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"PORTUÁRIO NÃO É UMA PROFISSÃO, É UMA DÁDIVA DE DEUS" (Nuno Reis)

Texto: Carlos Andrade, da Redação

No dia 28 de janeiro, quando, em 1808 o Príncipe Regente D. João XVI abriu os portos brasileiros para viabilizar de vez o comércio internacional com as Nações Amigas ele determinou, também, um divisor de águas na história do país. Era o fim de um monopólio espanhol e português e o começo de um novo tempo para um Brasil emergente e rico em ouro e recursos naturais oriundos da pecuária e, sobretudo da agricultura. O site Portosma aproveita a data e abre espaço para portuários de boa cepa se manifestarem, cada um a seu modo, com o objetivo de fazer justiça, sob a forma de homenagem, a esta categoria cuja força matriz é capaz de impulsionar um país. Além de depoimentos de portuários de "paixão" e pofissão, como diria um dos nossos entrevistados desta edição, temos também duas entrevistas de personalidades signifativas que representam bem o que é ser, querer, e viver portuário: o engenheiro civil Ronildo José Soares de Carvalho e o empresário e Executivo Nuno da Reis da Silva. Parabens PORTUÁRIO DO MARANHÃO E DO BRASIL, hoje, 28 de janeiro, o DIA É TODO SEU.

SOBRE A DATA HISTÓRICA: Se refere ao dia de abertura dos portos brasileiros às nações amigas, ocorrida em 28 de janeiro de 1808, proferida pelo Rei de Portugal D. João VI, logo após sua chegada ao Brasil, com a família real e a corte portuguesa. No calendário brasileiro,
é uma data para se homenagear os trabalhadores e trabalhadoras que exercem atividades, quer administrativas ou operacionais, nos nossos terminais e instalações portuárias, no embarque, desembarque, armazenamento e movimentação de carga, passageiros e de tudo o que entra e sai do nosso país por via marítima.

ENTREVISTA I

RONILDO JOSÉ SOARES DE CARVALHO, engenheiro civil e consultor/Assessor da Alumar

“Portuário somos todos nós, uma categoria que não pára nunca e promove desenvolvimento, independente da função ou do cargo que ocupa na engrenagem marítima, esteja ele embarcado ou não”

Ao contrário de portos, marés e alumínio, o primeiro contato de Ronildo José Soares de Carvalho, paraibano de nascimento, com a cidade de São Luís foi os folguedos juninos em sua plena efervescência. Com entrevista marcada para participar de um processo de seleção para um cargo de engenheiro civil na Alcoa, (formado pela Universidade Federal da Paraíba) chegou exatamente em 29 de junho de 1981, dia de São Pedro. Por conta disso a entrevista de trabalho por certo atrasou, mas o emprego saiu. Com experiência em montagem de grandes estruturas, uma vez que seu primeiro emprego fora justamente na Companhia Brasileira de Estruturas Metálicas – CIBRESME, participou de toda fase inicial da implantação do Consórcio em suas unidades de Reduçãoe Refinaria . Algum tempo depois, já na Alumar, assumiu a Superintendência de Porto da companhia e por já ficou por uma década ajudando a consolidar um projeto que mudou para sempre o cenário portuário do Maranhão, até então formado apenas pelo porto público do Itaqui, e o privado de Ponta da Madeira, de propriedade da então CVRD – Companhia Vale do Rio Doce. Portuário de carteirinha, Ronildo nos conta, nessa entrevista, um pouco mais dessa história rica em detalhes dessa categoria que impulsiona a economia do mundo, do Brasil, e do Maranhão.

PORTOSMA – Como o mar entrou pela primeira em sua vida?
RONILDO – Eu sou de uma região de praia,João Pessoa-PB, e antes de vir para São Luís, trabalhei na construção de alguns projetos da Petrobras em cidades litorâneas como Natal, Fortaleza e Aracaju. Foi então que tomei conhecimento do projeto de implantação do Consórcio de Alumínio aqui em São Luis. Fui selecionado, passei em todos os testes, sendo então contratado pela Alcoa. Me transferir “para cá para nunca mais sair”

PORTOSMA – Como foi sua entrada na Alumar e em que ano?
RONILDO – Tem um fato curioso, pois cheguei para a entrevista no dia 29 de junho de 1981, justamente no Dia de São Pedro, feriado na capital maranhense. Por essa razão, a entrevista só aconteceu no dia seguinte e, em sendo aprovado, um mês depois passei a fazer a parte do grupo de engenheiros da Alcoa para tocar a construção de toda parte estrutural da fábrica.

PORTOSMA – Nós podemos dividir o terminal da Alumar em etapas, em fases significativas?

RONILDO – Podemos sim. Mais precisamente quanto a legislação que regia os terminais privados (hoje TUP´s) nos anos 80, década passada, quando os projetos CVRD e Alumar foram implantados . Primeiro, os portos privados eram autorizados para movimentar apenas cargas próprias. As autorizações eram feitas pelas Portobras e nela continha uma série de restrições em suas funções operacionais. A maioria delas eram impeditivas de operar além do seu próprio cais. Depois, com a chegada da Lei 8.630, em fevereiro de 1993, foi permitido aos TUP’s(Terminais Portuários Privados), um leque de operações mais amplas, permitindo, por exemplo, operar com cargas de terceiros. Claro que havia uma clausula de proporcionalidade, mas representou sim um avanço e um novo momento para esses terminai. A Lei 8.630/93 estabeleceu que as autorizações, pela União, para construção e operação de terminas privados seriam por meio de contrato de adesão. Instalada em 2002 a Antaq, recém criada Agência Nacional de Transportes Aquaviários, passou a regulamentar, seguindo a legislação a e diretrizes do governo federal, os requisitos para os contratos de adesão e atividades hidroviárias em geral.

PORTOSMA –Que outras novidades chegaram com essa Lei?
RONILDO – A Lei trouxe uma regulamentação das atividades dos trabalhadores avulsos, os chamados estivadores, arrumadores, bloco etc, que passaram a ter suas fainas geridas pelo então criado OGMO. Foi graças a criação desses órgãose outras ferramentas proporcionadas pela nova Lei, em todos os portos do país, que o Brasil passou a se aproximar mais dos modelos adotados nos grandes portos internacionais e ter melhores resultados ganhos reais em suas relações entre de capital e trabalho, e com as autoridades portuárias de um modo muito mais amplo. Na prática, a Lei 8.630 implantou, dentre outros, uma série de procedimentos em relação ao trabalho entre os operadores portuários, trabalhadores avulsos(através dos OGMO’s) portos públicos e terminas, , sobretudo aqueles considerados maiores, como o porto de Santos.

PORTOSMA – A próxima etapa seria...
RONILDO – Foi a implantação da Lei 12.815 de 2013 que, em tese , veio flexibilizaralgumas situações previstas na lei anterior, permitido terminais privados operando apenas cargas de terceiros. Graças as facilidades trazidas pela referida Lei dois grandes terminais privados, TPA e PSL, estão em fase de implantação em São Luis.

PORTOSMA – Vamos precisar sua entrada como Superintendente do Porto da Alumar.

RONILDO – Com a conclusão das estruturas da fábrica – redução e refinaria – eu fui convidado a entrar para o quadro da Alumar, na função de Superintendente de Manutenção Civil; algum tempo depois passei para o Porto(1985), assumindo em 1993-1994 a função de Superintendente. Foi um desafio porque toda minha experiência em terminais portuários fora adquirida aqui mesmo na Alumar, nas idas e vindas permanentes ao terminal no decorrer de sua construção/pré operação. O Porto já estava operando normalmente dando suporte as fábricas de alumina e alumínio, que produziam a todo vapor e coube a nós, enquanto superintendente, otimizar essa relação, sobretudo como as empresas de navegação (Norsul, Mansur, Aliança etc), rebocadores praticagem.

PORTOSMA – A Alumar acaba de bater um recorde na produção de Alumina, São quase três milhões e em um ano atípico por causa da pandemia. Como explicar?
RONILDO – A questão da pandemia é certo que afetou a todos nós, porém, o mundo não parou. As pessoas continuaram trabalhando, plantando, produzindo. Os dados da Antaq(janeiro a outubro de 2020) mostramum aumento na movimentação de cargas pelos portos brasileiros em 3,64% comparando-se a igual período de 2019, apesar de queda significante do PIB do pais. Esse recorde, mesmo sendo números de 2020, mostra que a curva ascendente se manteve apesar do coronavírus. Quando você analisa os números globais, é certo que muitos números são ruins, outros, porém, bastante positivos.

PORTOSMA – Por exemplo?
RONILDO – Esse do recorde da produção de alumina pela Alumar pode ser um deles. Outro é o setor de agronegócios. Foi o que mais cresceu. Ainda segundo os dados da Antaq, período citado anteriormente, o item fertilizante teve um acréscimo de 8,63% pelos portos brasileiro, com grande contribuição do Porto do Itaqui.

PORTOSMA – Qual o seu vínculo hoje com a Alumar?

RONILDO – Depois de passar pelos quadros de funcionários da Alcoa e da Alumar, hoje atuo como consultor/assessor do Consórcio.

PORTOSMA – Para finalizar, como o Senhor definiria o trabalhador portuário?

RONILDO – O portuário é todo aquele profissional que contribui, direta ou indiretamente pela evolução de um porto. Pode ser um pedreiro, engenheiro ou eletricista. Existem muitas atividades que servem de lastro para que um porto se mantenha ativo. Veja o caso dos profissionais de saúde dos portos. Eles deram tudo de si para que os demais trabalhadores não permitissem o colapso dos terminais. Essas pessoas, assim como as demais, são portuárias e merecem toda nossa gratidão e homenagens. O trabalhador portuário não parou. Bateu de frente com a pandemia, enfrentou crises. Se a gente analisar bem, o setor marítimo é aquele que mais se expõe a qualquer tipo de virose, porque nós trabalhamos com todas as fronteiras do mundo. Portuário é uma denominação ampla que atinge principalmente os Agentes Marítimos, as Praticagem, os serviços de rebocadores, de lanchas e um universo de gente empenhada em fazer cada vez mais e melhor pela categoria marítima do Brasil e do Maranhão.


ENTREVISTA II


NUNO REIS DA SILVA, empresário executivo e diretor proprietário da Servimar Marítima Engenharia

"O Portuário é, em síntese, um ser iluminado"

Nascido em 1961 em Belém do Para começou a vida no mar na Marinha de Guerra, onde serviu como Aprendia de Marinheiro na Corveta Mearim. Daí o gosto pelo mar. E essa historia, que começou no início dos anos 80, não parou mais. Foram muitas as viagens em convés das mais diversas embarcações, passando por navios, rebocadores e dragas da CBD, Companhia Brasileira de Dragagens. Este é Nuno Reis da Silva, 61 anos, proprietário da empresa Servimar Engenharia. Um portuário de nascimento, paixão e opção.

PORTOSMA – Como começou sua vida de mar exatamente?
NUNO REIS – Entrei para a Marinha de Guerra como Aprendiz de Marinheiro, na Base Naval de Belém, minha cidade de nascimento, onde fiquei por três anos. Já marujo de convés, iniciei minha vida de embarcado. Primeiro na Corveta Iguatemi e depois na Mearim.

PORTOSMA – E a Marinha Mercante?

NUNO – Foi aqui em São Luís no ano de 1981, quando deixei a Marinha de Guerra e ingressei na CBD - Companhia Brasileira de Dragagem. A data que coincide com minha transferência para o Maranhão, pois a obra da CBD era justamente o canal da Alumar, projeto que estava sendo implantado em São Luís, uma super estrutura formada pelo conjunto de Refinaria, Redução e porto.

PORTOSMA – Naquele ano Já era um terminal ativo, recebia navios, cargas?
NUNO REIS - Lembro que o ano era 84 e os desafios daquela época eram muito grandes, pois o fluxo de navios previstos exigia um canal de calado mínimo de 10 metros. Foram muitos os obstáculos, e o maior deles foi a presença de uma quantidade muito grande de pedras, o que exigiu por parte da CBD o uso de explosivos. O objetivo era deixar com o canal de 10 metros, e nos conseguimos. Hoje, passadas pouco mais de três décadas, o canal está com quase 12 metros de calado e é um dos mais bem sinalizados do país.

PORTOSMA – Vamos falar de navios embarcados. Em quais convés você trabalhou na Marinha Mercante?

NUNO REIS – Foram vários, pois trabalhei na H Dantas e Norsul. Esta última dona dos navios Rio Jaguaribe II, Norsul Tubarão e Norsul Trombetas. Também trabalhei como chefe de máquinas nos rebocadores Arturos, da Saveiros/Camurianos/CBR, e mais tarde, já na inauguração da Vale, nos rebocadores da Servidoce. A presença de rebocadores era uma novidade no Maranhão, prática essa que se consolidou a partir das implantações dos portos da Alumar e da Companhia Vale do Rio Doce, mais precisamente o Terminal de Ponta da Madeira.

PORTOSMA - Lembra do primeiro navio que atracou na Alumar?
NUNO REIS – Norsul Trombetas, e a carga era bauxita trazida de Belém. Eu trabalhaei nessa linha por quase exatos 10 anos.

PORTOSMA – Essa que era, ou ainda é chamada de Linha do Macaco?

NUNUO REIS - Não, a linha do Macaco compreende o trecho entre Macapá e Trombeta. É assim chamada por ser tratar de uma rota dentro do rio Amazonas. Era comum os navios quando encalhavam, serem puxados pela força das correntezas até as margens de florestas e, por conta disso, invadidos pelos macacos.

PORTOSMA – que outras rotas o Senhor fez com a Norsul?
NUNO REIS – Santos Ibituba, Santos Rio Grande carregando carvão, e São Luís Fortaleza. Eram rotas simples, porém exigiam demais das tripulações desses navios, considerando que a sinalização não ajudava muito e eram os poucos os terminais que contavam com serviços de Praticagem.

PORTOSMA – De onde vêm sua experiência com máquinas?
NUNO REIS - Depois da minha primeira passagem pela Norsul, eu fui trabalhar em Fortaleza no Estaleiro da Enasa. Foi lá que tive minha verdadeira formação em mecânica naval, pintura, soldas e recuperação de convés.

PORTOSMA – Salvatagem de navios. Vamos falar sobre esse assunto.
NUNO REIS – O trabalhador marítimo exerce uma atividade que exige uma especialização constante. Os acidentes, mesmo não sendo freqüentes, acontecem vez por outra e as primeiras ações de salvatagem são iniciadas ali mesmo pela tripulação. Essa máxima fica ainda mais evidente quando se navega pelo Rio Amazonas, onde operar com navios de 20, 30 mil toneladas exige muito do comandante, pois as maiores distancias são feitas sem o apoio de praticagem e ou/rebovadores.

PORTOSMA – É verdade que o Senhor estava a bordo quando do encalhe do navio Norsul Trombetas, um dos primeiros grandes acidentes no Complexo Portuário do Maranhão?

NUNO REIS – Estava sim. O ano era 1998. Nós estávamos fundeado na área de fundeio – naquela época os navios que iriam para Alumar fincavam ferro poucas milhas acima do Itaqui - juntamente com o Norsul Tubarão. O prático na época decidiu que o Trombetas ficaria atracado enquanto ele entraria com o Norsul Tubarão. O problema é que o Norsul Trombetas “garrou”. Ou seja, foi empurrado pelas ondas com ferro e tudo. A decisão do Comandante foi levantar o ferro e deu força avante, quando deveria ter optado por boreste. Essa decisão só agravou o problema e o resultado foi perda total do navio que encalhou de forma definitiva no banco de areia dos Lanzudos.

PORTOSMA – Qual foi a principal avaria do Norsul Tombetas?
NUNO REIS – Ele praticamente “rasgou” entre os porões 3 e 4 e só não teve conseqüências mais graves, em termos de vidas humanas, por exemplo, porque estávamos fundeados. 15 anos depois foi montada uma operação por um grego chamado Achiles que, por conta própria, arrastou somente a proa para uma área mais segura. Ainda hoje se brinca que o Norsul Trombetas se tornou o maior navio do mundo. A proa próxima da Alumar e a popa no banco dos Lanzudos . A partir desse acidente a área de fundeio mudou e hoje todos os navios esperam no mesmo lugar, bem distantes dos seus terminais de destinos.

PORTOSMA – Passagens de idas e vindas, convés em convés, e foi então que o Senhor decidiu ter sua própria empresa?
NUNO REIS – Sim. Em 1992, sentindo a enorme demanda de serviços portuários no Maranhão por causa da implantação dos grandes projetos como Alumar e Vale do Rio Doce, decidir desembarcar dos convés alheios e criar a Servimar Marítima Engenharia.

PORTOSMA – Qual foi sua plataforma inicial de prestação de serviços?

NUNO REIS – Nosso principal cliente sempre fora a Norsul, uma vez que já tínhamos uma relação profissional muito sólida. No início tinha um Sindicato de Marinheiros que prestavam serviços mais diversos embarcados. Assistência de Blocos, convés, máquinas, recuperação de alguns tipos de peças e maquinaria em geral. Essa demanda era grande considerando que em São Luís não existia tecnologia e nem pessoal habilitado pra esse tipo de serviços. A Servimar chegou para preencher essa lacuna.

PORTOSMA – Qual o grande marco da história dos portos no Maranhão?
NUNO REIS – Eu diria que a implantação da Alumar foi o grande divisor de água dessa evolução, pois não mudou apenas o conceito de indústria que se tinha. Por ser uma fábrica de alumínio e alumina, mudou também a própria cidade. São Luís viveu um boom desenvolvimentista inédito, agregando para sua economia uma quantidade imensa de médias, pequenas e micro empresas que nasceram a partir da empresa mãe, Alumar, um consórcio nascido a partir da união de três gigantes multinacionais: Alcoa, Billiton e Alcan.

PORTOSMA – Considerando que a Alumar recebe navios com produtos dos mais diversos como soda cáustica, bauxita, pixe e carvão, quais desses é mais complicado no momento da lavagem dos porões?
NUNO REIS – Soda cáustica e amônia vem em tanques. O pixe foi nosso primeiro grande desafio, uma vez que por se tratar uma faina inédita, exigiu um aperfeiçoamento nos procedimentos, o mesmo acontecendo com a bauxita. No caso do piche, por se tratar de um produto altaente tóxico, no momento da limpeza ainda hoje se recorre a um produto chamado creme universal para evitar queimadura de pele. Naquele época, esse produto era produzido aqui mesmo no Maranhão pela Merk.

PORTOSMA – E no caso dos equipamentos de cais, como grabs e carregadores, quem os limpa?
BRUNO REIS – Essas ferramentas de apoio que fazem parte de um conjunto operacional de embarque e desembarque de um navio, que se encontram no cais, é de responsabilidade do próprio terminal. No caso do terminal da Alumar, da Alumar. No caso dos terminais da Vale, da Vale. Hoje, graças ao apoio que esses terminais nos possibilitam com seus equipamentos, uma limpeza de porão de um navio leva em média de uma a duas horas.

PORTOSMA – E o descarte desse “lixo” retirado dos navios, de quem é a responsabilidade?
NUNO REIS – Como estamos falando do terminal da Alumar, é a própria que se encarrega de dar destino a esse material recolhido, e nada é feito aleatório. Existe um conjunto de normas, autorizado pelas autoridades portuárias que cada empresa é obrigada a se adequar para executar esse tido de descartes em seus próprios terminais. Nada do que se retira nos processos de limpeza, estando o navio atracado, vai para o mar.

PORTOSMA – Qual sua opinião sobre dois acidentes ocorridos em nosso Complexo Portuário. O “atropelamento” do rebocador Rigel, ocorrido em 1993, pelo navio Mont Athos, e este agora, em 2020, do Stella Banner?

NUNO REIS – No caso do Rigel, eu já não trabalhava mais lá. Porém, minha experiência com rebocadores diz que houve imprudência do navio e de seus tripulantes e a inexperiência do comandante do rebocador Rigel. No caso do Stellar Banner, não tenho dúvidas, o comandante errou.

PORTOSMA – O que é ser portuário em sua opinião?

NUNO REIS – Hoje não saberia mais lhe responder, mas antes, ser portuário era um profissional que gostava de trabalhar com carga, viagens, movimentação. Porto é para quem gosta não é para quem quer. Ser portuário não é uma profissão, é uma dádiva que Deus nos dá. O portuário é, em síntese, um iluminado.

O PORTUÁRIO NA DEFINIÇÃO DE PORTUÁRIO

CMG ALEKSON BARBOSA DA SILVA PORTO,
Capitão dos Portos do Estado do Maranhão


Hoje comemoramos o Dia dos Portuários, seguindo o júbilo da Abertura dos Portos desde 1808, é com grande satisfação que parabenizo tão importante parcela do sistema do comércio marítimo brasileiro, o qual é compreendido todas as estruturas para funcionamento da logística portuária. Considerando a finalidade desse setor, o complexo fixo é parte essencial para que o manuseio da carga seja ótimo, a complexa estrutura de um sistema logístico portuário, é importante observar a conexão entre as partes citadas e como um tripé, se uma das categorias estiver fragilizada, as restantes não funcionarão bem.
Bravo Zulu aos Portuários brasileiros, parabéns pelo excelente e essencial trabalho em nossos portos públicos e privados.

LUSIVALDO MORAES DOS SANTOS,
Presidente do SINDPORT/MA

“O Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços Portuários do Estado do Maranhão – SINDPORT/MA, parabeniza todos os portuários e portuárias brasileiros, em especial os do Porto Público do Itaqui, dos Terminais Privados da Ponta da Madeira (VALE) e da ALUMAR e de nossas demais instalações portuárias maranhenses de menor porte, incluído os profissionais das administrações portuárias, avulsos, operadores, arrendatários, agentes de navegação e demais trabalhadores da área portuária. Ressaltando a superação desses profissionais, que mesmo afetados pelas dificuldades impostas pela Pandemia do Covid-19, tem buscado novas formas de trabalho, que vem garantindo o atendimento regular dos navios, inclusive, com excelentes resultados, como foi o caso do Porto do Itaqui, administrado pela Empresa Maranhense de Administração Portuária – EMAP, que em 2020, superou recordes históricos de movimentação de carga e de outros indicadores de desempenho, o que nos dá esperança de que tempos melhores virão e com demonstração de que, nossos portuários vêm cumprindo a missão de exercer suas atividades com qualidade, segurança e sustentabilidade, o que faz com que os nossos portos maranhenses, sejam cada vez mais indutores do crescimento econômico e social do estado do Maranhão e do Brasil”.

NILO MONTEIRO DE CARVALHO
Diretor Executivo da Smart Pilots

“Hoje, dia do portuário, uma homenagem especial a esse universo de anônimos que trabalham levando e trazendo riquezas. Nada mais justo do que prestar este tipo de reconhecimento sucinto à aqueles que diuturnamente se dedicam ao verdadeiro intercâmbio de riqueza e de cultura. O portuário é um desconhecido, ele vai do Amarrador, Marítimos, Guardas Portuários, Controladores de carga, Estivadores, Conferentes de Carga, Agentes de navegação, Práticos, ao mais alto Administrador. Sempre haverá o mentor, o executor, o produtor, no intercâmbio de recebimento e leva de cargas de riqueza do nosso estado. Pois o portuário produz, quer faça sol ou faça chuva. Através do porto e dos portuários foi que nos desenvolvemos e a humanidade evoluiu. Pois como bem disse muito antes de Cristo o General Romano Petrarca: Navegar é preciso, viver, não é preciso".

SÍLVIO AGUIAR,
Diretor Executivo da Granel Química

“Neste momento especial da economia brasileira, onde algumas categorias se destacam pela importância do seu trabalho em tempos difíceis por conta da pandemia do coronavírus, o setor portuário de um modo geral, e o trabalhador portuário em particular, merece toda nosso reconhecimento e gratidão. Graças a esse segmento ativo da nossa economia, aliada a uma capacidade ímpar de sempre realizar, o Brasil, em especial o Maranhão, estão conseguindo seguir seu curso em direção ao desenvolvimento que só o porto, com suas multi-atividades correlatas, como a de tancagem, por exemplo, consegue promover”

 

JOSÉ CARLOS MICAS,
da Camorim Serviços Marítimos


“Trabalhadores portuários, são vocês os principais responsaveis pela engrenagem portuária. Dia 28.01 comemoramos o seu dia, porém, mais que os parabéns, vocês são merecedores também dos nosso agradecimento, respeito e admiração. Desejamos a cada um de vocês um forte abraço por este dia mais que especial”

 


 

JOSÉ WELLINGTON PEREIRA DA SILVA,
da Gerência de Operação de Máquinas de Pátio da mineradora Vale

“Iniciei minha jornada na vida portuária em 1999 e passei a integrar a equipe Vale em 2007. Passei por diferentes áreas como no virador de vagões e torre de amostragem do laboratório ainda enquanto contratada. Já na Vale atuei em áreas como a operação de equipamento de instalações, operação de rota no embarque, operação de máquinas de pátio e hoje como técnico de área, contribuo na prevenção da vida dos colegas, avaliando o cenário das atividades a serem realizadas. Aqui aprendi que segurança e produção precisam caminhar juntos para que possamos chegar à excelência. Tenho muito orgulho da minha profissão com a qual conquistei tudo que tenho. Para mim ser portuário significa trabalhar com amor e amar o que se faz. Nesse dia queria dar os parabéns a todos os portuários que ajudam para o desenvolvimento do país nos diversos portos mo Maranhão e no Brasil”.


LUIZ INÁCIO,
da GMS Brazil

“Frente a um mundo altamente globalizado, com desafios variados, o porto funciona como portal de entrada de mercadorias essenciais para o bom andamento da economia e do abastecimento necessário para a população bem como portal de saída de nossas riquezas. E nesse cenário, o PORTUÁRIO se destaca como elemento fundamental para que essas operações possam ser realizadas com segurança e com extrema habilidade, dentro de um tempo hábil, garantindo a segurança de todos os envolvidos e integridade dos produtos. A GMS nesse cenário apresenta uma gama de soluções para a área portuária, com profissionais altamente capacitados e com uma estrutura flexível e completa para atender às demandas locais e de clientes nacionais e internacionais. A GMS se orgulha em pertencer a esse seleto grupo de portuários e contribuir de maneira ativa para que, mesmo frente às adversidades e todos os problemas hoje enfrentados com a pandemia, conseguimos manter as operações de forma ativa sempre prezando pela qualidade, responsabilidade e segurança”.

GUILHERME ELARRAT ELOY,
Diretor Presidente da COPI


“A COPI - Companhia Operadora Portuária do Porto do Itaqui, agradecce pela importante contribuição, profissionalismo e excelentes resultados da categoria. A comunidade portuária é âncora e força para a produtividade no cenário nacional. Dia 28.01. Parabéns ao Portuário”

 

 

 

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