{"id":10178,"date":"2023-10-25T17:53:41","date_gmt":"2023-10-25T17:53:41","guid":{"rendered":"https:\/\/portosma.com.br\/?page_id=10178"},"modified":"2023-11-28T21:43:45","modified_gmt":"2023-11-28T21:43:45","slug":"entrevistas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/portosma.com.br\/index.php\/entrevistas\/","title":{"rendered":"Entrevistas&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-10380 size-full\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS.jpg 900w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS-300x77.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS-768x196.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>FERNANDO MACHADO CASTRO<br \/>\n<\/strong><\/span><em><b>Gerente da Ag\u00eancia de Navega\u00e7\u00e3o Arens Langen<\/b><\/em><br \/>\n<em>Entrevista concedida ao jornalista <strong>Carlos Andrade e p<\/strong><\/em><em>ublicada no Jornal da Soamar, edi\u00e7\u00e3o agosto de 1992<\/em><\/p>\n<h1>O atendimento de um \u00fanico navio custa, em m\u00e9dia, 50 mil d\u00f3lares<\/h1>\n<h5><em><span style=\"color: #333399;\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-11111 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/FERNANDO-1-222x300.jpg\" alt=\"\" width=\"222\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/FERNANDO-1-222x300.jpg 222w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/FERNANDO-1.jpg 532w\" sizes=\"(max-width: 222px) 100vw, 222px\" \/>Filho de Espanh\u00f3is, Fernando Jos\u00e9 Machado Castro tr\u00e1s no sangue o estigme dos grande navegadores e her\u00f3is de batalhas navais com seus imponentes gale\u00f5es e suas muitas velas ao vento. Apesar disso, \u00e9 um homem pacato e, talvez por isso, queria estudar medicina. Foi pra Bel\u00e9m com esse objetivo. Por\u00e9m, n\u00e3o o realizou. Uma s\u00fabita doen\u00e7a do pai trouxe de volta a S\u00e3o Lu\u00eds, alterando assim sua voca\u00e7\u00e3o profissional em dire\u00e7\u00e3o as leis e aos Tribunais: se formou advogado. Come\u00e7ou sua vida profissional no Banco da Amaz\u00f4nia como escritur\u00e1rio e, depois do diploma, assumiu o Departamento Jur\u00eddico, e logo chegou a gerente geral, cargo onde se aposentou. Como os espanh\u00f3is, sequer olhou para o pijama e j\u00e1 partia em dire\u00e7\u00e3o a novos mundos. Assim, a convite da Arens Langen, vestiu a camisa de Agente de Navega\u00e7\u00e3o e desde ent\u00e3o n\u00e3o fala em outra coisa, sen\u00e3o em navios, min\u00e9rio-de-ferro, portos, armadores e guias de exporta\u00e7\u00e3o. Nessa entrevista &#8211; concedida ao jornalista Carlos Andrade e publicada na edi\u00e7\u00e3o de&nbsp; agosto de 1992, no Jornal da Soamar -, vamos conhecer um pouco da vida desse sagitariano de gestos simples mas de decis\u00f5es precisas e acima de tudo, competentes.<\/span><\/em><\/h5>\n<p>JORNAL DA SOAMAR &#8211; \u00c9 advogado mas deveria ser m\u00e9dico. Explique isso?<br \/>\nFERNANDO CASTRO \u2013 Quando retornei do Rio, em 1954, fui logo embarcando para Bel\u00e9m onde deveria prestar o vestibular para Medicina. No entanto, meu pai adoeceu e tiver de retornar a S\u00e3o Lu\u00eds e isso aconteceu justamente quando as inscri\u00e7\u00f5es para a Faculdade de Direito se abriram. Por isso sou advogado.<\/p>\n<p><strong>JS &#8211;<\/strong> Mas foi O Banco da Amaz\u00f4nia seu principal emprego. 0 Senhor come\u00e7ou como advogado?<br \/>\n<strong>FC &#8211;<\/strong> N\u00e3o. Em 1961, quando comecei no BASA, minha fun\u00e7\u00e3o era escritur\u00e1ria. Ali fiz carreira e ao me formar, assumi o Departamento Jur\u00eddico da agencia S\u00e3o Lu\u00eds e cheguei at\u00e9 a ger\u00eancia geral onde me aposentei.<\/p>\n<p><strong>JS &#8211;<\/strong> Mas o Sr. j\u00e1 foi at\u00e9 Secret\u00e1rio de Estado. Em que Governo foi isso?<br \/>\n<strong>FC &#8211; F<\/strong>ui convidado pelo colega de banco Jo\u00e3o Castelo e iniciei minhas atividades na vida p\u00fablica quando como Procurador Geral da Justi\u00e7a. Depois fui Secret\u00e1rio do Trabalho e encerrei aquele per\u00edodo de governo como titular da Secretaria do Interior do Estado do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>JS \u2013 <\/strong><em>Como um gerente de banco aposentado trocou o pijama por mares agitados e navios gigantescos?<br \/>\n<\/em><strong>FC \u2013<\/strong> Tudo come\u00e7ou em 1985, quando fui convidado pelo Diretor Comercial da Arens Langen, Rudy Altman, para organizar e registrar uma empresa que se instalaria aqui em S\u00e3o Lu\u00eds. Tal investimento foi atra\u00eddo pela promissora perspectiva de mercado com o Projeto Grande Caraj\u00e1s, cujo Terminal de Ponta da Madeira estava prestes a ser conclu\u00eddo.<\/p>\n<p><strong>JS &#8211;<\/strong> <em>O primeiro contato foi ent\u00e3o jur\u00eddico?<br \/>\n<\/em><strong>FC<\/strong> &#8211; Exatamente e nem poderia ser diferente. Nessa quest\u00e3o de mar eu sequer sabia &#8211; como n\u00e3o sei at\u00e9 hoje &#8211; nadar.<\/p>\n<p><strong>JS &#8211; <\/strong><em>Mas sabia o que era um porto?<\/em><br \/>\n<strong>FC <\/strong>&#8211; Apenas de olhar e achar bonito. Na verdade, a realidade interna e a complexidade dos elementos que o comp\u00f5em, somente vim aprender depois de integrado a atividade de Agente de Navega\u00e7\u00e3o pela Arens Langen.<\/p>\n<p><strong>JS &#8211; <\/strong><em>Firma legalizada, trabalho conclu\u00eddo. O advogado sai de cena mas o Fernando Castro permanece. Porque?<br \/>\n<\/em>FC \u2013 Quando da fase de legaliza\u00e7\u00e3o da empresa, o Rudy Altman, por ser casado no Rio de Janeiro com uma parente de uns amigos meus do Banco, pediu a eles um nome para administrar a empresa. No caso, a Arens Langen. A\u00ed o Jos\u00e9 M\u00e1rio apresentou meu nome e falou tamb\u00e9m da minha disponibilidade, pois est\u00e1vamos saindo do Banco da Amaz\u00f4nia por for\u00e7a da minha aposentadoria.<\/p>\n<p><strong>JS \u2013 <\/strong><em>Foi muito dif\u00edcil passar de gerente de banco para Agente de Navega\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<\/em><strong>FC \u2013 <\/strong>No in\u00edcio n\u00e3o foi nada f\u00e1cil, e sim um reaprendizado pois a experi\u00eancia banc\u00e1ria n\u00e3o tinha nada a ver com esse novo tipo de atividade.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>&#8211; <em>O Basa, como institui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, n\u00e3o possu\u00eda nenhum programa de apoio a navega\u00e7\u00e3o fluvial, por exemplo?<br \/>\n<\/em><strong>FC<\/strong> &#8211; Certamente que sim, porem quase todos voltados para aquela regi\u00e3o. Nos, como ag\u00eancia S\u00e3o Lu\u00eds, pouco se tinha contato com esse tipo de atividade, e quando isso acontecia, era mais destinado para projetos voltados para a atividade pesqueira.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>&#8211; <em>Mas na sua carteira de clientes havia membros do setor de navega\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<\/em><strong>FC<\/strong> &#8211; Poucos, entre eles o meu amigo M\u00e1rio Flexa, um dos pioneiros nesse tipo de atividade e cliente em potencial do Banco. Gra\u00e7as a ele, em conversas informais, consegui formatizar um quadro superficial do que seria um Agente de Navega\u00e7\u00e3o, por\u00e9m muito distante da realidade.<\/p>\n<p><strong>.JS<\/strong> &#8211; <em>J\u00e1 d\u00e1 ent\u00e3o para dizer ent\u00e3o o que \u00e9 um agente de navega\u00e7\u00e3o&#8230;<br \/>\n<\/em><strong>FC<\/strong> \u2013 Na verdade n\u00e3o \u00e9 apenas despachar navios o pagar fornecedores. A miss\u00e3o de um Agente de Navega\u00e7\u00e3o desde o porto de origem at\u00e9 o momento em que ele deixar\u00e1 o porto onde se processar\u00e1 a opera\u00e7\u00e3o de embarque e\/ou desembarque. Nesse meio termo s\u00e3o dezenas de atividades outras envolvendo fisco, m\u00e1quinas, homens e, principalmente, telecomunica\u00e7\u00f5es. A viagem de um navio exige um completo monitoramento atrav\u00e9s de telex, r\u00e1dio, fax e tudo mais que possa instrumentalizar a opera\u00e7\u00e3o em todos os sentidos e em sua complexidade.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>&#8211; <em>O Senhor hoje j\u00e1 se considera um Agente de Navega\u00e7\u00e3o ou ainda \u00e9 um gerente de banco aposentado?<br \/>\n<\/em><strong>FC <\/strong>&#8211; Desde o primeiro dia quando vesti a camisa da Arens Langen j\u00e1 estava Agente. Ainda divido um pouco essa atividade com os trabalhos de advocacia. Mas o meu dia-a-dia mesmo e como homem de Arens Langen.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #808080;\"><strong><em><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-11112 size-full\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/FERNANDO-2.jpg\" alt=\"\" width=\"235\" height=\"542\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/FERNANDO-2.jpg 235w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/FERNANDO-2-130x300.jpg 130w\" sizes=\"(max-width: 235px) 100vw, 235px\" \/>\u201cNo terminal administrado pela Codomar n\u00f3s pagamos \u2013 mesmo sem usar \u2013 estiva, consertadores de sacos, conferentes e outros tipos de servi\u00e7os nunca realizados. Imagine um sujeito costurando sacos de mangan\u00eas ou de ferro gusa\u201d<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<p><strong>JS <\/strong>&#8211; &nbsp;<em>Qual a fase mais dif\u00edcil de uma opera\u00e7\u00e3o de agenciamento?<br \/>\n<\/em><strong>FC <\/strong>&#8211; \u00c9 aquela exercida pela matriz, com rela\u00e7\u00e3o a conquista do cliente e forma\u00e7\u00e3o dos contratos. A nos, como filial, compete apenas a parte operacional desse processo. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil evidentemente, pois dela depende o sucesso do neg\u00f3cio. Mas apenas para dimensionar entre uma e outra, eu diria que aquela primeira, pelo pr\u00f3prio n\u00edvel do mercado, deve ser a mais complexa.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>\u2013 <em>Como Agente de Navega\u00e7\u00e3o o Senhor movimenta mais dinheiro que na sua \u00e9poca de gerente de banco?<br \/>\n<\/em><strong>FC<\/strong> \u2013 Fica dif\u00edcil precisar porque nossa moeda j\u00e1 perdeu muitos zeros tornando a compara\u00e7\u00e3o complicada. Mas posso dizer que a frente de uma ag\u00eancia de classe especial, n\u00f3s financi\u00e1vamos toda ind\u00fastria de base, principalmente a de \u00f3leo de baba\u00e7u, e isso exigia muitos recursos. No entanto, como Agente de Navega\u00e7\u00e3o, operando com moeda forte, a quantidade de dinheiro n\u00e3o fica atr\u00e1s. Como exemplo, posso dizer que uma viagem de um navio, em m\u00e9dia, nunca \u00e9 inferior a 50 mil d\u00f3lares, ou 450 milh\u00f5es de cruzeiros. Levando em considera\u00e7\u00e3o que nossa Ag\u00eancia atende entre 10 e 14 navios por m\u00eas, d\u00e1 para imaginar quanto dinheiro gira nesse tipo de atividade a cada trinta dias.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>\u2013 O Senhor pode nominar algumas das despesas decorrentes de um s\u00f3 atendimento?<br \/>\nFC \u2013 S\u00f3 de rebocadores paga-se algo em torno de trinta mil d\u00f3lares a cada opera\u00e7\u00e3o. E, seguida vem praticagem, lanchas, taxa de farol, tributos, e tantas outras despesas que s\u00e3o religiosamente recolhidas aos cofres da Uni\u00e3o, do Estado e at\u00e9 do munic\u00edpio.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>\u2013 Competividade entre as Ag\u00eancias, fale dessa disputa de mercado&#8230;<br \/>\nFC \u2013 Como disse antes, essa fase \u00e9 mais acirrada a n\u00edvel de matriz. Aqui no Maranh\u00e3o sequer d\u00e1 para sentir as farpas dessa disputa pelo marcado. Al\u00e9m disso, a Arens Langen tem 70 anos de tradi\u00e7\u00e3o no mercado de min\u00e9rios, iniciada ainda no Porto de Vit\u00f3ria. Dito isso, fica f\u00e1cil entender o parque de termos os melhores clientes do mundo, como \u00e9 o caso dos graneleiro da Bergesen. Casos do Berge Sthal, Bergeland e Berge Adria. Al\u00e9m dos noruegueses, tamb\u00e9m trabalhamos com japoneses, italianos, coreanos e alem\u00e3es.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Quais as empresas que trabalham com a Arens Lang nesses outros pa\u00edses?<br \/>\n<\/em><strong>FC<\/strong> \u2013 Tem a Rostophlander, que opera com os Berges e representa os compradores alem\u00e3es. A Sidermar que representa os navios italianos. No mercado japon\u00eas nossa empresa possui 70% dos clientes e quase 100% do mercado coreano. Todos os nossos clientes possuem uma parceria de mais de duas d\u00e9cadas, o que refor\u00e7a a operacionalidade funcional entre o Agente e o contratante.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Isso faz de Ponta da Madeira um \u00edte, vital para sua empresa, ou n\u00e3o?<br \/>\n<\/em><strong>FC<\/strong> \u2013 Em se tratando do Maranh\u00e3o e do projeto Grande Caraj\u00e1s, sim. PDM \u00e9 um porto de alt\u00edssima efici\u00eancia e isso \u00e9 m\u00e9rito da Vale do Rio Doce, pois possui caracter\u00edsticas especial\u00edssima de calado e localiza\u00e7\u00e3o e ainda oferece um produto de qualidade bem superior aos demais terminais nacionais.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Esse \u00e9 um conceito de Fernando Castro ou de Arens Langen?<\/em><br \/>\n<strong>FC<\/strong> \u2013 Dos dois. Minha posi\u00e7\u00e3o pessoal, se mostra correta na medida que a matriz, reconhecidamente com autoridade para isso por conhecer de perto os principais portos do mundo, tamb\u00e9m concorda com nosso ponto de vista.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Existe um crit\u00e9rio por parte da matriz, a ser estabelecido na administra\u00e7\u00e3o de suas filiais, como por exemplo, um patamar de produtividade a ser alcan\u00e7ado a cada per\u00edodo?<br \/>\n<\/em><strong>FC<\/strong> &#8211; N\u00e3o. A nos, como, Agencia, cabe executar as tarefas e fazer isso da melhor forma poss\u00edvel. Nossa matriz n\u00e3o admite erros e muito menos meio-termo. Se o cliente existe deve ser bem atendido. Tanto que o lema da empresa \u00e9 justamente esse. \u201cQuem presta servi\u00e7o, deve faz\u00ea-lo sempre da melhor qualidade, sob pena de perder o cliente\u201d. Nosso diretor presidente, Jo\u00e3o Langen, costuma usar uma frase que exemplifica bem o pensamento da empresa. \u201cAgenciamento n\u00e3o se toma, se perde\u201d.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Entre as filiais da Arens Langen qual a posi\u00e7\u00e3o da administrada pelo Senhor, aqui em S\u00e3o Lu\u00eds?<br \/>\n<\/em><strong>FC <\/strong>\u2013 A segunda do ranking. A primeira, como disse antes, n\u00e3o poderia deixar de ser a de Vit\u00f3ria, onde tudo come\u00e7ou. No Maranh\u00e3o, nossa filial hoje est\u00e1 totalmente informatizada dispondo de quatro terminais ligados &#8220;all time&#8221; com a matriz e abastecendo todos os setores da empresa com qualquer tipo de informa\u00e7\u00e3o, principalmente aquelas voltadas para o atendimento dos nossos clientes.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Qual a principal diferen\u00e7a entre a Agencia de Vitoria e a nossa?<\/em><br \/>\n<strong>FC <\/strong>&#8211; S\u00e3o muitas, porem a principal delas \u00e9 o volume de atividades m\u00eas. La o principal porto de exporta\u00e7\u00e3o possui tr\u00eas ber\u00e7os e tem ainda um porto de carga geral e ouro na Ponta do Ubu. Com isso, entre carga geral e min\u00e9rio, s\u00e3o atendidos cerca de 60 navios m\u00eas, s\u00f3 por Arens Langen.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Privatiza\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria. Vamos falar disso&#8230;<br \/>\n<\/em><strong>FC <\/strong>&#8211;&nbsp; Minha posi\u00e7\u00e3o \u00e9 a da modernidade. E vejo muitas conquistas interessantes no Projeto do Governo, principalmente no aspecto da moraliza\u00e7\u00e3o dos custos, considerados verdadeiros exageros por parte de quem os paga. Caso das Ag\u00eancias e dos empres\u00e1rios do setor.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 De exagero? Explique melhor essa parte&#8230;<br \/>\nFC \u2013 \u00c0s vezes nos carregamos ferro gusa ou mesmo mangan\u00eas no Porto do Itaqui. Quando isso acontece, mesmo considerando cargas praticamente iguais, fica bem claro o aumento dos custos, em compara\u00e7\u00e3o aos cobrados nos portos privados, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Mas deve existir explica\u00e7\u00e3o para isso&#8230;<br \/>\n<\/em><strong>FC <\/strong>\u2013 Existe sim. No terminal administrado pela Codomar n\u00f3s pagamos \u2013 mesmo sem usar \u2013 estiva, consertadores de sacos, conferentes e outros tipos de servi\u00e7os nunca realizados. Imagine um sujeito costurando sacos de mangan\u00eas ou de ferro gusa.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Mas o conferente confere&#8230;<br \/>\n<\/em><strong>FC <\/strong>\u2013 Confere sim, pois ele est\u00e1 sempre l\u00e1 com um papel na m\u00e3o e acredito deve saber o que est\u00e1 fazendo. S\u00f3 que n\u00e3o serve para nada, ou quase nada porque ningu\u00e9m mais utiliza esse tipo de medi\u00e7\u00e3o. Qualquer navio hoje, sabe, com o simples apertar de um bot\u00e3o, quanto tem de carga em cada um dos seus por\u00f5es. Mas a Lei diz que temos de pagar e pronto.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>A n\u00edvel de sindicaliza\u00e7\u00e3o, como est\u00e1 a classe?<br \/>\n<\/em><strong>FC<\/strong> &#8211; Apesar do Syngamar ter feito muito em prol da categoria, tem faltado apoio por parte dos filiados que sequer comparecem as reuni\u00f5es. Na verdade, apenas eu, Ernesto Pflueger e Roberto Flexa estamos sempre a frente e ainda assim podemos contabilizar grandes conquistas. Cito, por exemplo, recente acordo com a praticagem, com servi\u00e7os de lanchas e alguns outros servi\u00e7os cuja a\u00e7\u00e3o do Sindicato, os tornaram menos onerosos para n\u00f3s, e, por extens\u00e3o, para os nossos clientes.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>E quanto a economia? D\u00e1 para falar alguma coisa&#8230;<br \/>\n<\/em><strong>FC<\/strong> \u2013 Apesar de tudo ainda \u00e9 preciso acreditar, embora nossos clientes \u2013 e isso \u00e9 uma caracter\u00edstica dos estrangeiros \u2013 n\u00e3o aceitam mudan\u00e7as t\u00e3o frequentes nas regras do jogo. Infelizmente, no Brasil tem sido assim ultimamente. Mesmo assim, eu acredito se tratar apenas de uma faze dif\u00edcil e, portanto, super\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>O recente contrato de opera\u00e7\u00e3o envolvendo a Bergsen com o mercado japon\u00eas numa rota fixa S\u00e3o Lu\u00eds-Jap\u00e3o pelos pr\u00f3ximos cinco anos serve de lastro para essa sua esperan\u00e7a recheada de otimismo?<br \/>\n<\/em><strong>FC<\/strong> &#8211; Esse contrato foi assinado entre a Companhia Vale do Rio Doce e a Nippon Steel Shipping e, entre outras coisas, reflete credibilidade no produto e numa empresa brasileira, apesar dela ser uma estatal.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Qual o n\u00edvel de internacionaliza\u00e7\u00e3o dos clientes da Arens Langen?<br \/>\n<\/em><strong>FC<\/strong> &#8211; Eu diria quase 100%. Esse ano por exemplo, atendemos apenas dois navios nacionais. Um no porto Itaqui e outro no Terminal da Alumar.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>E quanto ao mercado de soja. \u00c9 uma carga que est\u00e1 chegando para ficar?<\/em><br \/>\n<strong>FC <\/strong>\u2013 N\u00f3s, enquanto Agente de Navega\u00e7\u00e3o, estamos atento a esse novo momento da exporta\u00e7\u00e3o maranhense. Na medida que o quadro se implantar e as exporta\u00e7\u00f5es forem acontecendo a Arens Langen estar\u00e1 presente. N\u00e3o tenha d\u00favidas. Se veio para ficar, s\u00f3 o tempo dir\u00e1&#8230;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-10380 size-full\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS.jpg 900w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS-300x77.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS-768x196.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>M\u00c1RIO FLEXA RIBEIRO<br \/>\n<\/strong><\/span><em><b>S\u00f3cio propriet\u00e1rio&nbsp;da Ag\u00eancia de Navega\u00e7\u00e3o Pedreiras&nbsp;<\/b><\/em><b><i>Transportes<\/i><\/b><br \/>\n<em>Entrevista concedida ao jornalista <strong>Carlos Andrade e p<\/strong><\/em><em>ublicada no Jornal da Soamar, edi\u00e7\u00e3o outubro de 1991<\/em><\/p>\n<h1>\u201cEm julho, num s\u00f3 dia, a Pedreiras carregou 9.200 toneladas de alum\u00ednio\u201d<\/h1>\n<h5>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11041 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/MARIO-2-236x300.jpg\" alt=\"\" width=\"236\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/MARIO-2-236x300.jpg 236w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/MARIO-2.jpg 380w\" sizes=\"(max-width: 236px) 100vw, 236px\" \/><em><span style=\"color: #333399;\">Ele foi diretor do Sioge \u2013 Servi\u00e7o de Imprensa e Obras Gr\u00e1ficas do Maranh\u00e3o -, Diretor de Estat\u00edstica no Governo de Eug\u00eanio Barros, Delegado do IBGE, amigo pessoal de Vitorino Freire e Deputado Estadual por 12 anos pelo PST e PDS. Apesar disso, o nome M\u00e1rio Flexa Ribeiro em nada se associa a hist\u00f3rias pol\u00edticas e muito menos a biografias partid\u00e1rias. E sim, a Pedreiras Transportes Ltda, uma das maiores, se n\u00e3o a maior, Ag\u00eancia de Navega\u00e7\u00e3o do Maranh\u00e3o, respons\u00e1vel por um fluxo de mais de 20 navios por m\u00eas nos portos de Ponta da Madeira, Alumar e Itaqui. Ele ajudou a construir portos, terminais, estradas de ferro, f\u00e1brica de cimento e ate cervejaria. <\/span><\/em><em><span style=\"color: #333399;\">Paraense, nasceu na cidade de Faro no dia 30 de julho de 1921. Aos 23 anos fundara sua primeira empresa. No Maranh\u00e3o, chegou a exatos 44 anos e aqui ajudou, com sua tenacidade empresarial, a construir cada empreendimento, cada chamin\u00e9 e cada metro da Ferrovia de Caraj\u00e1s, um, dos muitos projetos respons\u00e1veis pelo desenvolvimento do nosso Estado. Nessa entrevista, publicada na Edi\u00e7\u00e3o N\u00ba 5 do Jornal da Soamar, em outubro de 1991, ele conta ao jornalista Carlos Andrade um pouco da sua hist\u00f3ria que, em muitos momentos, se confunde com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do Maranh\u00e3o.<\/span><\/em><\/h5>\n<p><strong>JORNAL DA SOAMAR<\/strong> \u2013 <em>Quando o Senhor ganhou o seu primeiro tost\u00e3o?<\/em><br \/>\n<strong>M\u00c1RIO FLEXA<\/strong> &#8211; &#8211; Meu pai era dono de navio e com ele faturei meu primeiro dinheirinho. Por\u00e9m, com apenas 21 anos, fundei minha primeira empresa, a C. JAUPRET DE SIQUEIRA &amp; CIA. LTDA. Depois criei a E. Ribeiro e por \u00faltimo, j\u00e1 no Maranh\u00e3o, a Pedreiras Transportes Ltda.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>Como foi essa transfer\u00eancia para o Maranh\u00e3o?<br \/>\n<\/em><strong>MF<\/strong> &#8211; Apesar de nunca ter sido empregado de empresa, cedo fiz parte do funcionalismo p\u00fablico. Assim, ingressei no IBGE e por for\u00e7a disso, viajei para o Amap\u00e1, Rio Branco e por \u00faltimo S\u00e3o Lu\u00eds. Chegue aqui h\u00e1 44 anos, como Delegado Regional do IBGE e fiz, o Censo de 1950.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Por que Pedreiras, se o seu ramo \u00e9 navega\u00e7\u00e3o?<\/em><br \/>\n<strong>MF<\/strong> \u2013 Na verdade, quando a firma nasceu sequer existia o porto do Itaqui. Estava ainda em processo de constru\u00e7\u00e3o e eu tinha, naquela \u00e9poca, uma Pedreira no munic\u00edpio de Axix\u00e1. Da\u00ed o nome. Acrescentei a palavra Transportes, porque eu tinha caminh\u00f5es, lanchas e at\u00e9 um batel\u00e3o (esp\u00e9cie de draga ou barca\u00e7a para transporte de cargas pesadas). Todo esse equipamento fora utilizado no transporte \u2013 e fornecimento &#8211; de pedras da Regi\u00e3o do Munin para as obras do porto do Itaqui. E como o nome pegou, mesmo mudando de ramo, resolvi mant\u00ea-lo. Hoje, felizmente, a Pedreiras Transporte \u00e9 conhecida em quase todos os pa\u00edses do mundo.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Como o Senhor se sente tendo sido um pioneiro em termos de grandes projetos implantados no Maranh\u00e3o?<br \/>\n<\/em><strong>MF<\/strong> \u2013 Assim como o porto do Itaqui, eu participei, com o meu trabalho, em quase todos os grandes projetos aqui implantados, como Cervamar, Qu\u00edmica Norte, Eletronorte, Vale do Rio Doce (Ponta da Madeira e Ferrovia de Caraj\u00e1s) e Alumar. Todos eles tiveram seus materiais transportados e fornecidos por M\u00e1rio Flexa. No caso da Ferrovia de Caraj\u00e1s, at\u00e9 mesmo as locomotivas foram trazidas de al\u00e9m mar por agenciamento nosso. A f\u00e1brica de cimento de Cod\u00f3, teve todos os seus equipamentos transportados por n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211;&nbsp; <em>O Sr. Ent\u00e3o, em tese, construiu o Maranh\u00e3o?<br \/>\n<\/em>MF &#8211; Eu me sinto integrado a este Estado por ter ajudado a construir tudo por aqui. Hoje aparece por a\u00ed uma por\u00e7\u00e3o de holandeses se arvorando de benfeitores do Maranh\u00e3o, por\u00e9m, sequer meteram um prego em uma barra de sab\u00e3o em benef\u00edcio dele.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>Em que mais o Senhor foi pioneiro?<br \/>\n<\/em><strong>MF <\/strong>&#8211; O primeiro navio que atracou no Porto do Itaqui, assim como o primeiro carregamento foi eu quem fiz, isso h\u00e1 mais de 20 anos.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>O Senhor chegou a administrar o porto de Itaqui?<br \/>\n<\/em><strong>MF<\/strong> &#8211; Por dois anos, atendendo a um convite feito pelo comandante Washington Vi\u00e9gas, ent\u00e3o diretor do DNPV \u2013 Departamento Nacional de Portos e Naveg\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>O gigantismo desses projetos n\u00e3o causaram descren\u00e7as antes de se tornarem realidade?<br \/>\n<\/em><strong>MF<\/strong> &#8211; Certamente. Muita gente dizia que o projeto Alumar, por exemplo, seria coisa para 200 anos. Eu, no entanto, sempre acreditei. E hoje, gra\u00e7as a Deus, est\u00e1 tudo a\u00ed e, para felicidade nossa, estou integrado a todos eles.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211;&nbsp; <em>Desses todos que o Senhor citou, qual foi o mais dif\u00edcil sob o aspecto da implanta\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<\/em><strong>MF<\/strong> &#8211; O Porto de Itaqui. Agora ningu\u00e9m pense que ele fora constru\u00eddo por pura sorte nossa. O Itaqui se imp\u00f4s por suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas visto ser um dos mais profundos do mundo e oferecer excelente garantia de navegabilidade para os seus usu\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>\u00c9 essa sua afinidade de construtor que n\u00e3o o afasta do Itaqui?<\/em><br \/>\n<strong>MF<\/strong> \u2013 Eu sou o \u00fanico agente do Maranh\u00e3o que tem instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias. Nenhum outro possui, sequer, uma cadeira para sentar na \u00e1rea do Itaqui. N\u00f3s temos pr\u00e9dios, armaz\u00e9ns, oficinas, p\u00e1tios de estocagem&#8230;<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>E os outros? O que t\u00eam?<br \/>\n<\/em>MF \u2013 Com algumas exce\u00e7\u00f5es, apenas uma disposi\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria para fazer fofocas.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Mas o presidente do Syngamar, Senhor Ernest Pfluger, fala de uma unidade entre as Ag\u00eancias&#8230;<br \/>\n<\/em>MF \u2013 O Ernest \u00e9 meu amigo, mas isso de fato n\u00e3o existe. Daquele tempo, s\u00f3 tem o pr\u00f3prio Ernest, eu e o Salim Duailibe. O resto, como disse, n\u00e3o tem estrutura alguma e s\u00f3 servem, repito, para fofocar e fazer intrigas.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Mas o mercado foi crescendo, novas Ag\u00eancias chegando&#8230;<br \/>\n<\/em>MF \u2013 Sim mas nenhuma dessas novas est\u00e3o instaladas no porto. Ora, se eu trabalho com navios, como poderia me estabelecer fora do local onde eles atracam? Como vou descarregar um navio por telefone?<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Essa sua disposi\u00e7\u00e3o explica o recorde da Pedreiras Transporte no m\u00eas de julho?<br \/>\n<\/em><strong>MF <\/strong>\u2013 Certamente. Com apenas dois ternos de estiva, a nossa empresa bateu o recorde dos recordes em carregamento de alum\u00ednio, com a marca de 9.200 (nove mil e duzentas) toneladas num \u00fanico dia. Esse n\u00famero, acredite, \u00e9 fant\u00e1stico, porque em Roterd\u00e3, na Holanda, por exemplo, que \u00e9 um dos portos mais movimentados do mundo, a marca alcan\u00e7ada por eles n\u00e3o passa de 5 mil toneladas.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Essa potencialidade de exporta\u00e7\u00e3o dos portos maranhenses por si s\u00f3 n\u00e3o explica o surgimento de novas Ag\u00eancias de Navega\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<\/em><strong>MF<\/strong> \u2013 Pode ser. Por\u00e9m, justifica os insucessos desses \u201cestrangeiros\u201d em seus estado de origem e correm para o nosso Estado em busca de hospedagem. N\u00f3s, do Maranh\u00e3o, n\u00e3o vamos para l\u00e1.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-11040 alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/MARIO-1-270x300.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/MARIO-1-270x300.jpg 270w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/MARIO-1.jpg 380w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/strong><\/p>\n<h3><span style=\"color: #808080;\"><em><strong>&#8220;Eu sou o \u00fanico agente de navega\u00e7\u00e3o do Maranh\u00e3o que tem instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias. Nenhum outro possui, sequer, uma cadeira para sentar na \u00e1rea do Itaqui. N\u00f3s temos pr\u00e9dios, armaz\u00e9ns, oficinas, p\u00e1tios de estocagem&#8230;&#8221;<\/strong><\/em><\/span><\/h3>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Quem de fato trabalha das 14empresas filiadas hoje ao Syngamar \u2013 Sindicato das Ag\u00eancias de Navega\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima do Estado do Maranh\u00e3o?<br \/>\n<\/em><strong>MF<\/strong> \u2013 Pedreiras, Arens Langen, Harms, Salim Duailibe e Wilson Sons.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Existe um porto mais dif\u00edcil que outro para ser atendido?<br \/>\n<\/em><strong>MF<\/strong> \u2013 Em tese s\u00e3o todos iguais, por\u00e9m, por ser totalmente mecanizado, o de Ponta da Madeira tem sua opera\u00e7\u00e3o um pouco mais complexa em rela\u00e7\u00e3o ao Itaqui e\/ou Alumar, por exemplo. No porto da Alumar, tamb\u00e9m parcialmente mecanizado, a Pedreiras mant\u00e9m um gerente durante 24 horas\/dia.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> <em>\u2013 Com quase 30 anos de porto, muitos foram os titulares da Capitania. Como o Senhor avalia a performance do CMG Amilcar Rodrigues da Silva, atual Capit\u00e3o dos Portos do Maranh\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>MF &#8211; Muito boa. Ali\u00e1s, a Capitania tem a miss\u00e3o maior de determinar normas e exigir, daqueles que operam com atividades mar\u00edtimas, o cumprimento destas. O Comandante Amilcar tem sido rigoroso como deve ser, e com isso marca de forma competente, sua passagem pela nossa Capitania.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>A classe estivadora vive a expectativa de uma privatiza\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria onde seu mercado de trabalho seria reduzido. Fale a respeito&#8230;<br \/>\n<\/em>MF &#8211; Eu me dou muito bem com a estiva. E digo mais: passando ou n\u00e3o essa Lei, eles continuar\u00e3o a trabalhar conosco. No caso do Maranh\u00e3o, posso lhe garantir, nada vai mudar.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Como o Sr. se tornou soamarino?<\/em><br \/>\n<strong>MF<\/strong> &#8211; Fui levado para a SOAMAR pelas m\u00e3os do amigo Gustavo Bentemuller, ent\u00e3o Capit\u00e3o dos Portos do Maranh\u00e3o. Isso aconteceu em fun\u00e7\u00e3o de um estreito relacionamento com a Capitania, sempre prestigiando as promo\u00e7\u00f5es por ela levadas a efeito. Ali\u00e1s sempre nos demos muito bem com as for\u00e7as armadas.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>A sua empresa \u00e9 hoje aquilo que fora imaginado h\u00e1 30 anos?<br \/>\n<\/em><strong>MF<\/strong> &#8211; Muito mais. Jamais imaginei, quando fundei a Pedreiras, chegar onde estamos hoje. E a receita para isso \u00e9 uma s\u00f3: trabalho. Cansei de passar noites inteiras no Itaqui a fim de dar cumprimento a uma faina, uma responsabilidade. O porto n\u00e3o para e isso exige da gente 24 horas permanentes de atividades.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 Quem, al\u00e9m do Senhor, manda na Pedreiras?<br \/>\nMF \u2013 S\u00e3o meus filhos. No Itaqui est\u00e3o Roberto e Rui Flexa e no Centro Administrativo da empresa, na Rua Celso Magalh\u00e3es, fica a Regina Flexa. J\u00e1 o M\u00e1rio Filho, o mais novo deles, acaba de concluir um curso de aperfei\u00e7oamento empresarial nos Estados Unidos e, da mesma forma, trabalha junto com os irm\u00e3os na empresa.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Fa\u00e7a uma rela\u00e7\u00e3o da capacidade portu\u00e1ria do Maranh\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos demais estados do pa\u00eds?<br \/>\n<\/em>MF &#8211; O nosso Estado est\u00e1 muito bem de porto, mesmo sem a t\u00e3o esperada duplica\u00e7\u00e3o do Itaqui. O porto de Santos, por exemplo, carrega 2.000 toneladas em 24 horas. N\u00f3s carregamos 9.200 no mesmo espa\u00e7o de tempo. No caso espec\u00edfico da Pedreiras, no per\u00edodo de 1988 a setembro de 1991, ou seja, em 36 meses de opera\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria, atendemos a 672 navios e movimentamos mais de 19 milh\u00f5es de toneladas de cargas. Essa marca, credencia a Pedreiras Transportes do Maranh\u00e3o como uma das maiores empresas do ramo no pa\u00eds.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-10380 size-full\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS.jpg 900w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS-300x77.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS-768x196.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>BENEDITO SALIM DUAILIBE<br \/>\n<\/strong><\/span><strong><em>Diretor Administrativo da Codomar &#8211; Companha Docas do Maranh\u00e3o<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Entrevista concedida ao jornalista <strong>Carlos Andrade e p<\/strong><\/em><em>ublicada no Jornal da Soamar, edi\u00e7\u00e3o maio de 1993<\/em><\/p>\n<h1><strong>&#8220;Triste do Estado que n\u00e3o tem um porto para escoar as suas riquezas&#8221;<\/strong><\/h1>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-10291 size-medium\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/BINE-2-206x300.jpg\" alt=\"\" width=\"206\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/BINE-2-206x300.jpg 206w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/BINE-2-704x1024.jpg 704w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/BINE-2-768x1117.jpg 768w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/BINE-2-1056x1536.jpg 1056w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/BINE-2.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 206px) 100vw, 206px\" \/><\/p>\n<h5><span style=\"color: #000080;\"><em>Benedito Salim Duailibe, 67 anos, tem sangue liban\u00eas nas veias e um amor incomum pela \u00e1rea do porto onde trabalha e pela S\u00e3o Lu\u00eds que o viu nascer. Como lenda viva da hist\u00f3ria dos nossos portos, olhou os &#8220;po\u00e7\u00f5es&#8221; do fundeadouro &#8220;S\u00e3o Lu\u00eds&#8221;, assistiu ao inc\u00eandio do &#8220;Maria celeste&#8221;, andou de Alvarengas, conheceu o Almirante &#8220;Chocolate&#8221; e viu de perto a fama do pr\u00e1tico &#8220;Baba\u00e7u&#8221;. Nesta entrevista que teve a participa\u00e7\u00e3o de Raimundo Nonato de Sousa (o Natinho) e Artur Val\u00e9rio Boueres -, \u201cSeu Bin\u00e9\u201d, como \u00e9 conhecido na CODOMAR onde exerce o cargo de Diretor- Administrativo-Financeiro, fala de muitas dessas hist\u00f3rias e relembra nomes esquecidos que fizeram o dia-a-dia dos nossos portos, como Booth-Line, Francisco Aguiar, Chames Aboud, Jose Ribamar Couto, Nelson Farias e \u00c9den Saldanha Bessa, o pioneiro dos pioneiros do Itaqui. Cat\u00f3lico, Bin\u00e9 assume &#8220;pelo sim, pelo n\u00e3o&#8221;, a exist\u00eancia do sobrenatural e confirma a contrata\u00e7\u00e3o de um &#8220;professor&#8221; para atenuar a ira da Princesa Ina, cuja torre do castelo foi supostamente avariada pelos tubul\u00f5es quando da constru\u00e7\u00e3o do porto de Itaqui. Porto esse, que fez parte das promessas de campanha do pr\u00f3prio J\u00e2nio Quadros e todos os projetos de avalia\u00e7\u00e3o o indicavam como a reden\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de toda regi\u00e3o sul do Maranh\u00e3o e mais Bras\u00edlia, Goi\u00e1s e parte dos cerrados. Humilde, Bin\u00e9 acredita na privatiza\u00e7\u00e3o, na cria\u00e7\u00e3o de novos munic\u00edpios como forma de desenvolvimento e tem uma li\u00e7\u00e3o de economia para o Brasil, fruto da sabedoria do seu velho pai: &#8220;Meu primeiro sal\u00e1rio foi 120 mil reis. Ao recebe-lo, papai me chamou de lado e ensinou: gaste apenas 80, ou quem sabe 90. Nunca tudo. E preciso guardar um pouco, sempre, pois nunca podemos prever o dia de amanh\u00e3.<\/em><\/span><\/h5>\n<p><strong>JORNAL DA SOMAR<\/strong> \u2013 <em>Vamos come\u00e7ar falando do porto de S\u00e3o Lu\u00eds&#8230;<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 Na verdade n\u00e3o se tratava de um porto, e sim de fundadores, ou po\u00e7\u00f5es, onde os navios ficavam ferro enquanto se processava as opera\u00e7\u00f5es de carga e descarga. As mercadorias eram transportadas pelas \u201cAlvarengas\u201d e os passageiros em pequenas lanchas pertencentes ao inesquec\u00edvel \u201cAlmirante Chocolate\u201d.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Qual a capacidade de atraca\u00e7\u00e3o desses po\u00e7\u00f5es?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 O porto propriamente dito compreendia toda essa \u00e1reas entre a Ponta D`Areia e a chamada \u201cmeia laranja\u201d, hoje conhecida como Rampa Campos Melo. Dependendo da mar\u00e9, ou da lua, atracavam navios de at\u00e9 23 p\u00e9s. Era um espet\u00e1culo bonito de se ver, pois ali se resumia o centro da economia maranhense. Em alguns momentos, era poss\u00edvel at\u00e9 cinco navios ao mesmo tempo.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Nesse tempo, entre os anos 40 e 50 j\u00e1 havia Praticagem?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong>&nbsp;\u2013 Claro, e um dos pr\u00e1ticos se destacava dos demais, visto ser o preferido dos comandantes dos navios. Era o Ernani Pinto, conhecido como Baba\u00e7u, em homenagem ao nosso principal produto de exporta\u00e7\u00e3o da \u00e9poca.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Quais as principais companhias de navega\u00e7\u00e3o da \u00e9poca?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 Lloyd Brasileiro e a Companhia Nacional de Navega\u00e7\u00e3o Costeira. Esta pertencia ao italiano Henrique Lajes, dono do Estaleiro que construiu os famosos navios ITA, que, inclusive, foi usado como enredo da Escola de Samba Salgueiro, no carnaval do Rio de Janeiro, quando a agremia\u00e7\u00e3o faturou o t\u00edtulo de campe\u00e3 do carnaval daquele ano de 1993.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Quais os produtos que chegavam \u2013 ou sa\u00edam \u2013 do Porto de S\u00e3o Lu\u00eds?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 O Maranh\u00e3o, antes de ser interligado ao resto do pa\u00eds pelas rodovias, recebia quase tudo do mar. Cerveja, enlatados, farinha, miudezas, pneus, derivados de petr\u00f3leo e trigo a granel. A exporta\u00e7\u00e3o ficava por conta da am\u00eandoa de baba\u00e7u, algod\u00e3o, tecidos como mescla e lona por exemplo e alguns cereais. Desses, o mais importante era o arroz. O Maranh\u00e3o j\u00e1 conseguir exportar at\u00e9 100 mil sacas desse produto por navio, dado o vigor da nossa produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Quais os melhores clientes dos nossos atacadistas?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> &#8211;&nbsp; Ainda na \u00e9poca de ouro da navega\u00e7\u00e3o fluvial maranhense, os rios Pindar\u00e9, Graja\u00fa, Mearim e Itapecuru se tornaram as grandes vedetes do com\u00e9rcio de ent\u00e3o. Cidades como Pedreiras, Pindar\u00e9, Barra do Corda e Graja\u00fa, experimentaram fluxos de desenvolvimentos nunca antes imaginados. No caso das auas \u00faltimas, os compradores vinham apenas uma vez por ano e esvaziavam os armaz\u00e9ns dos atacadistas. Era uma verdadeira festa para o com\u00e9rcio.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>A partir de quando o Maranh\u00e3o passou a exportar os produtos derivados do baba\u00e7u?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 N\u00e3o sei precisar exatamente o ano, mas lembro que o Jos\u00e9 Salom\u00e3o, da Conan, mandou construir um navio, o \u201cS\u00e3o Bento\u201d, cujas caracter\u00edsticas permitiam atracar diretamente no cais de S\u00e3o Lu\u00eds, ali nas proximidades do Pal\u00e1cio dos Le\u00f5es. O \u201cS\u00e3o Bento\u201d operava quase exclusivamente com \u00f3leo de baba\u00e7u, numa \u00e9poca de ouro para esse segmento da nossa ind\u00fastria. T\u00ednhamos f\u00e1bricas em S\u00e3o Lu\u00eds, Bacabal, Pedreiras, Coroat\u00e1, Cod\u00f3 e Caxias.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #808080;\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-10291 alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/BINE-2-206x300.jpg\" alt=\"\" width=\"206\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/BINE-2-206x300.jpg 206w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/BINE-2-704x1024.jpg 704w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/BINE-2-768x1117.jpg 768w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/BINE-2-1056x1536.jpg 1056w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/BINE-2.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 206px) 100vw, 206px\" \/><strong>Na verdade andaram acontecendo algumas coisas no inicio das funda\u00e7\u00f5es que os t\u00e9cnicos n\u00e3o conseguiam explicar. Houve desabamento de peda\u00e7os do cais, tombamento de guindastes da Serveng, mortes de escafandristas etc. Por isso, atendendo a sugest\u00e3o de algu\u00e9m da nossa equipe, foi chamado um \u201cprofessor\u201d, cuja miss\u00e3o principal era tentar explicar o at\u00e9 ent\u00e3o inexplic\u00e1vel&#8230;<\/strong><\/em><\/span><\/h3>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Como os atacadistas abasteciam os demais munic\u00edpios do Maranh\u00e3o?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 Atrav\u00e9s da rede fluvial de embarca\u00e7\u00f5es. Comprava-se em grandes quantidades e se vendi nas mesmas propor\u00e7\u00f5es. Os maiores compradores da Regi\u00e3o do Pindar\u00e9, e do Mearim, vinham \u00e0 Praia Grande pelo menos uma vez a cada trinta dias e compravam praticamente todo o estoque do com\u00e9rcio local.<\/p>\n<p><em><strong>JS<\/strong> \u2013<\/em> <em>Quais os maiores atacadistas daquele tempo?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 Chagas &amp; Penha, Salim Duailibe, Lima Farias, Moreira Sobrinho, Cunha Santos, e outros. Entre os exportadores posso citar Francisco Aguiar, Chames Aboud, Bento Mendes, A O Gaspar e Rachid Abdalla.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Como a chegada das rodovias alterou essa normalidade?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 Com a inaugura\u00e7\u00e3o da BR-135 houve um processo de esvaziamento da Praia Grande, pois criou-se o sistema de \u201cporta a porta\u201d. Com isso os comerciantes come\u00e7aram a capitalizar menos nos estoques, visto as entregas se processarem de forma mais r\u00e1pida. A era das rodovias serviu tamb\u00e9m para a amplia\u00e7\u00e3o do fluxo de exporta\u00e7\u00f5es de outros munic\u00edpios, facilitando a chegada das safras at\u00e9 a capital, S\u00e3o Lu\u00eds. As mercadorias eram ent\u00e3o trocadas por bens de consumo antes exclusivos dos grandes centros.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>A F\u00e1brica Rio Anil exportava sua produ\u00e7\u00e3o para onde?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 Todo mundo sabe que o Maranh\u00e3o j\u00e1 foi grande exportador de tecido. T\u00ednhamos grandes f\u00e1bricas de tecelagem e fia\u00e7\u00e3o e estas absorviam toda produ\u00e7\u00e3o local de algod\u00e3o. A Rio Anil produzia o \u201cElite\u201d, considerado por muito tempo como o melhor morim do Brasil. Era um produto destinado a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda e o p\u00fablico consumidor se resumia aos estados do Norte, principalmente da Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>E quanto a torta de baba\u00e7u?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 Esse produto praticamente inaugurou nossas exporta\u00e7\u00f5es internacional. Toda nossa produ\u00e7\u00e3o era destinada ao mercado interno e chegava a pa\u00edses como Alemanha e Holanda e chagavam atrav\u00e9s dos portos de Bremem e Roterd\u00e3, numa frequ\u00eancia de uma a duas vezes por m\u00eas.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Quantas estivas operavam no setor portu\u00e1rio de S\u00e3o Lu\u00eds?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 Apenas duas. A Mar\u00edtima e a Terrestre. A primeira era constitu\u00edda de trabalhadores aut\u00f4nomos, enquanto a segunda era de responsabilidade do Estado, assim como os armaz\u00e9ns de estocagem.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>O porto de S\u00e3o Lu\u00eds tinha estrutura para esse tipo de embarque?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 Aqui cabe uma explica\u00e7\u00e3o. Essas exporta\u00e7\u00f5es foram iniciadas pelo Porto de Itaqui, bem antes deste ser inaugurado. Isso foi poss\u00edvel gra\u00e7as a um acordo firmado entre o Comandante Washington Vi\u00e9gas, ent\u00e3o diretor do Departamento Nacional de Portos e Vias Naveg\u00e1veis \u2013 DNPVN, o Ministro dos Transportes, M\u00e1rio Andreazza, e os Agentes de Navega\u00e7\u00e3o. Criou-se ent\u00e3o uma esp\u00e9cie de Condom\u00ednio e dessa forma garantiu-se a legalidade das opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>Como a hist\u00f3ria do porto do Itaqui deve ser contada?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong>&nbsp;&#8211; A partir de 1970, quando o cais em frente ao armaz\u00e9m foi entregue, se trabalhava na pavimenta\u00e7\u00e3o de p\u00e1tios e e se organizava a constitui\u00e7\u00e3o da CODOMAR. Naquela \u00e9poca, o porto fazia parte de todos os projetos e era visto como a solu\u00e7\u00e3o definitiva para incrementar a economia do Maranh\u00e3o e do Norte do Brasil. Triste do Estado que n\u00e3o tem um porto para escoar suas riquezas. No meu entender, em futuro pr\u00f3ximo, o Itaqui ser\u00e1 o principal porto do Nordeste, Norte de Goi\u00e1s, do Cerrado e do Sul do Par\u00e1. Naquele tempo, nossa capacidade agr\u00edcola \u2013 assim como a industrial \u2013 era pequena demais e n\u00e3o viabilizava nenhuma garantia para a implanta\u00e7\u00e3o de um Terminal como o Itaqui. Hoje n\u00e3o. O Maranh\u00e3o se transformou nessa pot\u00eancia econ\u00f4mica gra\u00e7as ao pioneirismo dos seus portos. Primeiro o de S\u00e3o Lu\u00eds e depois o Itaqui. A partir desses, vieram o da Alumar e o da Companhia Vale do Rio Doce, inaugurando assim uma nova fase de progresso para o Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Quem, nesse item de pioneirismo, n\u00e3o pode deixa de ser citado?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> &#8211; O mais importante de todos foi um comerciante chamado Eden Saldanha Bessa. Antes mesmo das maquinas, ele j\u00e1 tinha no Itaqui uma choupana onde manuseava baba\u00e7u, extraindo o \u00f3leo, a torta e at\u00e9 o alcatr\u00e3o. Essa produ\u00e7\u00e3o, o Sr. Bessa exportava para os Estados Unidos. Outros nomes seriam do ex-governador Jos\u00e9 Sarney, do ex-ministro M\u00e1rio Andreazza e do pr\u00f3prio Presidente da Rep\u00fablica, senhor J\u00e2nio Quadros. Este, n\u00e3o s\u00f3 assumiu a bandeira do nosso porto, transformando-o em compromisso de campanha, como, depois de eleito, nomeou a Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Maranh\u00e3o como fiscal das obras.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> <em>Al\u00e9m do desafio tecnol\u00f3gico, Itaqui foi, tamb\u00e9m, um desafio sobrenatural. Explique isso.<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 Na verdade andaram acontecendo algumas coisas no inicio das funda\u00e7\u00f5es que os t\u00e9cnicos n\u00e3o conseguiam explicar. Houve desabamento de peda\u00e7os do cais, tombamento de guindastes da Serveng, mortes de escafandristas etc. Por isso, atendendo a sugest\u00e3o de algu\u00e9m da nossa equipe, foi chamado um \u201cprofessor\u201d, cuja miss\u00e3o principal era tentar explicar o at\u00e9 ent\u00e3o inexplic\u00e1vel&#8230;<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <strong>Qual foi o diagnostico?<\/strong><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> &#8211; Surpreendente. Segundo o &#8220;mestre&#8221;, toda \u00e1rea do porto estava sendo erguida sobre o reinado da Princesa Ina e isso a estava incomodando, visto ningu\u00e9m ter soli citado permiss\u00e3o para tal. Pelo sim, pelo n\u00e3o, todas as sugest\u00f5es apresentadas pelo &#8220;professor&#8221; foram prontamente atendidas e, j\u00e1 evidentemente autorizadas pela &#8220;dona do lugar&#8221;, as obras continuaram normalmente. A imagem de Iemanj\u00e1, colocada na frente do Armaz\u00e9m Sul, faz parte dessas exig\u00eancias e ainda hoje \u00e9 cultuada por estivadores e mar\u00edtimos que trabalham em nosso porto.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>A &#8220;d\u00edvida&#8221; com a Princesa Ina era para ser paga de uma s\u00f3 vez?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> &#8211; Segundo o &#8220;professor&#8221;, a ira da Princesa se devia ao fato das obras terem atingido uma das torres do seu castelo. Por isso, era preciso &#8220;pagar&#8221; certas oferendas e, o mais importante, repetir a \u201ccerim\u00f4nia\u201d a cada sete anos.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>A segunda \u201cpresta\u00e7\u00e3o\u201d vence quando?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 N\u00e3o sei exatamente, mas foi bom voc\u00ea nos lembrar&#8230;<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Al\u00e9m de Salim Duailibe, que outros Agentes de Navega\u00e7\u00e3o seriam considerados pioneiros na hist\u00f3ria do Itaqui e dos portos do Maranh\u00e3o?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> \u2013 Harms e Cia, Pedreiras Transportes do Maranh\u00e3o, Nunes dos Santos e Bento Domingues da Silva. Jos\u00e9 Ribamar Couto e Nelson Farias n\u00e3o eram Agentes, Operavam como entidades estivadoras no embarque e desembarque das mercadorias atrav\u00e9s de alvarengas, de, e para os navios.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Desde de 1974 o porto do Itaqui tem os mesmos administradores (Washington Vi\u00e9gas, Bento Moreira Lima e Benedito Salim Duailibe). Com explicar tanta longevidade?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> &#8211; O sucesso do nosso porto por si s\u00f3 j\u00e1 responde sua pergunta. Al\u00e9m disso, a liberdade do nosso Diretor-Presidente, Washington Viegas, em escolher seus principais assessores, sem interfer\u00eancias externas, permitiu, gra\u00e7as a sua sensibilidade, cercar-se de gente da sua inteira confian\u00e7a e de reconhecida compet\u00eancia. A CODOMAR sempre foi uma empresa enxuta. Tem servido de exemplo para outros Estados e desde a sua implanta\u00e7\u00e3o, tem conseguido administrar o porto do Itaqui de forma eficiente e bem distante das mazelas e entraves das suas similares no resto do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>O que mais poder\u00edamos acrescentar antes de encerrar essa entrevista?<\/em><br \/>\n<strong>BIN\u00c9<\/strong> &#8211; Gostaria de deixar claro que mesmo com a inaugura\u00e7\u00e3o do Itaqui, o porto de S\u00e3o Lu\u00eds jamais deveria ter sido desativado. No entanto, algumas obras como a Barragem do Bacanga (<em>o ideal, segundo os t\u00e9cnicos, seria uma ponte<\/em>), o Projeto PROMORAR (<em>onde se gastou dinheiro suficiente para se construir 10 mil casas populares<\/em>), e mais recentemente, o Aterro do Bacanga, condenaram de vez os canais de navega\u00e7\u00e3o, matando o porto, a fauna, a flora e todos os ecossistemas existentes em frente a S\u00e3o Lu\u00eds antiga onde se encontravam, fraternalmente, os rios Anil e Bacanga.<\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"color: #808080;\"><em><strong>O \u201cprofessor\u201d citado nesta entrevista era o Pai de Santo Jorge de F\u00e9 em Deus, o mais famoso babalaorix\u00e1 de S\u00e3o Lu\u00eds, que teve ajuda do tamb\u00e9m Pai de Santo Ribamar, do Coroadinho.<\/strong><\/em><\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-10380 size-full\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS.jpg 900w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS-300x77.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS-768x196.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>ERNEST OTTO PFLUEGER<\/strong><\/span><br \/>\n<strong><em>Presidente do Sindicato das Ag\u00eancias de Navega\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima do Maranh\u00e3o &#8211; SYNGAMAR<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Entrevista concedida ao jornalista <strong>Carlos Andrade e <\/strong><\/em><em>Publicada no Jornal da Soamar, edi\u00e7\u00e3o setembro de 1991<\/em><\/p>\n<h1><strong>&#8220;Quanto maior o nosso porto, maior ser\u00e1 nossa capacidade de exportar&#8221;<\/strong><\/h1>\n<h5><span style=\"color: #000080;\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10730 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ERNEST-2-222x300.jpg\" alt=\"\" width=\"222\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ERNEST-2-222x300.jpg 222w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ERNEST-2.jpg 380w\" sizes=\"(max-width: 222px) 100vw, 222px\" \/>H\u00e1 quatro anos na presid\u00eancia do Sindicato das Ag\u00eancias de Navega\u00e7\u00e3o do Estado do Maranh\u00e3o \u2013 Syngamar, &nbsp;Ernest Otto Pflueger tem mostrado uma tenacidade digna do sangue que lhe corre nas veias. Filho de pais alem\u00e3es, desde cedo esteve ligado as atividades internacionais gra\u00e7as as fun\u00e7\u00f5es consulares da fam\u00edlia. Ao chegar em S\u00e3o Lu\u00eds, em 1933, o patriarca dos Pflueger j\u00e1 trazia credencias para ser o representante do seu Governo a serem exercidas na promissora capital maranhense de ent\u00e3o. Em 1951 nasceu a Ag\u00eancia de Navega\u00e7\u00e3o Harms &amp; Cia. E, dezesseis anos depois, com a morte do pai, o \u201cSeu Ernesto\u201d como \u00e9&nbsp; chamado pelos seus pares de porto, assumiu o controle dos neg\u00f3cios priorizando as atividades mar\u00edtimas ao ponto de, em pouqu\u00edssimo tempo, a transforma-la numa das gigantes do setor. No Syngamar n\u00e3o foi diferente. Reformou conceitos, e deu unidade a uma categoria antes envolvida em uma disputa interna prejudicial a todos. Hoje n\u00e3o. As 14 empresas envolvidas \u2013 e filiadas \u2013 convivem de forma pacifica cada uma respeitando a especialidade da outra, onde, at\u00e9 mesmo as tarifas s\u00e3o iguais de modo a evitar abusos e prejudicar a concorr\u00eancia. Nessa entrevista ele fala de Estiva, Codomar, Vale do Rio Doce, Alumar, Itaqui e privatiza\u00e7\u00e3o dos portos, E, como n\u00e3o poderia deixar de ser, de ser, de agenciamentos mar\u00edtimos.<\/em><\/span><\/h5>\n<p><strong>JORNAL DA SOAMAR<\/strong> \u2013 <em>Vamos come\u00e7ar falando da S\u00e3o Lu\u00eds de 50 anos atr\u00e1s&#8230;<\/em><br \/>\nERNST PFLUEGER- S\u00e3o Lu\u00eds sempre foi um porto comercial, visto todas as suas necessidades serem atendidas por mar. \u00c9 desse tempo os famosos navios da Ita que aqui chegavam com cigarros, cebolas, carnes e at\u00e9 cervejas&#8230;<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>J\u00e1 havia agente naval?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> &#8211; Apenas tr\u00eas. Nunes dos Santos, Booth Lines e Francisco Aguiar. Os navios chegavam ao Porto de S\u00e3o Lu\u00eds, em frente a Rampa Campos Me lo, e as mercadorias eram transportadas pelas alvarengas at\u00e9 os armaz\u00e9ns do Estado. Por isso, os Agentes eram, tamb\u00e9m, empresas estivadoras.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>&#8211; <em>Esse ciclo durou at\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o do Porto do Itaqui?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong>&#8211; Sim. Com o porto do Itaqui o fluxo de navios e mercadorias aumentou consideravelmente, dando in\u00edcio, inclusive, a fase de exporta\u00e7\u00e3o. Com isso, os n\u00fameros de Ag\u00eancias cresceram na mesma propor\u00e7\u00e3o do mercado.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Qual o principal produto de exporta\u00e7\u00e3o no come\u00e7o das opera\u00e7\u00f5es no porto do Itaqui?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> \u2013 Torta de baba\u00e7u, tendo atingido em seu ponto m\u00e1ximo com carregamentos de at\u00e9 6 mil toneladas. Basta imagina o tamanho dos navios de ent\u00e3o \u2013 4 mil toneladas \u2013 para se entender como cresceram as atividades portu\u00e1rias de S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Itaqui, Ponta da Madeira e Alumar. Quantas ag\u00eancias atendem hoje esses tr\u00eas portos?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> \u2013 S\u00e3o 14 e todas filiadas ao nosso Sindicato. Aquelas tr\u00eas primeiras acabaram e foram surgindo outras. Veio a Harms em 51, depois Salim Duailibe, Pedreiras, Arens Lagen e assim por diante. A maioria delas oriundas de Vit\u00f3ria, do Rio de Janeiro e de Cepetiba. Todas vieram em fun\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o do nosso mercado provocada pela implanta\u00e7\u00e3o do Projeto Caraj\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>O senhor est\u00e1 no segundo mandato a frente do Sindicato dos Agentes Navais. Como \u00e9 feita a mudan\u00e7a de diretoria?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> &#8211; O mandato do Presidente \u00e9 de dois anos com direito a uma reelei\u00e7\u00e3o. Recebi o cargo das m\u00e3os do companheiro Maneco Nunes dos Santos que durante muitos anos foi presidente da ent\u00e3o Associa\u00e7\u00e3o dos Agentes Navais. Entidade precursora do Syngamar. Nosso mandato acaba em mar\u00e7o do pr\u00f3ximo ano (1992).<\/p>\n<p><strong>JS &#8211;<\/strong> <em>Fale das dificuldades dos primeiros momentos.<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> &#8211; A principal dificuldade de antes era no setor das comunica\u00e7\u00f5es, onde tudo era feito via Westen. Hoje, uma ag\u00eancia moderna &#8211; isso vale para a maioria dos nossos associados \u2013 tem seu r\u00e1dio VHF, FAX, TELEX e naturalmente uma central telef\u00f4nica dotada com busca autom\u00e1tica com cinco ou seis n\u00fameros.<\/p>\n<p><strong>JS &#8211;<\/strong> <em>O que \u00e9 preciso para ser um Agente Mar\u00edtimo?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> &#8211; \u00c9 uma atividade empresarial como outra qualquer onde \u00e9 preciso gostar do que se faz. Mas existe uma condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica: \u00c9 vital para o sucesso do neg\u00f3cio ter armador. \u00c9 preciso ter contato com dono de navio. Ou seja, se o sujeito abrir uma ag\u00eancia, dot\u00e1-la de toda as condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e n\u00e3o conhecer nenhum dono de navio, jamais ser\u00e1 um Agente de Navega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Por exemplo?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> &#8211; N\u00e3o foram uma nem duas ou tr\u00eas que imaginaram ser o Maranh\u00e3o o Eldorado para as atividades mar\u00edtimas e se deram mal. A condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, \u00e9, portanto, ter nome ou uma refer\u00eancia internacional.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 Considerando o empres\u00e1rio ter essa refer\u00eancia, quais as exig\u00eancias legais?<br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> &#8211; Recomenda-se, como primeiro passo, o registro no SYNGAMAR. Em seguida o Sindicato se encarrega da divulga\u00e7\u00e3o aos \u00f3rg\u00e3os competentes, como Pol\u00edcia Federal, Receita Federal, e as autoridades portu\u00e1rias nos tr\u00eas portos e, principalmente, a Capitania dos Portos do Estado do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Tais exig\u00eancias, e regras, se aplicam somente no caso de ser Ag\u00eancia&nbsp;Naval?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> \u2013 Seja o que for. Qualquer pessoa que hoje tenha a pretens\u00e3o de entrar em um dos nossos portos, precisa primeiro recorrer ao Syngamar. N\u00f3s fazemos a triagem, apresentamos essa pessoa \u00e0s autoridades portu\u00e1rias e s\u00f3 ent\u00e3o lhe \u00e9 garantido o acesso. Isso vale para fornecedores, lavanderias, oficinas ou qualquer outra atividade profissional. Essa \u00e9 uma conquista nossa, pois havia a necessidade de moralizar as in\u00fameras atividades exercidas dentro da \u00e1rea dos nossos portos.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>Qual o relacionamento do Sindicato com a Marinha?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> &#8211; Excelente, ali\u00e1s com todos os \u00f3rg\u00e3os. Aqui mesmo no Sindicato (que funcionava no mesmo endere\u00e7o da Harms, (Pra\u00e7a Gon\u00e7alves Dias, 301) temos uma sala onde costumamos nos reunir uma vez por m\u00eas de maneira informal. N\u00e3o tem discurso, n\u00e3o tem presidente, onde v\u00eam todas as autoridades, fornecedores e despachantes. Um tr\u00e1s o whisky, outro tr\u00e1s os sanduiches e, de forma descontra\u00edda, resolve-se todos os problemas. Essa \u00e9 uma pr\u00e1tica adotada por n\u00f3s com excelentes resultados.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Nesse caso, a chamada concorr\u00eancia, como fica?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> &#8211; Ao contr\u00e1rio dos sistemas de &#8220;gato e cachorro&#8221; de quatro anos atr\u00e1s, estabeleceu-se um acordo de cavalheiros onde as especialidades s\u00e3o respeitadas. Quem opera com longo curso, cabotagem, estiva ou navios poloneses tem seu espa\u00e7o mais importante. Adotou-se o sistema de tarifa e nenhuma altera\u00e7\u00e3o pode ser feita sem a concord\u00e2ncia de todos os envolvidos.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>As tarifas portu\u00e1rias s\u00e3o as mesmas em todo o pa\u00eds?<\/em><br \/>\nErnest \u2013 Cada estado tem as suas, visto os sindicatos serem diferentes. Por\u00e9m, temos tido o cuidado de estabelecer pre\u00e7os para o Maranh\u00e3o bem menores daqueles cobrados pelos portos de Bel\u00e9m ou S\u00e3o Paulo, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Empresas estatais nas administra\u00e7\u00f5es dos portos ajudam ou atrapalham?<br \/>\n<\/em><strong>Ernest<\/strong> &#8211; \u00d3rg\u00e3os de Seguran\u00e7a Nacional at\u00e9 aqui sempre foram entregues a estatais. Algumas funcionam muito bem, outras mais ou menos. Algumas tem pessoal competente, outras nem tanto. No caso espec\u00edfico do Maranh\u00e3o, a CODOMAR nos \u00e9 muito importante porque estabelece normas, exerce autoridade. Isso, no caso dos portos, \u00e9 muito importante. E n\u00f3s temos excelente administra\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria em se tratando de CODOMAR.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #808080;\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-10337 alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ERNEST-1-209x300.jpg\" alt=\"\" width=\"209\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ERNEST-1-209x300.jpg 209w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ERNEST-1.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><strong>Eu concordo com a filosofia do Comandante Vi\u00e9gas de que \u00e9 preciso quebrar o ciclo &#8220;de que n\u00e3o se exporta porque n\u00e3o tem porto e n\u00e3o se tem porto porque n\u00e3o se exporta&#8221;&nbsp;<\/strong><\/em><\/span><\/h3>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>Como os armadores estrangeiros est\u00e3o se comportando em rela\u00e7\u00e3o aos dois \u00faltimos acidentes com navios na \u00e1rea do Itaqui e Ponta da Madeira?<\/em><br \/>\nErnest No ponto de vista de seguran\u00e7a esses acidentes n\u00e3o afetaram em nada a imagem dos nossos portos. Nem poderia. S\u00e3o 600 navios por ano (dois por dia em m\u00e9dia) e estes dois casos isolados representam os \u00fanicos exemplos em quatro anos. Al\u00e9m disso, as entradas dos portos s\u00e3o altamente sinalizadas, existe as cartas, existe um servi\u00e7o di\u00e1rio de sinaliza\u00e7\u00e3o feito pelo SSN-42, um \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio da Marinha e um cuidado muito grande com as boias. Al\u00e9m disso, j\u00e1 se provou ter sido falha humana os acidentes com o Norsul Trombetas e o Orad.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Como encontrar trabalho para as estivas considerando a velocidade em que os portos est\u00e3o se modernizando?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> \u2013 Este \u00e9 um problema extremamente delicado. Principalmente por se tratar de uma quest\u00e3o social. S\u00e3o 400 membros dos Sindicatos dos Estivadores que praticamente n\u00e3o t\u00eam mais o que fazer. No caso do min\u00e9rio e dos derivados de petr\u00f3leo j\u00e1 n\u00e3o se utiliza mais a estiva. Os estivadores inclusive, j\u00e1 apresentam idades avan\u00e7adas pois n\u00e3o existe reposi\u00e7\u00e3o em virtude de n\u00e3o haver trabalho. E isso \u00e9, de fato, um problema.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>Qual seria a solu\u00e7\u00e3o? Se \u00e9 que existe uma&#8230;<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> &#8211; Como j\u00e1 disse \u00e9 uma quest\u00e3o delicada. Eu vejo como sa\u00edda, algu\u00e9m ou uma empresa estivadora, manter uns 30 homens trabalhando, o que corresponde a um, ou, no m\u00e1ximo, dois &#8220;ternos&#8221;. Agora como Sindicato est\u00e1 muito dif\u00edcil de ser mantido.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>Quem deixa mais lucro nas Ag\u00eancias, o alum\u00ednio da Alumar ou o min\u00e9rio de ferro da Vale do Rio Doce?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> &#8211; S\u00e3o opera\u00e7\u00f5es diferentes. O navio de alum\u00ednio leva 8 dias no porto e transporta 10 mil toneladas. O de min\u00e9rio, passa 30 horas atracado e transporta 200 mil toneladas. Por isso existem tabelas diferenciadas para cada tipo de produto.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 A CODOMAR vive a expectativa de duplicar a capacidade do porto do Itaqui. Existe demanda para uma amplia\u00e7\u00e3o desse porte?<br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> \u2013 Eu concordo com a filosofia do Comandante Vi\u00e9gas. \u00c9 preciso quebrar o ciclo de \u201cde que n\u00e3o se exporta porque n\u00e3o tem porto e n\u00e3o se tem porto porque n\u00e3o se exporta\u201d. A Harms como representante da FRONAPE, lutou muito para a constru\u00e7\u00e3o de um p\u00eder petroleiro visando a retirada dos navios de petr\u00f3leo da \u00e1rea do porto propriamente dita. Todos os dias, n\u00f3s temos dois navios atracados e qualquer um outro de carga geral tem de esperar. Com o p\u00eder, libera-se, imediatamente 60 a 70% de \u00e1rea de cais do Itaqui.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>A CODOMAR fala em dois anos a conclus\u00e3o do p\u00eder&#8230;<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> &#8211; Esperamos que sim. Afinal, mais de 60% da obra j\u00e1 est\u00e1 pronta. Um outro detalhe, a simples conclus\u00e3o dessa unidade do Itaqui, garante uma \u00e1rea livre de 480m de cais, que j\u00e1 est\u00e1 sendo negociada com autoridades do Governo, inclusive com CVRD, a constru\u00e7\u00e3o de um &#8220;pier&#8221; (<em>o p\u00eder 2 da Vale<\/em>) espec\u00edfico para gr\u00e3os. J\u00e1 existem 160 Km de ferrovia prontos, e isso \u00e9 uma garantia de carga para qualquer projeto expansionista. Se houver porto, n\u00e3o tenha d\u00favidas, haver\u00e1 cargas e&#8230;navios.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10731 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ERNEST-1-1-259x300.jpg\" alt=\"\" width=\"259\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ERNEST-1-1-259x300.jpg 259w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ERNEST-1-1.jpg 380w\" sizes=\"(max-width: 259px) 100vw, 259px\" \/>JS<\/strong> &#8211; <em>Quando come\u00e7a a responsabilidade do Agente com o navio?<\/em><br \/>\nErnest &#8211; Algumas semanas antes do mesmo chegar ao porto. Ao ser nomeado, o Agente come\u00e7a a trabalhar imediatamente. \u00c9 preciso providenciar cais, praticagem, licen\u00e7as, sa\u00fade de portos. Quando o navio chega ao porto, \u00e9 preciso despachar a carga, providenciar caminh\u00f5es, checar os guindastes, a energia e a estiva. No momento do navio sair, a documenta\u00e7\u00e3o tem de estar toda conferida, os m anifestos em ordem, os conhecimentos e os resultados das an\u00e1lises.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>Acabou?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> &#8211; Ainda n\u00e3o. \u00c9 preciso pagar todas as contas. Essa opera\u00e7\u00e3o \u2013 da nomea\u00e7\u00e3o ao fechamento das contas &#8211; demora cerca de 60 dias. Uma empresa com dois navios di\u00e1rios no porto, d\u00e1 pra imaginar a trabalheira que isso significa.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>Quanto custa uma opera\u00e7\u00e3o dessa?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> &#8211; Um navio da Ponta da Madeira, por exemplo, custa US$ 100 mil d\u00f3lares de despesas. Dos quais, 70% \u00e9 custo com rebocadores e praticagem.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong>&#8211; <em>Como o Presidente do SYNGAMAR v\u00ea o Agente Mar\u00edtimo?<\/em><br \/>\n<strong>Ernest<\/strong> &#8211; N\u00f3s somos uma ind\u00fastria sem chamin\u00e9s, pois produzimos muito sem \u00f4nus para o pa\u00eds. Mais: os Agentes de Navega\u00e7\u00e3o agem hoje em nome de 13 \u00f3rg\u00e3os diferentes de arrecada\u00e7\u00e3o de impostos para o Governo. \u00c9 assim que eu gostaria que a nossa categoria fosse observada pela sociedade. Uma ind\u00fastria geradora de riquezas e de dinheiro&#8230; muito dinheiro.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-10380 size-full\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS.jpg 900w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS-300x77.jpg 300w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/CABECA-ENTREVISTAS-768x196.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong>HERC\u00cdLIO LUZ SIM\u00d5ES<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><em>Presidente da Soamar-MA e da Soamar Brasil<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><em>Entrevista concedida ao jornalista <strong>Carlos Andrade e <\/strong><\/em><\/span><span style=\"color: #000000;\"><em>Publicada no Jornal da Soamar, edi\u00e7\u00e3o junho de 1991<\/em><\/span><\/p>\n<h1><strong>\u201cNosso objetivo maior \u00e9 s\u00f3 AMAR esse povo maravilhoso do &#8220;nosso&#8221; Maranh\u00e3o\u201d<\/strong><\/h1>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10354 alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/HERCILIO-SIMOES-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"206\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/HERCILIO-SIMOES-169x300.jpg 169w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/HERCILIO-SIMOES-576x1024.jpg 576w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/HERCILIO-SIMOES.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 206px) 100vw, 206px\" \/><\/strong><\/p>\n<h5><em>Curiosamente, o hoje presidente da Sociedade dos Amigos da Marinha do Estado do Maranh\u00e3o come\u00e7ou sua vida pelo ar. Descendente de uma fam\u00edlia de oito irm\u00e3os, \u00e9 o segundo filho e tr\u00e1s no nome uma verdadeira legenda pol\u00edtica da terra natal, Florian\u00f3polis, onde nasceu ha 66 anos no dia 10 de setembro. Seu nome: Herc\u00edlio Luz Sim\u00f5es, neto do patriarca da fam\u00edlia, que governou o Estado de Santa Catarina por 12 anos e principal respons\u00e1vel pela tenacidade comum \u00e0 fam\u00edlia e, em particular, a determina\u00e7\u00e3o do nosso entrevistado. Catarinense de nascimento, ainda menino viajou para o Rio de Janeiro e de l\u00e1 para S\u00e3o Joao Del Rey (MG) onde praticamente iniciou os estudos. De volta ao Rio, matriculou-se na Escola T\u00e9cnica Profissional Joao Alfredo onde aprendeu a gostar das mat\u00e9rias t\u00e9cnicas fundamentais na decis\u00e3o de optar pela engenharia, curso esse iniciado no Rio e conclu\u00eddo em S\u00e3o Paulo na Escola de S\u00e3o Jose dos Campos, hoje ITA. Se a engenharia lhe deu diploma, a avia\u00e7\u00e3o The deu felicidade. Ainda menino, j\u00e1 empregado do Sindicato Condor Lufthansa s\u00f3 n\u00e3o viajou para a Alemanha por que a guerra n\u00e3o permitiu utilizar-se de uma bolsa conquistada. Se a Alemanha &#8220;furou&#8221;, menos de 12 meses depois uma nova bolsa de estudo o levou para os Estados Unidos, um deslumbramento para quem sequer havia completado 17 anos de vida. E assim, de curso em curso, de bolsa em bolsa, Herc\u00edlio Luz Sim\u00f5es fez carreira na avia\u00e7\u00e3o, passando por mec\u00e2nico, piloto e comandante. Com mais de 30 mil horas de voo, aposentou-se segundo ele, cedo, e partiu para a iniciativa privada atrav\u00e9s de sua empresa de engenharia. Amigo de Armando Sander, ent\u00e3o presidente da Varig, este o convidou para vir a S\u00e3o Lu\u00eds construir um Hotel. Nunca mais voltou. Mas isso e melhor ele mesmo contar&#8230;<\/em><\/h5>\n<p><em><strong>JORNAL SOAMAR<\/strong> &#8211; Vamos come\u00e7ar. Fale da sua primeira paix\u00e3o profissional.<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio Luz<\/strong> &#8211; Apesar de ser formado engenheiro mec\u00e2nico pela Escola Federal de S\u00e3o Jose dos dos Campos (SP), foi a avia\u00e7\u00e3o quem inicialmente me fascinou se transformando na \u00fanica e verdadeira profiss\u00e3o. Foi ali, entre motores e planos de voo que o garoto Herc\u00edlio se realizou, visto ser de fato o que eu realmente gostava de fazer.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>\u2013 <em>Em quantas companhias a\u00e9reas voc\u00ea trabalhou?<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio<\/strong> &#8211; Comecei ainda menino na Lufthansa, que naquela \u00e9poca se chamava Sindicato Condor Lufthansa, depois na Aerovias Brasil, mais tarde incorporada pela Real e esta, em seguida, pela Varig. A Lufthansa, tamb\u00e9m denominada Cruzeiro do Sul foi a \u00faltima incorpora\u00e7\u00e3o da Varig onde, por for\u00e7a das muitas horas de voo que tive, acabei me aposentando por um per\u00edodo de trabalho relativamente curto.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>\u2013 <em>O Senhor chegou a exercer algum cargo de comando dentro da Varig?<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio<\/strong> &#8211; Logo ao sair da Cruzeiro do Sul ingressei na Aerovias Brasil, j\u00e1 na condi\u00e7\u00e3o de tripulante e ali cheguei a comandante. Nessa condi\u00e7\u00e3o, voei bastante por esse Brasil afora a ponto, de permitir a aposentadoria precoce a qual me referi antes.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>&#8211; <em>Explique melhor essa quest\u00e3o da aposentadoria precoce&#8230;<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio<\/strong> &#8211; \u00c9 o seguinte: a cada mil horas de voo, o piloto contava um ano servi\u00e7o. Isso no entanto s\u00f3 valia para as primeiras dez mil. A partir da\u00ed o tempo corria normalmente ano ap\u00f3s ano. Por causa disso, afirmei ter me aposentado relativamente cedo.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>Quantas horas de voo voc\u00ea o Senhor contabilizou na carreira?<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio<\/strong> &#8211; Mais de trinta mil e tudo come\u00e7ou com o Sky Master, o famoso DC-4.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Mas depois de aposentado o Senhor continuou trabalhando na Varig?<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio \u2013 <\/strong>Assim que encerrei minha jornada como piloto, a empresa nos convocou com nossa empresa de engenharia para atender projetos constru\u00e7\u00e3o de hot\u00e9is. Trata-se de uma nova investida empresarial da Varig atrav\u00e9s da rede de Tropicais Hot\u00e9is, uma empresa do grupo.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>Foi a partir dessa \u00e9poca que a cidade de S\u00e3o Lu\u00eds come\u00e7ou a fazer parte da sua vida?<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio &#8211; <\/strong>A n\u00edvel de transfer\u00eancia sim, porem eu j\u00e1 conhecia bem S\u00e3o Lu\u00eds de outros tempos. Por volta de 1943, 44 e 45, eu ainda era mec\u00e2nico de bordo e j\u00e1 realizava essa rota a bordo de um avi\u00e3o alem\u00e3o chamado &#8220;Juncker&#8221;, com tr\u00eas motores e com capacidade para 16 passageiros. Lembro bem que nesse tempo, um dos meus um dos meus comandantes era justamente o Arus Siranca, um dos aviadores com mais horas de voo do mundo.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>Voltamos ao hotel&#8230;<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio &#8211; <\/strong>A decis\u00e3o de vir para S\u00e3o Lu\u00eds foi em fun\u00e7\u00e3o desse conhecimento pr\u00e9vio, visto haver ainda as op\u00e7\u00f5es de Guarapari ou Recife onde igualmente se pretendia construir hot\u00e9is.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Em qual ano aconteceu exatamente essa sua \u201cades\u00e3o\u201d ao Maranh\u00e3o?<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio &#8211; <\/strong>0 convite da Tropicals Hotel aconteceu por volta de 1973 e o per\u00edodo de implanta\u00e7\u00e3o do projeto era de 22 meses, tempo que imaginara, seria minha perman\u00eancia nesta cidade. O projeto, no entanto, foi sendo atropelado por in\u00fameras dificuldades apesar da empresa ter adquirido uma \u00e1rea muito grande na Ponta D&#8217;areia, a ponto de ser totalmente arquivado.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>&#8211; <em>Qual a principal dificuldade impeditiva da constru\u00e7\u00e3o do hotel?<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio<\/strong> &#8211; Falta de estrutura b\u00e1sica de saneamento na regi\u00e3o, A Varig, por ser uma empresa de avia\u00e7\u00e3o, sempre preservou sua imagem diante da opini\u00e3o p\u00fablica, e, por essa raz\u00e3o, a falta de uma rede confi\u00e1vel de esgoto, nos obrigaria a cair no lugar comum de jog\u00e1-lo diretamente nas praias, uma atitude altamente poluidora. Por isso a Varig achou por bem n\u00e3o queimar sua imagem e optou por interromper, de forma definitiva, o projeto.<\/p>\n<h3><em><span style=\"color: #808080;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10354 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/HERCILIO-SIMOES-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/HERCILIO-SIMOES-169x300.jpg 169w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/HERCILIO-SIMOES-576x1024.jpg 576w, https:\/\/portosma.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/HERCILIO-SIMOES.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/><strong>&#8220;Nossa experi\u00eancia como presidente surgiu por vac\u00e2ncia do cargo pelo Dr. Elir de Jesus Gomes, convocado que foi para ser o Secret\u00e1rio de Esporte e Lazer no governo de Jo\u00e3o Castelo&#8221;<\/strong><\/span><\/em><\/h3>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 Sem obra, sem contrato de trabalho, a decis\u00e3o \u00f3bvia seria voltar para o seu estado de origem. Foi isso?<br \/>\n<strong>Herc\u00edlio<\/strong> \u2013 Essa foi a inten\u00e7\u00e3o da empresa. Por\u00e9m j\u00e1 me sentia maranhense, optei por me desligar da empresa e , com minha fam\u00edlia, fincar ferros aqui no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>\u2013 <em>Quando o Senhor viu o mar pela primeira vez?<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio<\/strong> \u2013 Desde que me entendo por gente a vis\u00e3o do mar sempre esteve presente em mim. Afinal, nasci na ilha de Florian\u00f3polis, igualmente bem servida de oceanos com S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>\u2013 <em>Esse amor do amar o tornou um esporte n\u00e1utico, Conte um pouco dessa hist\u00f3ria&#8230;<\/em><br \/>\n<strong>Herc\u00edlio<\/strong> \u2013 Em algum momento da minha vida, quando morava no Rio de Janeiro, fui campe\u00e3o de nata\u00e7\u00e3o, estilo cl\u00e1ssico. Depois, cansado de dar bra\u00e7adas, comprei um barco de nome \u201cCutter\u201d e com ele iniciei uma etapa de competi\u00e7\u00f5es e a navegar pelo litoral carioca. Eu sa\u00eda por exemplo, da Praia de Ramos, onde guardava o meu barco, e ia direto para Angra dos Reis. Regi\u00e3o que aprendi a admirar ainda em sua forma nativa, natural. A Angra de hoje, repleta de socialites j\u00e1 n\u00e3o me encanta mais.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>O Senhor foi um aviador de sucesso, voou mais de trinta mil horas e acabou Amigo da Marinha. Explique essa contradi\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio<\/strong> \u2013 Durante muito tempo meus amigos de avia\u00e7\u00e3o me cobraram esse meu amor pela Marinha e pelas coisas do mar, sendo um homem do ar. Na verdade, minha indica\u00e7\u00e3o como Amigo da Marinha partiu do amigo e comandante Luiz Fernando de Freitas que, chegando em S\u00e3o Lu\u00eds, aqui nos encontrou e por for\u00e7a de uma velha amizade, iniciou um trabalho dos mais elogi\u00e1veis a frente da Capitania. Foi ele, na condi\u00e7\u00e3o de Capit\u00e3o dos Portos, quem nos indicou e me fez amigo da Marinha.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>De Amigo da Marinha a presidente da Soamar. Explique a \u201cvelocidade\u201d dessa trajet\u00f3ria?<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio<\/strong> \u2013 N\u00e3o foi assim na velocidade de aviador como voc\u00ea sugere. Isso ainda demorou algum tempo, Nossa experi\u00eancia como presidente surgiu por vac\u00e2ncia do cargo pelo Dr. Elir de Jesus Gomes, convocado que foi para ser o Secret\u00e1rio de Esporte e Lazer no governo de Jo\u00e3o Castelo. Nessa condi\u00e7\u00e3o de \u201cestepe\u201d fiquei um ano. Sendo reeleito mais duas vezes no tal de seis a frente da Soamar do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>E quanto a Soamar Brasil?<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio<\/strong> \u2013 Nesse meio tempo, onde exerci v\u00e1rios mandatos da Soamar do Maranh\u00e3o, fui, durante dois anos, vice-presidente da Soamar Brasil e mais tarde assumir o cargo de presidente \u2013 tamb\u00e9m por dois anos &#8211; da entidade m\u00e1xima soamarina. Nessa condi\u00e7\u00e3o visitei o pa\u00eds quase todo levando a mensagem de ser Amigo da Marinha e a sua import\u00e2ncia de uma entidade como a nossa para a sociedade.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>&#8211; <em>O Maranh\u00e3o, por\u00e9m, continuava no cora\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio<\/strong> &#8211; Em todas as minhas palestras o principal assunto era o Maranh\u00e3o, n\u00e3o me contendo em relatar suas potencialidades, sua gente e seu clima. Essa postura foi a mesma em quase todo o pais, exce\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m, cuja Somara n\u00e3o estava em evidencia.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong>\u2013 <em>A Soamar Brasil tem voz no Minist\u00e9rio da Marinha?<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio<\/strong> \u2013 Seja no Minist\u00e9rio da Marinha, seja no da Aeron\u00e1utica, jamais estivemos mais de 10 minutos em qualquer sala de espera para falar com essas autoridades. Essa espera auto- demonstra\u00e7\u00e3o de prestigio e um retrato fiel da SOAMAR diante da Marinha e, ao mesmo tempo, a dimensiona a nossa import\u00e2ncia a n\u00edvel nacional e estadual.<\/p>\n<p><strong>JS <\/strong><em>&#8211; &nbsp;Qual a import\u00e2ncia de uma entidade como a Soamar na sociedade?<\/em><strong><br \/>\nHerc\u00edlio<\/strong> \u2013 Muitas s\u00e3o as formas de interliga\u00e7\u00e3o entre a sociedade e a Soamar. No caso de S\u00e3o Lu\u00eds, sendo uma ilha, n\u00e3o faltam oportunidades para que algu\u00e9m se preste a qualquer tipo de servi\u00e7o e\/ou colabora\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio da Marinha. Em troca, a essas a\u00e7\u00f5es sociais relevantes, a institui\u00e7\u00e3o concede essa honraria da maior import\u00e2ncia que \u00e9 o diploma e medalha de Amigo. Essa honraria, quase sempre, se d\u00e1 atrav\u00e9s das Soamares, com abrang\u00eancia em todos os setores da sociedade, como cultura, esporte, pol\u00edtica e jornalismo.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> \u2013 <em>Tipo preserva\u00e7\u00e3o ambiental, por exemplo&#8230;<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio<\/strong> \u2013 Voc\u00ea n\u00e3o imagina como \u00e9 importante a preserva\u00e7\u00e3o dos nossos manguezais, e como a Marinha tem se preocupado com esse problema. Ao tirar a madeira de forma predat\u00f3ria dos nossos manguezais, o homem simplesmente acaba com os viveiros naturais de camar\u00f5es e de caranguejos. A prop\u00f3sito, muita gente imagina ser o caranguejo um bicho sujo, quando na verdade ele n\u00e3o e necr\u00f3filo (animal que se alimenta de comida estragada). Toda sua base alimentar e feita de folhas e mat\u00e9rias org\u00e2nicas de origem vegetal. Portanto, agir de forma predat\u00f3ria acaba com tudo isso deixando atr\u00e1s de si um rastro de polui\u00e7\u00e3o e extin\u00e7\u00e3o dos animais marinhos cujo mangue e seu habitat natural.<\/p>\n<p>JS &#8211; <em>O que mais?<\/em><br \/>\n<strong>Herc\u00edlio<\/strong> &#8211; Qualquer que seja a participa\u00e7\u00e3o da Marinha na sociedade, haver\u00e1 sempre um Amigo da Marinha. A Soamar, no seu papel de S\u00d3 AMAR a sociedade e o mar, busca, junto a entidade que a criou, prestar o melhor servi\u00e7o. Seja de divulga\u00e7\u00e3o dos grandes eventos, seja na organiza\u00e7\u00e3o deles.<\/p>\n<p><strong>JS<\/strong> &#8211; <em>Em que esta sua administra\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente das outras?<br \/>\n<\/em><strong>Herc\u00edlio<\/strong> &#8211; Como das outras vezes, esta esta e tamb\u00e9m uma exig\u00eancia dos amigos. A Soamar teve na verdade uma fase negra em sua administra\u00e7\u00e3o onde foi jogada no ostracismo num estado de retrocesso nunca antes experimentado. Essa triste pagina s\u00f3 n\u00e3o foi pior pela interven\u00e7\u00e3o do Conselho Fiscal que p\u00f4s fim a p\u00e9ssima administra\u00e7\u00e3o e entregou a Soamar nas m\u00e3os do Dr. Mario Flexa que realizou um excelente trabalho apesar do tempo escasso. Como Mario Flexa, muitas s\u00e3o as pessoas que ajudaram a soerguer a Soamar. Entre elas podemos citar o ex-governador Cafeteira, o ex-superintendente de Porto da CVRD, Dr. Pacheco, Dr. An\u00edbal Pinheiro, Construtora IBEC, Dr. Romildo, Dr. Oswaldo Rocha, Dr. Rufino, Dr. Raul Guterres e tantos e tantos outros companheiros nossos que, como a gente, tem o prop\u00f3sito \u00fanico de SO AMAR este povo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FERNANDO MACHADO CASTRO Gerente da Ag\u00eancia de Navega\u00e7\u00e3o Arens Langen Entrevista concedida ao jornalista Carlos Andrade e publicada no Jornal da Soamar, edi\u00e7\u00e3o agosto de 1992 O atendimento de um \u00fanico navio custa, em m\u00e9dia, 50 mil d\u00f3lares Filho de Espanh\u00f3is, Fernando Jos\u00e9 Machado Castro tr\u00e1s no sangue o estigme dos grande navegadores e her\u00f3is [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":0,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"class_list":["post-10178","page","type-page","status-publish","hentry"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v22.5 - 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