 mil; Maly Trostenets 250 mil.<\/p>\n<p>Para se ter id\u00e9ia da dimens\u00e3o da barb\u00e1rie cometida, quando as for\u00e7as sovi\u00e9ticas libertaram Auschwitz em 27 de janeiro de 1945, foram encontrados gigantescos estoques com cerca de 850 mil vestidos, 350 mil ternos, milhares de pares de sapatos e roupas de crian\u00e7as, 8 toneladas de cabelos humanos que serviriam para encher colch\u00f5es e travesseiros e ainda puderam ser salvas mais de 7.000 pessoas famintas, desnutridas e que mal podiam se locomover.<\/p>\n<p>Muitos l\u00edderes mundiais estiveram l\u00e1 em recente cerim\u00f4nia, montada para relembrar os fatos passados, que teve in\u00edcio com um apito de trem, simbolizando os deportados que chegavam de diversos pontos da Europa e R\u00fassia. Ao recordarmos t\u00e3o triste passagem da hist\u00f3ria, quando o mundo reverencia 60 anos da liberta\u00e7\u00e3o de Auschwitz, considerado o s\u00edmbolo da devasta\u00e7\u00e3o e barb\u00e1rie humana, devemos refletir muito e transpor tais fatos para os dias atuais, quando encontramos ainda milhares de seres humanos morrendo de fome, doen\u00e7a, assassinatos e atentados.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Derrubem as aeronaves<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity*<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Tornaram-se rotineiras as manchetes estampadas em todo o Brasil retratando os casos de filhos que matam os pais, guerras de quadrilhas rivais que matam concorrentes e invadem morros e favelas, envolvimento de policiais com traficantes, conflitos e assassinatos nas penitenci\u00e1rias, envolvimento de crian\u00e7as na comercializa\u00e7\u00e3o de drogas il\u00edcitas e a conseq\u00fcente degrada\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios morais de milhares de fam\u00edlias brasileiras, e tudo tem sua origem, principalmente, na coca\u00edna e no contrabando de armas.<\/p>\n<p>Com o advento da Col\u00f4mbia como principal p\u00f3lo produtor e exportador de coca\u00edna, seguido de perto pelo Peru e tendo o Paraguai como centro exportador de armas, o Brasil tornou-se um grande mercado consumidor e importador de armas e entorpecentes. Somando-se o fato do crescente desequil\u00edbrio social naqueles pa\u00edses, ficamos vulner\u00e1veis \u00e0s quadrilhas internacionais que usam aeronaves para rapidamente penetrar no espa\u00e7o a\u00e9reo brasileiro e desovar coca\u00edna e armas que passaram a contaminar um grande contingente da nossa popula\u00e7\u00e3o. Assim, centenas de pistas de pouso clandestinas s\u00e3o freq\u00fcentemente utilizadas na nossa fronteira, quer na Amaz\u00f4nia, no Pantanal ou nos estados do sul.<\/p>\n<p>Eis que, em boa hora, o governo brasileiro sancionou a t\u00e3o chamada Lei do Abate, atrav\u00e9s do Decreto n\u00ba 5.144 de 16 de julho de 2004, que entra em vigor no dia 17 de outubro.<\/p>\n<p>Somente de janeiro a julho deste ano a For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB) registrou mais de 2.000 v\u00f4os irregulares, o que \u00e9 um absurdo. Com a instala\u00e7\u00e3o do sofisticado Sistema de Vigil\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia (Sivam), com radares instalados em diversos pontos da extensa fronteira amaz\u00f4nica, ficou mais f\u00e1cil a localiza\u00e7\u00e3o dos avi\u00f5es clandestinos que transportam coca\u00edna e armas para as quadrilhas que atuam no Rio e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Entretanto, v\u00e1rios procedimentos ser\u00e3o adotados at\u00e9 a consuma\u00e7\u00e3o do abate do avi\u00e3o clandestino e as aeronaves de intercepta\u00e7\u00e3o da FAB, acionadas pelo Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra), tomar\u00e3o as seguintes medidas: reconhecimento \u00e0 dist\u00e2ncia; confirma\u00e7\u00e3o da matr\u00edcula da aeronave suspeita; interroga\u00e7\u00e3o nas freq\u00fc\u00eancias internacionais de emerg\u00eancia; realiza\u00e7\u00e3o de sinais visuais; determina\u00e7\u00e3o na mudan\u00e7a de rota; pouso obrigat\u00f3rio; tiros de advert\u00eancia com muni\u00e7\u00e3o tra\u00e7ante; e finalmente o tiro de destrui\u00e7\u00e3o. S\u00e3o oito procedimentos seguidos at\u00e9 a aeronave hostil ser abatida, mesmo assim, ser\u00e1 necess\u00e1ria a autoriza\u00e7\u00e3o final do Comandante da Aeron\u00e1utica e ainda n\u00e3o poder\u00e1 ocorrer em \u00e1rea densamente povoada.<\/p>\n<p>Parece que finalmente \u00e9 chegada a hora de vermos medidas eficazes serem tomadas para coibir o tr\u00e1fico de armas e drogas il\u00edcitas que tanto degradam nossa sociedade. Que surja num c\u00e9u de Brigadeiro a esperan\u00e7a de dias melhores para a atual viol\u00eancia que corr\u00f3i as cidades, as fam\u00edlias e a juventude brasileira. E que os traficantes que insistirem, como at\u00e9 ent\u00e3o vinham fazendo acobertados pela inexist\u00eancia de uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e rigorosa, com suas a\u00e7\u00f5es lesivas ao Brasil, tenham seu destinos selados pela destrui\u00e7\u00e3o de suas aeronaves, suas mercadorias e suas vidas e n\u00f3s com certeza aplaudiremos a nossa gloriosa FAB.<\/p>\n<p>Engenheiro, capit\u00e3o-de-mar-e-guerra (RRM) e capit\u00e3o dos portos do Maranh\u00e3o de 1999 a 2002<br \/>\nE-mail: esburity@globo.com<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">A derrota do Jap\u00e3o<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de domingo do dia 7 de dezembro de 1941 um numeroso contingente de avi\u00f5es japoneses de ca\u00e7a e bombardeio atacou a base naval norte-americana de Pearl Harbour, no Hawa\u00ed, destruindo 19 navios de guerra, 188 avi\u00f5es, hangares, instala\u00e7\u00f5es de apoio, oficinas, pai\u00f3is de muni\u00e7\u00e3o e combust\u00edveis, diques e deixando um saldo de mais de 2.000 mortos. Tal fato precipitou a entrada dos Estados Unidos na 2\u00aa Guerra Mundial, mudando o cen\u00e1rio para as \u00e1guas do Pac\u00edfico, onde se travariam uma infinidade de combates e batalhas navais entre as tropas comandadas pelo general Douglas Mac-Arthur e os japoneses do imperador Hirohito. Durante aquele per\u00edodo v\u00e1rios pa\u00edses foram palco de conquistas japonesas: Filipinas, Hong Kong, Java, Mal\u00e1sia, Manch\u00faria, China e Indochina francesa.<\/p>\n<p>Somente com a vit\u00f3ria americana nas batalhas de Midway, Mar de Coral, Guadalcanal e Ilhas Marianas, os nip\u00f4nicos sentiriam o sabor da derrota e iniciaram um novo ciclo de agress\u00e3o caracterizado pelo emprego de armas suicidas como os avi\u00f5es Kamikaze, mini-submarinos Kaiten, com um \u00fanico tripulante, e homens-r\u00e3s, que apenas retardaram a derrota que se aproximava. Em 1945 os dois \u00faltimos focos de resist\u00eancia ca\u00edram, ap\u00f3s a conquista da ilha de Iwo Jima e a seguir Okinawa, com um saldo de 49 mil americanos e 107 mil japoneses mortos. O comando japon\u00eas n\u00e3o aceitou a rendi\u00e7\u00e3o imposta por Washington e logo a seguir nos dias 6 e 9 de agosto seriam lan\u00e7adas as bombas at\u00f4micas em Hiroshima e Nagasaki, quando mais de 150.000 vidas foram ceifadas instantaneamente, na maioria crian\u00e7as, mulheres e velhos. Mesmo assim, havia um grupo de oficiais japoneses que se opunha \u00e0 rendi\u00e7\u00e3o e na noite de 14 de agosto invadiram o pal\u00e1cio imperial, assassinando o general Mori Takechi, comandante da guarda imperial, com o intuito de impedir a divulga\u00e7\u00e3o da rendi\u00e7\u00e3o pelo imperador Hirohito Entretanto, o golpe fracassou e seus l\u00edderes, generais Hatanaka, Shizaki, Koga e Tanaka suicidaram-se, praticando harakiri em frente do pal\u00e1cio imperial.<\/p>\n<p>Em 2 de setembro de 1945, a bordo do encoura\u00e7ado \u201cMissouri\u201d, o ministro Shigemitsu, general Umezu, almirante Tomioka e outros altos funcion\u00e1rios representantes do governo nip\u00f4nico, assinaram a ata de capitula\u00e7\u00e3o, diante do comando supremo das for\u00e7as armadas de diversos pa\u00edses que compunha aquele teatro de opera\u00e7\u00f5es. Posteriormente, era criado o Tribunal Internacional Militar para o Extremo Oriente, quando 7 generais foram enforcados e outros 18 l\u00edderes receberam pris\u00e3o perp\u00e9tua e nos pa\u00edses invadidos pelos japoneses, ocorreram 174 condena\u00e7\u00f5es \u00e0 morte e muitos outros japoneses receberam a pris\u00e3o perp\u00e9tua, encerrando assim o processo de puni\u00e7\u00e3o de todos aqueles que cometeram crimes contra a humanidade.<\/p>\n<p>Ao relembrarmos a rendi\u00e7\u00e3o ocorrida h\u00e1 59 anos, quando se encerraram todos os combates da 2\u00aa Guerra Mundial, que o sacrif\u00edcio e sofrimento impostos a milh\u00f5es de seres humanos, n\u00e3o sejam em v\u00e3o e possamos aspirar, cada vez mais, por dias bem melhores de conc\u00f3rdia e paz neste mundo, ainda, t\u00e3o conturbado por atentados terroristas, conflitos e guerras.<\/p>\n<p>Engenheiro, Capit\u00e3o-de-Mar-e-Guerra(RRM)<br \/>\nE-mail: esburity@globo.com<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Dia do Soldado<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Em 25 de agosto de 1803, onde hoje se localiza o Parque Hist\u00f3rico Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro, nascia Lu\u00eds Alves de Lima e Silva, que aos 15 anos de idade matriculou-se na Academia Real Militar, iniciando assim sua longa e importante carreira no Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Participou de diversas crises institucionais, conflitos e guerras, iniciando-as em 1825 comandando as tropas na Campanha Cisplatina, em 1837 pacificando a Prov\u00edncia do Maranh\u00e3o, em 1842 apaziguando levantes nas Prov\u00edncias de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais e em mar\u00e7o de 1845 p\u00f4s fim na revolta farroupilha. Posteriormente, em setembro de 1851 combatia nas fronteiras dos pampas ga\u00fachos expulsando as tropas uruguaias do presidente Manoel Oribe e em 1\u00ba de janeiro de 1869 terminava com a guerra da Tr\u00edplice Alian\u00e7a ao tomar a cidade de Assun\u00e7\u00e3o, capital do Paraguai.<\/p>\n<p>Um fato que marcou para sempre as a\u00e7\u00f5es daquele grande chefe militar, era o seu car\u00e1ter de homem simples, mister de sua capacidade administrativa, t\u00e9cnico-militar, pacificadora e de magnanimidade e respeito \u00e0 vida humana, conquistando o reconhecimento at\u00e9 de seus advers\u00e1rios. Por tudo isso, recebeu durante sua carreira os t\u00edtulos nobili\u00e1rquicos de Bar\u00e3o, Conde, Marqu\u00eas e Duque de Caxias, constituindo-se no \u00fanico Duque brasileiro, sendo marechal-do-Ex\u00e9rcito seu \u00faltimo posto no servi\u00e7o ativo. Ap\u00f3s ser nomeado por 3 vezes ministro da Guerra do Brasil, Caxias veio a falecer no dia 7 de maio de 1880, tendo dedicado mais de 60 anos de servi\u00e7os \u00e0 P\u00e1tria e ao Ex\u00e9rcito. Daquela \u00e9poca para os dias atuais o Ex\u00e9rcito integrou-se ao longo do territ\u00f3rio nacional, estando presente em todos os estados do Brasil, principalmente na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, representada por uma \u00e1rea de 5,2 milh\u00f5es de km\u00b2, 1\/3 das florestas tropicais da Terra e a maior bacia de \u00e1gua doce do mundo. L\u00e1, est\u00e3o sendo ativadas diversas unidades militares que operavam no sul e leste do Brasil, o que vem permitindo o povoamento em \u00e1reas long\u00ednquas e in\u00f3spitas, dentro de um trabalho silencioso, profissional e altamente patri\u00f3tico. E, neste particular, aqueles guerreiros que servem nos quart\u00e9is da amaz\u00f4nia, adotaram um famoso grito de guerra: selva!<\/p>\n<p>No plano externo, o Ex\u00e9rcito brasileiro tem participado em diversas miss\u00f5es de paz nos mais variados pa\u00edses do mundo: Rep\u00fablica Dominicana, Guatemala, Angola, Mo\u00e7ambique, El Salvador, Cro\u00e1cia, Oriente M\u00e9dio, Uganda, Ruanda, Ex-Iugosl\u00e1via, Haiti, Guin\u00e9-Bissau, Costa do Marfim, Chipre e Timor Leste.<\/p>\n<p>Dentro de um efetivo aproximado de 170 mil oficiais e pra\u00e7as, conta com a participa\u00e7\u00e3o da mulher brasileira, que optando como militar de carreira poder\u00e1 cursar a Escola de Admi-nistra\u00e7\u00e3o em Salvador, Instituto Militar de Engenharia e Escola de Sa\u00fade, ambos no Rio de Janeiro. Quanto aos homens, ter\u00e3o amplas chances de ingresso atrav\u00e9s da Academia Militar das Agulhas Negras, Escola Preparat\u00f3ria de Cadetes, Instituto Militar de Engenharia, Escola de Administra\u00e7\u00e3o, Escola de Sa\u00fade e Escola de Sargentos das Armas. S\u00e3o, portanto, milhares de vagas que se abrem para uma completa profissionaliza\u00e7\u00e3o dos nossos jovens brasileiros.<\/p>\n<p>Dentro de sua permanente moderniza\u00e7\u00e3o, o Ex\u00e9rcito ainda participa do Programa Fome Zero, em todos os estados do Brasil; em miss\u00f5es conjuntas com a Marinha, Aeron\u00e1utica e Pol\u00edcia Federal na intensa fiscaliza\u00e7\u00e3o das nossas fronteiras, combatendo o tr\u00e1fico de armas, o narcotr\u00e1fico e o descaminho; quando solicitado pelas autoridades competentes auxilia no combate \u00e0 crescente criminalidade, principalmente como ocorreu nas favelas cariocas; e mais recentemente auxiliando a Pol\u00edcia Federal no programa de recolhimento das armas port\u00e1teis.<\/p>\n<p>Neste 25 de agosto, institu\u00eddo como o Dia do Soldado, torna-se oportuno reverenciarmos a mem\u00f3ria do Patrono do Ex\u00e9rcito, Lu\u00eds Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, e de todos aqueles que deram o sangue e suas vidas no cumprimento do dever, quer seja na guerra, nas miss\u00f5es de paz, nas opera\u00e7\u00f5es ou atividades internas. Enfim, saudemos os militares que na ativa fazem o Ex\u00e9rcito de hoje e aqueles que na inatividade n\u00e3o esquecem a famosa frase de Caxias: \u201cSigam-me os que forem brasileiros!\u201d<\/p>\n<p>Engenheiro e Capit\u00e3o dos Portos do Maranh\u00e3o de1999 a 2002<br \/>\nEmail: esburity@globo.com<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">O super transatl\u00e2ntico<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity *<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Muitos de n\u00f3s ouvimos falar daquele que no in\u00edcio do s\u00e9culo XX foi o maior e mais luxuoso transatl\u00e2ntico do mundo, o \u201cTitanic\u201d. Recentemente, vimos no cinema a sua triste hist\u00f3ria, que, ao realizar uma viagem da Inglaterra aos Estados Unidos, ap\u00f3s chocar-se com um gigantesco iceberg no dia 15 de abril de 1912, naufragou nas g\u00e9lidas e profundas \u00e1guas do Atl\u00e2ntico Norte, ficando para sempre a uma profundidade de 4.200 metros e ceifando a vida de 1.513 pessoas, entre passageiros e tripulantes, quando somente cerca de 300 corpos puderam ser resgatados para um posterior sepultamento. O tempo passou e, no ano de 2002, os mesmos propriet\u00e1rios da empresa de navega\u00e7\u00e3o Cunard Line, fundada em 1840 e detentora do extinto \u201cTitanic\u201d, iniciaram a constru\u00e7\u00e3o do super transatl\u00e2ntico \u201cQueen Mary 2\u201d, no estaleiro franc\u00eas Alstom Chantiers de L\u2019Atlantique em Saint-Nazaire, Fran\u00e7a. A cerim\u00f4nia de batismo que foi presidida por sua majestade, a rainha Elizabeth II da Inglaterra, contou tamb\u00e9m com a presen\u00e7a do pr\u00edncipe Phillip e, logo depois, dava-se in\u00edcio a sua primeira viagem, em 12 de janeiro de 2004, com um cruzeiro entre a Inglaterra, Europa e Fl\u00f3rida.<\/p>\n<p>Embora o \u201cTitanic\u201d nunca tenha atracado no Brasil, desta vez tivemos a oportunidade de conhecer o maior e mais moderno super transatl\u00e2ntico do mundo, o \u201cQueen Mary 2\u201d, que, ap\u00f3s permanecer um dia em Salvador, atracou no s\u00e1bado de carnaval no Rio de Janeiro, trazendo cerca de 2.500 pessoas e s\u00f3 zarpou para o Caribe na quarta-feira de cinzas. E, para que isto ocorresse sem problemas, previamente houve uma dragagem do canal de acesso ao porto e da bacia de evolu\u00e7\u00e3o, com a utiliza\u00e7\u00e3o de dragas autotransportadas, o que permitiu a manobra e atraca\u00e7\u00e3o daquele navio com seus 345 metros de comprimento.<\/p>\n<p>Ao penetrar-se naquela cidade flutuante, o luxo e a tecnologia s\u00e3o predominantes nos seus 17 conveses, que somente acima da linha d\u2019\u00e1gua equivale a um edif\u00edcio de 23 andares. As suas caracter\u00edsticas n\u00e3o deixam d\u00favidas de ser considerado o maior e melhor de todos, haja vista o seu pre\u00e7o final or\u00e7ado em 800 milh\u00f5es de d\u00f3lares: s\u00e3o 22 elevadores, 2.000 banheiros, 3.000 telefones, academias de gin\u00e1stica, sala de jogos, 5 piscinas, cinema com 500 poltronas, teatro para 1.100 pessoas, 14 bares, 10 restaurantes, boate, cassino, bibliotecas, lojas, centro de inform\u00e1tica para navegar na internet, curso de l\u00ednguas e de hist\u00f3ria da arte, e at\u00e9 um planet\u00e1rio. Tudo isso \u00e9 apoiado por 1.250 tripulantes e o navio pode transportar at\u00e9 3.100 passageiros. A velocidade m\u00e1xima de 30 n\u00f3s (55,5 Km\/h) permite que a travessia entre Nova York e Londres dure sete dias, independente das condi\u00e7\u00f5es do tempo e do estado do mar, mantendo uma excelente estabilidade durante toda a viagem; toda \u00e1gua consumida a bordo \u00e9 tratada e reutilizada para lavagens em geral; e n\u00e3o h\u00e1 descarga de lixo ou \u00f3leo em alto mar.<\/p>\n<p>O luxo e o requinte s\u00e3o t\u00e3o marcantes, que no restaurante Queen\u2019s, o mais luxuoso de todos, o traje masculino no jantar \u00e9 o smoking. Para que possamos algum dia participar tamb\u00e9m dessa maravilha tecnol\u00f3gica, os pre\u00e7os do pacote m\u00ednimo, por pessoa, para uma viagem de 7 dias entre Nova York e Southampton, na Inglaterra, variam de R$6.400,00 para uma su\u00edte padr\u00e3o com cabine interna, ate\u00b4 R$26.300,00 para uma su\u00edte Premium com varanda externa, elevador e mordomo exclusivos.<br \/>\nEnfim, vamos torcer para que essa maravilha dos mares, algum dia, atraque em S\u00e3o Lu\u00eds e possa satisfazer o deleite e a curiosidade do ludovicense e quem sabe um de n\u00f3s, ter\u00e1 o prazer de realizar um cruzeiro a bordo daquele que hoje \u00e9 considerado o maior e o mais luxuoso transatl\u00e2ntico do mundo.<\/p>\n<p>* Engenheiro, Capit\u00e3o-de-Mar-e-Guerra (RRM) e<br \/>\nCapit\u00e3o dos Portos do Estado do Maranh\u00e3o de 1999 a 2002<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">Porto do Itaqui: O estivador, alum\u00ednio e o a\u00e7o<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Paulo Urubatan<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Aluno do Curso Sequencial Gest\u00e3o em Seguran\u00e7a do Trabalho. (S\u00e3o Luis, 04\/2004)<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>O estivador &#8211; Raimundo \u00e9 nome fict\u00edcio do personagem desta hist\u00f3ria real que n\u00e3o gostaria de ser identificado, t\u00eam o perfil da nova gera\u00e7\u00e3o de trabalhadores portu\u00e1rios, jovem estivador com forma\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria e consciente de sua responsabilidade para com o futuro da categoria. Conheceu o Porto do Itaqui ainda adolescente quando vinha ajudar o pai no embarque e desembarque de navios. Observava as dificuldades existentes, tanto de equipamentos quanto da organiza\u00e7\u00e3o das equipes, fazia-se muito esfor\u00e7o f\u00edsico e os colegas pareciam \u201cinsens\u00edveis\u201d com aqueles menos dotados de massa muscular, como o franzino Raimundo.<\/p>\n<p>O aprendiz de estivador ia tomando gosto pelo trabalho, sonhava com um porto melhor para todos, sabia que o futuro estava na educa\u00e7\u00e3o e tinha o incentivo do pai. Em algumas ocasi\u00f5es sua fam\u00edlia passou por dificuldades financeiras e Raimundo lembrava dos conselhos do seu genitor em persistir no trabalho honesto, d\u00edgno e falava de sentimentos superiores, era um homem s\u00e1bio dentro das suas limita\u00e7\u00f5es, queria que o filho estudasse para ser um \u201cdoutor\u201d, achava que a vida de portu\u00e1rio n\u00e3o tinha futuro. Mas Raimundo em seus sonhos de adolescente sentia que ali poderia estar seu \u201cporto seguro\u201d.<\/p>\n<p>No inicio da d\u00e9cada de noventa, o destino prega uma pe\u00e7a no nosso personagem, \u00e9 promulgada a chamada Lei de Moderniza\u00e7\u00e3o dos Portos, projeto do Governo Federal, que entre outras coisas, normatizou a utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra portu\u00e1ria avulsa, impedindo que Raimundo pudesse continuar ajudando seu pai na estiva.<br \/>\nJustamente a moderniza\u00e7\u00e3o com que tanto sonhava o adolescente, veio impedi-lo de trabalhar. Sofreu uma grande decep\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o se deixou abalar, continuaria ligado ao porto pelo pensamento.<br \/>\nFoi obrigado a continuar seus estudos e trabalho em outras paragens. Passados alguns anos, j\u00e1 formado e casado, agora mais \u201cracional\u201d em seus sonhos, surgiu a possibilidade de retornar a trabalhar na estiva, provavelmente no lugar do seu pai, j\u00e1 aposentado.<\/p>\n<p>Superados os tr\u00e2mites burocr\u00e1ticos, Raimundo viu-se de repente na portaria do Itaqui, sentiu um \u201carrepio na espinha\u201d pois n\u00e3o sabia o que iria encontrar, como seria recebido e aceito pelos antigos companheiros que talvez nem lembrassem dele, contava apenas com o respeito que seu pai deixou na comunidade portu\u00e1ria, iria usar a \u201cmoral do velho\u201d como salva-guarda perante qualquer ato de rejei\u00e7\u00e3o, pensava. Qual n\u00e3o foi a surpresa do nosso personagem ao pisar novamente a beira do cais, o Porto do Itaqui havia mudado, a administra\u00e7\u00e3o era outra, estava at\u00e9 em processo de certifica\u00e7\u00e3o ISO, programa de gest\u00e3o da qualidade que ele conheceu numa das empresas em que trabalhou.<\/p>\n<p>A maior surpresa foi com rela\u00e7\u00e3o aos companheiros, todos uniformizados, utilizando equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, pareciam mais disciplinados, mais profissionais, falavam dos novos tempos. A for\u00e7a f\u00edsica outrora empregada foi substitu\u00edda por equipamentos, havia uma empresa especialmente constitu\u00edda para administrar a m\u00e3o de obra portu\u00e1ria avulsa, todos tinham at\u00e9 conta banc\u00e1ria. Os sindicatos continuavam com sua autonomia, fiscalizando poss\u00edveis irregularidades e na eterna luta pelos interesses da categoria. Toda esta melhoria parece que \u201chumanizou\u201d mais o estivador, tido antes como um homem \u201crude\u201d imaginou Raimundo.<\/p>\n<p>Diante da nova realidade, o jovem percebeu o tamanho da responsabilidade que se lhe apresentava, agora pertencia a uma gera\u00e7\u00e3o de trabalhadores imprescind\u00edveis ao transporte das nossas riquezas, pois ali estava um dos \u201cportais\u201d do nosso Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O alum\u00ednio &#8211; Este metal chamado de \u201couro branco\u201d pelos companheiros de Raimundo \u00e9 uma das riquezas exportadas pelo nosso porto. \u00cb assim carinhosamente designado, porque sua tonelagem embarcada representa o maior rendimentos financeiros para o trabalhador portu\u00e1rio avulso, ganham por produ\u00e7\u00e3o e quanto mais alum\u00ednio se manusear no por\u00e3o do navio, maior ser\u00e3o os vencimentos do estivador.<br \/>\nHoje todos parecem euf\u00f3ricos, o p\u00e1tio de estocagem est\u00e1 cheio de alum\u00ednio e haver\u00e1 um grande embarque num navio apelidado de \u201cponte rolante\u201d, \u00e9 uma embarca\u00e7\u00e3o moderna com dois guindastes de bordo que se movimentam sobre trilhos de popa a proa e vice-versa, permitindo uma alta produtividade no embarque do metal.<\/p>\n<p>Raimundo fica observando a agilidade do operador daquele equipamento, um jovem como ele tamb\u00e9m filho de aposentado, que ap\u00f3s o treinamento recebido, \u00e9 hoje um dos melhores guindasteiros da estiva. Sonha tamb\u00e9m um dia receber o treinamento e poder operar aquela m\u00e1quina, pensa at\u00e9 em fazer um curso de ingl\u00eas, pois o equipamento \u00e9 estrangeiro e seus comandos est\u00e3o identificados naquele idioma. Ele acha que todos os trabalhadores portu\u00e1rios deveriam falar a l\u00edngua brit\u00e2nica por \u00f3bvias necessidades de comunica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTamb\u00e9m observa que esta opera\u00e7\u00e3o de embarque requer alguns c\u00e1lculos baseados nas dimens\u00f5es do por\u00e3o versus as dimens\u00f5es do p\u00e1lete de alum\u00ednio visando acomodar a carga conforme um plano pr\u00e9-estabelecido.<\/p>\n<p>Viu que s\u00e3o poucos os que conseguem estender estes c\u00e1lculos, imagina que teriam uma melhor qualidade de trabalho se todos entendessem este m\u00e9todo que emprega nada mais do que as quatro opera\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas da matem\u00e1tica. Raimundo v\u00ea a necessidade de se capacitar mais o trabalhador nas quest\u00f5es te\u00f3ricas da estivagem t\u00e9cnica. Reconhece que j\u00e1 foi dado um grande passo na profissionaliza\u00e7\u00e3o da categoria, mas n\u00e3o se pode parar por a\u00ed, est\u00e1 na hora de iniciar um novo ciclo. Sabe que para isso, depende fundamentalmente do esfor\u00e7o de cada um, os cursos existem, basta aproveita-los.<\/p>\n<p>O a\u00e7o &#8211; Passado a euforia pelo embarque do alum\u00ednio, ele volta a falar do futuro, \u00e0s vezes parece um vision\u00e1rio, disse que ficou muito contente com a not\u00edcia do Governador de que a sider\u00fargica enfim, seria nossa. Lembrou ter ouvido do colega de seu pai, um \u201cvelho lobo do mar\u201d que trabalhou embarcando chapas de a\u00e7o no Porto de Tubar\u00e3o (Esp\u00edrito Santo), dizer maravilhas sobre a tonelagem desta carga. Os guindastes eram modernos e conduziam as chapas atrav\u00e9s de eletro\u00edm\u00e3s depositando-as nos por\u00f5es com precis\u00e3o milim\u00e9trica.<\/p>\n<p>Ao citar os guindastes modernos, Raimundo percebeu que faltam cerca de cinco anos para o Porto do Itaqui se aparelhar apara receber a sider\u00fargica, dever\u00e1 ter guindastes de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, e o mais importante, pessoas qualificadas para opera-los, imagina que os guindastes possuir\u00e3o at\u00e9 micro computadores em seus comandos. A\u00ed vieram as perguntas inevit\u00e1veis, os estivadores estar\u00e3o preparados para conviver com esta tecnologia? Sua m\u00e3o de obra ser\u00e1 capacitada a tempo?<\/p>\n<p>Outro questionamento veio a tona, com toda esta automa\u00e7\u00e3o haver\u00e1 redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de trabalhadores?<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Raimundo responde encarando uma realidade inevit\u00e1vel:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 um processo seletivo natural onde os mais preparados ficar\u00e3o.<br \/>\nConhecendo a atual administra\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria, ele tem certeza que todos ter\u00e3o uma chance.<br \/>\nVolta a vislumbrar a futura sider\u00fargica e a riqueza que ela trar\u00e1 para o nosso povo. Em tom de brincadeira diz que se o alum\u00ednio \u00e9 chamado de \u201couro branco\u201d, j\u00e1 est\u00e1 na hora de se achar uma colora\u00e7\u00e3o para o \u201couro de a\u00e7o\u201d, filosofa ao dizer que para ele, estes dois metais nada devem em nobreza ao \u201crei dos metais\u2019\u201d.<br \/>\nQuerendo finalizar esta nossa conversa, o jovem estivador desvia o olhar para o topo de uma caixa d\u00e1gua onde foi instalada uma enorme bandeira nacional e fala que a voca\u00e7\u00e3o do Itaqui \u00e9 ser t\u00e3o grande quanto o futuro do Brasil.<\/p>\n<p>Considera\u00e7\u00f5es finais &#8211; O que era para ser um texto descritivo sobre uma atividade do meu dia a dia, acabou quase se transformando numa \u201centrevista\u201d, tal foi o rumo que tomou esta \u201cconversa\u201d com o nosso personagem, espero n\u00e3o ter extrapolado o espa\u00e7o que me foi destinado nem as caracter\u00edsticas iniciais deste trabalho. Confesso que me deixei entusiasmar pelas id\u00e9ias do Raimundo, n\u00e3o poderia perder a oportunidade de contar esta hist\u00f3ria real que envolve centenas de outras pessoas numa atividade fascinante que \u00e9 a portu\u00e1ria. O que me chamou aten\u00e7\u00e3o nos sonhos do jovem estivador, \u00e9 que podem ser perfeitamente realiz\u00e1veis, n\u00e3o havia absurdos, at\u00e9 se preocupou antecipadamente com quest\u00f5es inevit\u00e1veis no futuro como a automa\u00e7\u00e3o do porto e o que isso iria influenciar na m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>Como portu\u00e1rio n\u00e3o pude deixar de sonhar com Raimundo, as not\u00edcias nos jornais sobre a amplia\u00e7\u00e3o do Itaqui e as empresas interessadas em se instalar em suas redondezas, j\u00e1 me parecem cada vez mais reais. Refletindo sobre esta conversa, lembrei-me do peda\u00e7o de um texto (n\u00e3o lembro do autor) que diz mais ou menos assim:<\/p>\n<p>\u201cUm sonho sonhado por um homem \u00e9 apenas um sonho.<br \/>\nMas quando todos sonham o mesmo sonho ele passa a ser realidade&#8230;\u201d<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">ACHARAM O BISMARK<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Capit\u00e3o-de -Mar-e-Guerra(RRM)<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Capit\u00e3o dos Portos do Maranh\u00e3o(1999\/2002)<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Durante a \u00faltima guerra mundial, algumas batalhas tornaram-se famosas ao colocar o poderio b\u00e9lico a servi\u00e7o de homens, que em nome de ideologias e ordens deixaram registrados na hist\u00f3ria atos de hero\u00edsmo e desprendimento da pr\u00f3pria vida. Embora houvesse na \u00e9poca uma limita\u00e7\u00e3o de at\u00e9 10.000 toneladas para os navios de guerra fabricados, a Alemanha n\u00e3o se intimidou com as r\u00edgidas regras do Tratado de Versalhes e em 14 de fevereiro de 1939 lan\u00e7ava ao mar o coura\u00e7ado DKM (Deutsche Kriegs Marine) \u201cBismark\u201d de 50.000 toneladas, possuidor de uma quantidade e sofistica\u00e7\u00e3o de armamento que o colocava, na \u00e9poca, como o navio de maior poder de fogo do mundo e em 18 de maio de 1941, o DKM \u201cBismark\u201d iniciava sua primeira comiss\u00e3o, sob o comando do Capit\u00e3o-de-Mar-e-Guerra Ernest Lindemann. O servi\u00e7o secreto ingl\u00eas tinha conhecimento de sua exist\u00eancia e assim, acompanhado do cruzador pesado \u201cPrinz Eugen\u201d constitu\u00edam a opera\u00e7\u00e3o Rheinubung, comandada pelo Almirante G\u00fcnther L\u00fctjens e que tinha como objetivo destruir as escoltas e comboios dos navios mercantes aliados que abasteciam, principalmente a Inglaterra.<\/p>\n<p>Em 23 de maio os cruzadores ingleses \u201cNorfolk\u201d e \u201cSuffolk\u201d detectaram no radar o esquadr\u00e3o alem\u00e3o e em seguida os cruzadores \u201cHood\u201d e \u201cPrince of Wales\u201d e mais quatro destr\u00f3ieres iniciavam a busca at\u00e9 avistar o \u201cBismark\u201d. Nas primeiras salvas de tiro o \u201cHood\u201d \u00e9 atingido em seu paiol de muni\u00e7\u00e3o, pelos canh\u00f5es de 380 mm do \u201cBismark\u201d e ap\u00f3s explodir, naufraga rapidamente, quando 1.418 tripulantes perdem a vida e somente 03 sobrevivem.<\/p>\n<p>Pouco antes do anoitecer de 26 de maio um avi\u00e3o \u201cSwordfish\u201d (avi\u00e3o torpedeiro ingl\u00eas), lan\u00e7ado do porta-avi\u00f5es \u201cArk Royal\u201d, dispara torpedos no \u201cBismark\u201d e um deles danificou os h\u00e9lices e emperrou o leme, que o deixa sem controle pleno e os mergulhadores de bordo nada puderam fazer na tentativa de repar\u00e1-lo. A seguir, na manh\u00e3 de 27 de maio de 1941 o \u201cBismark\u201d \u00e9 cercado por diversos navios ingleses e atingido por disparos dos coura\u00e7ados \u201cKing George V\u201d e \u201cRodney\u201d, quando \u00e9 afundado com mais de 2.000 homens e apenas 115 sobrevivem.<\/p>\n<p>Com menos de um m\u00eas ap\u00f3s sua primeira miss\u00e3o no mar, naufragava o maior s\u00edmbolo do poderio naval alem\u00e3o, o navio tido como indestrut\u00edvel e come\u00e7ava ali uma lenta mudan\u00e7a no predom\u00ednio das rotas mar\u00edtimas do Atl\u00e2ntico Norte, at\u00e9 a derrocada total da marinha nazista. Anos se passaram, quando em maio de 2002 uma expedi\u00e7\u00e3o submarina chefiada por James Cameron, com o objetivo de resgatar a hist\u00f3ria daquele navio, lan\u00e7ou m\u00e3o de moderna tecnologia ao operar ve\u00edculos subaqu\u00e1ticos por controle remoto, capazes de passar por pequenos orif\u00edcios, portas, escotilhas e dotados de grande autonomia ao utilizar fino cord\u00e3o de fibra \u00f3tica. A expedi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contou com a participa\u00e7\u00e3o de dois sobreviventes, Walter Weint de 80 e Karl Kuhn com 79 anos e numa profundidade de 4.810 metros foi encontrado aquele famoso e t\u00e3o poderoso navio de guerra, ocasi\u00e3o em que foi confirmada a avaria sofrida nos h\u00e9lices e leme. E assim, congelado pelo tempo naquelas g\u00e9lidas profundezas do Atl\u00e2ntico, l\u00e1 sobrevive o casco do DKM \u201cBismark\u201d, que ainda permanecer\u00e1 por muitos anos como cemit\u00e9rio daqueles 2000 marinheiros que deram a vida por uma causa totalmente perdida.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">A GUERRA N\u00c3O ACABOU<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Elson de Azevedo Burity<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Capit\u00e3o-de-mar-e-Guerra(RRM)<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\"><em><strong>Capit\u00e3o dos Portos do Maranh\u00e3o(1999\/2002)<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Se fizermos uma an\u00e1lise superficial dos conflitos e guerras que ocorreram no s\u00e9culo passado, veremos que a origem esteve ligada \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de fatores como fanatismo pol\u00edtico, ambi\u00e7\u00f5es pessoais, cobi\u00e7a territorial e explora\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas. No final todos agressores n\u00e3o conseguiram \u00eaxito nos seus objetivos de uso da for\u00e7a e da domina\u00e7\u00e3o e o saldo sempre foi muito negativo para o pa\u00eds e principalmente para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um exemplo cl\u00e1ssico foi o que ocorreu antes, durante e ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha derrotada de uma anterior Primeira Guerra Mundial, submeteu-se aos rigores do Tratado de Versalhes que impunha a volta \u00e0s fronteiras originais, pagamento de pesadas indeniza\u00e7\u00f5es aos pa\u00edses atacados, a t\u00edtulo de perdas de guerra, teve cancelada a convoca\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio e a ind\u00fastria b\u00e9lica foi limitada em seus projetos, que no caso da ind\u00fastria naval os estaleiros s\u00f3 poderiam construir navios de at\u00e9 10.000 toneladas. Mesmo assim, como ficou registrado na hist\u00f3ria, em 23 de agosto de 1939 os ministros das rela\u00e7\u00f5es exteriores da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e Alemanha, Molotov e Joachim von Ribentrop, assinam no Kremlin um pacto de n\u00e3o agress\u00e3o e secretamente estabelecem uma nova delimita\u00e7\u00e3o das fronteiras no leste europeu e nos pa\u00edses b\u00e1lticos ( Dinamarca, Su\u00e9cia, Noruega e Finl\u00e2ndia ).<\/p>\n<p>A invas\u00e3o da Pol\u00f4nia em 1\u00ba de setembro veio confirmar mais uma vez o expansionismo germ\u00e2nico, enquanto os russos atacavam pelo leste, deixando os poloneses sem qualquer chance de resist\u00eancia. Mesmo com os protestos do mundo ocidental e declara\u00e7\u00e3o de guerra da Inglaterra e Fran\u00e7a, a Alemanha n\u00e3o se intimidou e em 9 de abril de 1940 invadia a Dinamarca e Noruega e seguindo o firme prop\u00f3sito de dominar a Europa, em 10 de maio de 1940 era a vez da B\u00e9lgica, Holanda e Luxemburgo e Paris se renderia em 26 de junho de 1940.<\/p>\n<p>Com a Europa ocidental dominada, Hitler tentou uma rendi\u00e7\u00e3o da Inglaterra, o que n\u00e3o conseguiu e logo ap\u00f3s, em 22 de junho de 1941, deu-se in\u00edcio \u00e0 \u201cOpera\u00e7\u00e3o Barbaroxa\u201d, que consistia em invadir a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, sem declara\u00e7\u00e3o de guerra ou aviso pr\u00e9vio, pelo norte e centro e somente no sul ao cercar Kiev, os alem\u00e3es conseguiram capturar cerca de 665.000 soldados sovi\u00e9ticos. Ap\u00f3s meses e meses conquistando, matando militares e inocentes camponeses, arrasando planta\u00e7\u00f5es, fazendas, resid\u00eancias, vilas e cidades, a ordem recebida para tomar Stalingrado seria o in\u00edcio da derrocada alem\u00e3 no que ficou conhecido como a \u201cBatalha de Stalingrado\u201d, quando ap\u00f3s intermin\u00e1veis e sangrentos combates, em 31 de janeiro de 1943 o general Friedrich von Paulus, comandante do 6\u00ba ex\u00e9rcito, rendia-se com seus 300.000 homens.<\/p>\n<p>Estava assim decretada a primeira grande derrota dos alem\u00e3es. Ainda em janeiro daquele ano de 1943, Roosevelt e Churchill reunidos em Casablanca, decidem invadir a enfraquecida It\u00e1lia, quando em 10 de junho de 1943 d\u00e1-se in\u00edcio \u00e0 \u201cOpera\u00e7\u00e3o Husky\u201d com o desembarque de tropas americanas e inglesas na Sic\u00edlia, dando in\u00edcio \u00e0 lenta retomada da Europa, que mais tarde seria complementada com o famoso \u201cDia D\u201d, em que uma frota com mais de 6.400 navios aliados ataca o noroeste da Fran\u00e7a, nas praias da Normandia. Em 8 de maio de 1945, ou seja, h\u00e1 exatos 59 anos, o almirante Karl D\u00f6nitz , que ap\u00f3s o suic\u00eddio de Hitler exercia interinamente o posto de chanceler do Reich, anunciava a rendi\u00e7\u00e3o incondicional da Alemanha, decorridos cinco anos e meio ap\u00f3s a invas\u00e3o da Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p>A obsess\u00e3o pelo poder tornou-se t\u00e3o banalizada naquela \u00e9poca que os discursos inflamados de Hitler bem demonstravam o seu tom amea\u00e7ador: \u201c A terra \u00e9 um trof\u00e9u que passa de m\u00e3o em m\u00e3o. Quem quiser viver tem de impor-se e quem n\u00e3o pode impor-se, n\u00e3o tem valor para viver e fracassar\u00e1.\u201d<\/p>\n<p>A segunda guerra mundial deixou um saldo aterrorizador de 40 milh\u00f5es de mortos, milhares de mutilados, \u00f3rf\u00e3os, enfermos e desabrigados e poderia ter sepultada de vez todas as futuras manifesta\u00e7\u00f5es guerreiras ou de conquistas; mas lamentavelmente isto n\u00e3o ocorreu. Tivemos assim as guerras da Cor\u00e9ia, Vietn\u00e3, \u00cdndia-Paquist\u00e3o, Arg\u00e9lia, Guerra dos Seis Dias, Ir\u00e3-Iraque, Angola, Congo, Ruanda, Cossovo, B\u00f3snia, Golfo, Chech\u00eania, Afeganist\u00e3o e mais recentemente a do Iraque, que mais uma vez deixaram milhares e milhares de mortos, mutilados, doentes, famintos e desabrigados.<\/p>\n<p>\u00c9 com muita tristeza que hoje n\u00e3o s\u00e3o vislumbrados dias promissores de paz, amor e fraternidade entre as na\u00e7\u00f5es do mundo. Que este dia 8 de maio, ao se completar 59 anos de rendi\u00e7\u00e3o da Alemanha nazista, sirva de reflex\u00e3o a todos aqueles que fazem do poder uma arte de governar, para que detenham os diversos conflitos armados existentes, revejam os gastos atuais com projetos b\u00e9licos de grande envergadura e apliquem as vultosas somas em favor do bem estar social de milh\u00f5es de seres humanos que carecem de \u00e1gua, alimentos, medicamentos, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e moradia. E neste contexto gostaria de citar o conhecido dominicano, Frei Beto, que atualmente exerce fun\u00e7\u00f5es na presid\u00eancia da rep\u00fablica: \u201cOu partilhamos o p\u00e3o para obtermos a paz ou enfrentaremos a cat\u00e1strofe\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>*******************************************<\/strong><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #3366ff;\">O PORTO DO ITAQUI<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Bento Moreira Lima Neto*<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-23588\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/portodoitaqui-300x101.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"303\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/portodoitaqui-300x101.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/portodoitaqui-768x259.jpg 768w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/portodoitaqui.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo dia 01 de julho de 2003, faremos 40 (quarenta) anos de trabalhos dedicados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do Porto do Itaqui. Naquela manh\u00e3 nos apresentamos ao engenheiro Cleyton Quinder\u00e9, Diretor do DNPRC \u2013 Departamento Nacional de Portos Rios e Canais, sediado em vistoso casar\u00e3o na rua da Paz, que nos recebeu cordialmente; conversamos e, no final, pedimos para visitar o Itaqui.<\/p>\n<p>Tomamos uma velha caminhonete Rural Wills cinza e acompanhados pelo grande amigo engenheiro J\u00falio Rebello dos Santos, que fora nomeado um m\u00eas antes para o mesmo Departamento, rumamos para conhecer as terras sagradas, onde se pretendia construir um badalado porto, poss\u00edvel reden\u00e7\u00e3o para a combalida economia do Estado do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>A viagem cansativa, dava uma volta intermin\u00e1vel pelo aeroporto do Tirirical, seguia at\u00e9 o Maracan\u00e3, circulava pelo povoado da Alegria e outros tantos lugarejos, todos destru\u00eddos mais tarde pelo imenso canteiro de obras do parque ferrovi\u00e1rio da CVRD, acabando por sair na Vila Maranh\u00e3o antes de atingir o humilde recanto do Itaqui, apraz\u00edvel e de poucos moradores. O asfalto terminava na entrada do Maracan\u00e3, o resto se constitu\u00eda em uma trilha com bitolas indefinidas furando o mato sobre areia e lama, cortando pelo menos cinco riachos caudalosos sem direito a ponte e que, se chovia forte, as \u00e1guas subiam tanto que n\u00e3o permitiam prosseguir a aventura em qualquer tipo de carro.<\/p>\n<p>No total somava quase quarenta quil\u00f4metros de caminhos sinuosos, dif\u00edceis de guiar e sem qualquer apoio log\u00edstico a exemplo de borracheiro, bar, ambulat\u00f3rio, nada. Um \u201cprego\u201d equivalia a uma caminhada de pelo menos cinco a dez quil\u00f4metros, at\u00e9 encontrar algu\u00e9m em condi\u00e7\u00f5es de ajudar e depois voltar ao carro. Certa feita, j\u00e1 anoitecendo, partimos do canteiro de obras do porto com o tempo cinzento, amea\u00e7ando muita chuva que nos pegou logo adiante ao som de trov\u00f5es, rel\u00e2mpagos que iluminavam a terr\u00edvel escurid\u00e3o e o jeito foi abandonar a viatura com o motorista dentro, sair andando e nadando para atravessar os riachos percorrendo mais de cinco quil\u00f4metros at\u00e9 encontrar a BR, onde conseguimos carona em um caminh\u00e3o que transportava derivados de petr\u00f3leo. Chegamos em casa depois de onze da noite, encharcados e mo\u00eddos mais com o dever cumprido.<\/p>\n<p>Conhecemos o Itaqui no meio a uma manh\u00e3 de Sol radiante onde nos dirigimos a um conjunto de casas de madeira que serviam de escrit\u00f3rios e alojamentos para t\u00e9cnicos e oper\u00e1rios, ao lado de p\u00e1tios espa\u00e7osos preparados para depositar estacas pranchas de a\u00e7o que se amontoavam em uma linha de pintura; oper\u00e1rios fardados se empenhavam em servi\u00e7os diversos e alguns mergulhadores, tripulando pequena lancha de madeira, tentavam a dif\u00edcil miss\u00e3o de resgatar estacas retorcidas utilizadas no primeiro gabion, base da estrutura do futuro porto, que tombara depois de parcialmente cravado, devido a for\u00e7a das correntes que mudam de dire\u00e7\u00e3o a cada hora e com maior intensidade nas mar\u00e9s de siz\u00edgia.<\/p>\n<p>Os sofridos engenheiros de fora ainda n\u00e3o conheciam com inteireza as particularidades das mar\u00e9s de nosso litoral e, por sua inoc\u00eancia pagaram caro e deram margem a muitas lendas que hoje enriquecem o folclore do lugar.<\/p>\n<p>O Itaqui nos encantou a primeira vista por ser tranq\u00fcilo e coberto de verde; muitas \u00e1rvores frut\u00edferas, mangueiras, cajueiros e bananeiras se espalhando nas eleva\u00e7\u00f5es que cercavam o reduzido espa\u00e7o de praia que seria ocupada pelo ancoradouro projetado. Onde hoje se situam as oficina-garagem e subesta\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, tinha in\u00edcio um s\u00f3lido enrocamento de pedra gran\u00edtica que se dirigia para o mar, poderoso, profundo e trai\u00e7oeiro, tomando conta de tudo.<\/p>\n<p>O porto veio a ser plantado sobre um aterro imenso que espalhamos, bem mais tarde, protegido e limitado pela muralha formada de gabi\u00f5es e os alinhamentos de pedra. A \u00fanica constru\u00e7\u00e3o imponente que marcava o inusitado lugar era o Moinho de Trigo, obra ousada assinada pelo saudoso amigo Brito Passos, um dos grandes engenheiros que teve nossa terra.<\/p>\n<p>Fomos recebidos pelos administradores da COBRASIL, empresa de fora, que quase nada conseguiu realizar da complexa estrutura do cais. Emocionados caminhamos pela pequena praia recoberta de pedras pretas, arredondadas e grandes; avistamos largas alvarengas recebendo trigo de um navio graneleiro fundeado em um quadro de b\u00f3ias distante uns trezentos metros da praia; na mar\u00e9 alta, rebocadores foram traz\u00ea-las carregadas, para atracar em um muro de arrimo em frente ao Moinho de onde sugadores port\u00e1teis retiraram os gr\u00e3os deixando-os nas bases dos elevadores dos silos.<\/p>\n<p>Observamos aquela paisagem iluminada com carinho, a ilha de Guarapir\u00e1 defronte, a insinuante Ponta da Madeira ao Norte, o majestoso fundo da ba\u00eda ao Sul, as terras de Alc\u00e2ntara a Oeste e chegamos a imaginar que um dia tudo aquilo se integraria a um espl\u00eandido ancoradouro capaz de confrontar os maiores do Norte\/Nordeste, se a princesa Ina cooperasse e permitisse. Ela permitiu.<\/p>\n<p>Dedicamos nossa vida profissional, quase toda ela, a esse objetivo, participando depois, a partir de 1974, da Diretoria T\u00e9cnica da Companhia Docas do Maranh\u00e3o ao lado de Washington de Oliveira Viegas, Presidente, e Benedito Salim Duailibe; fomos ajudados por abnegados companheiros, empregados da empresa de uma dedica\u00e7\u00e3o comovente, mais estivadores, arrumadores, conferentes, mestres, etc, todos dando o melhor de si para transformar o min\u00fasculo embri\u00e3o de porto, na d\u00e9cada de 70, na extraordin\u00e1ria porta por onde hoje transita diuturnamente, a totalidade das importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es de nosso Estado, ao lado dos Terminais da CVRD e da ALUMAR.<\/p>\n<p>Em 2001, quando a CODOMAR deixou de administrar o Itaqui, ele movimentava mais de 13 milh\u00f5es de toneladas de cargas diversas e o Complexo portu\u00e1rio da Ba\u00eda de S\u00e3o Marcos, mais de 55 milh\u00f5es de toneladas, n\u00fameros impressionantes se comparados com os portos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Naquele long\u00ednquo primeiro de julho de 1963, jamais poder\u00edamos imaginar, por mais otimistas que fossemos, vir a acontecer um milagre assim. Por esse sonho que se fez realidade, acreditamos que valeu a pena o nosso esfor\u00e7o e o de todos que participaram dessa luta vitoriosa e conclu\u00edmos que depois dela, ningu\u00e9m tem o direito de duvidar da capacidade de nossa gente e da potencialidade de nossa terra.<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><em><strong>** Bento Moreira Lima \u00e9 engenheiro da Codomar e foi o primeiro<br \/>\n&nbsp; &nbsp; Diretor de Opera\u00e7\u00f5es do Porto do Itaqui<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 com grande alegria que convidamos todos para o lan\u00e7amento oficial do livro Metodologia de Projetos Sustent\u00e1veis, de S\u00e9rgio Cutrim, Susanne Ferreira Cutrim e L\u00e9o Tadeu Robles. \ud83d\udcc5 Data: S\u00e1bado, 29 de novembro \ud83d\udd55 Hor\u00e1rio: 18h \ud83d\udccd Local: Livraria AMEI \u2013 S\u00e3o Lu\u00eds Shopping, S\u00e3o Lu\u00eds \u2013 MA. 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