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Especialistas do mundo inteiro navegando pelas rotas de descarbonização e do meio ambiente
Evento debate como assegurar a sustentabilidade e competitividade do comércio exterior brasileiro?


Evento mundial debate as imprevisibilidades climáticas do planeta
Acordo internacional de redução de emissões de carbono consolida tendência de eficiência e inovação no transporte marítimo internacional

Considerado um novo marco para o setor, o acordo da Organização Marítima Internacional (IMO) define metas de redução de emissões em, pelo menos, 50% até 2050 em relação aos níveis de 2008. Segundo especialistas, ele alavancará medidas de eficiência e inovação para todo o segmento com reflexos no comércio internacional. O tratado foi o mote do Evento Internacional Sobre Mudanças Climáticas e Transporte Marítimo realizado pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), em parceria com a Embaixada da Alemanha no Brasil, no dia 14 de novembro, no Rio de Janeiro.

Esta é sexta edição da série Diálogos Futuro Sustentável de encontros periódicos, que reuniu especialistas internacionais e nacionais com o intuito de discutir as implicações do Acordo da IMO e quais são os possíveis caminhos para assegurar a sustentabilidade e competitividade do comércio exterior brasileiro.
O transporte marítimo tem papel-chave no comércio internacional, já que é considerado o modal mais eficiente em termos de emissões. Ainda assim, é responsável por 2,2% dos gases globais de efeito estufa - o que corresponde às emissões totais da Alemanha.
Klaus Zilikens, cônsul-geral da Alemanha no Rio de Janeiro, lembrou que tanto a Alemanha quanto o Brasil são nações exportadoras e têm em comum o interesse no livre comércio internacional, cuja espinha dorsal é o transporte marítimo. “É possível tornar o tráfego de mercadorias e bens por mar ainda mais sustentável e garantir que não existam desvantagens para economia e postos de trabalho. O caminho para isso passa pela combinação de medidas para aumento da eficiência, eletrificação e energias renováveis”, afirmou.

De acordo com as estimativas da IMO, se o ritmo de crescimento atual for mantido, o setor poderia chegar a 17% das emissões globais em 2050. Diante dessa tendência, mais de 170 países reunidos na organização internacional chegaram ao consenso de cortar as emissões do setor pela metade ainda neste século.

Logo na abertura do evento, Ana Toni, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), destacou a importância da participação do setor marítimo no debate sobre mudanças climáticas. “Isso torna a discussão qualificada e racional. A tecnologia não vai resolver todos os nossos anseios. Por isso, é importante trazer urgência para o debate. Os efeitos econômicos e sociais da redução de emissões no transporte marítimo devem ser levados em consideração. Já temos uma meta, agora, precisamos discutir quais são as melhores maneiras para o Brasil contribuir para esse objetivo”, ressaltou.

Entenda o contexto

O Brasil teve participação nas negociações internacionais do acordo. Conforme ressaltou Fernando Alberto Gomes da Costa, capitão de Mar e Guerra da Marinha, o tratado é de suma importância para agir diante às mudanças climáticas e construir medidas técnicas de repercussão global. Porém, é preciso sempre considerar também as nuances específicas do Brasil. “A principal contribuição brasileira foi para que as metas sejam exequíveis. Levamos em conta o contexto de países sul-americanos que transportam cargas que não têm tanto valor agregados em rotas longas e também o de países em desenvolvimento e insulares, uma realidade da qual não podemos fugir”, relatou.

Vale lembrar que esta decisão também pode acelerar a inovação do transporte marítimo, representando um forte sinal para a indústria naval e fornecedores de combustíveis para aumentar os investimentos em novas tecnologias e sua rápida implantação, incluindo combustíveis alternativos e sistemas de propulsão.

Em sua apresentação, Charlotte Inglis, chefe do Programa Marítimo e Ártico da Fundação Europeia do Clima, pontuou que, para atingir a meta estabelecida pela IMO, a eficiência do transporte marítimo terá que aumentar em 80%.  “A solução passa pela adoção de medidas como redução de velocidade e combustíveis de baixo ou zero carbono, de forma isolada ou combinada. É possível reduzir 40% das emissões apenas com medidas já existentes -  como redução da velocidade e navios maiores”, afirmou.

Charlotte destacou ainda que se trata de uma grande oportunidade de investimento tanto em termos de tecnologias de navios, quanto combustíveis. Ela esclareceu que algumas regiões, como a América Latina, possuem grande potencial de se tornarem os futuros fornecedores de combustível marinho renovável. “O Chile, por exemplo, é competitivo em energia solar. Os atuais projetos no Chile e Marrocos de navios movidos a painéis solares têm assegurado um preço competitivo para o combustível marinho renovável”, explicou.

Além disso, ela citou várias exemplificações de inovação como o Baird Maritime, movido a hidrogênio e o Boskalis, que usa biocombustíveis. Outro exemplo foi o navio peruano, reformado com a utilização da tecnologia à vela, cujo retorno de investimento se deu no período de cinco anos. Também mencionou o primeiro navio do mundo 100% elétrico, lançado pela China. “Quanto mais a descarbonização for adiada, mais disruptiva será a mudança para o setor de navios”, sentenciou.

Acordo de Paris, um grande salto

Na IMO, as discussões no campo das metas de redução de carbono se iniciaram na década de 90. A primeira resolução foi assinada em 1997, no contexto do Protocolo de Kyoto. Por muitos anos, o debate se deu em torno de um mecanismo baseado em mercado, sem chegar a um consenso. Segundo Isabelle Rojon, consultora da University Maritime Advisory Servives (U-MAS), o anúncio, em 2015, do Acordo de Paris, por meio do qual 195 países definiram seus objetivos climáticos, criou o momentum para retomada da discussão sobre uma meta de redução de carbono para o transporte marítimo internacional.

“O acordo da IMO de redução de emissões tem como princípios a não-discriminação e o não-favorecimento de um país em detrimento do outro, até porque os navios operam com diferentes bandeiras que não se restringem aos seus países de origem”, explicou Isabelle. Segundo ela, o acordo da IMO também definiu que, primeiramente, os impactos da meta de redução de emissões de carbono do transporte marítimo nos países sejam avaliados antes de qualquer medida ser implementada. Essa avaliação de impacto deve considerar questões como valor da carga, dependência em relação ao modo de transporte marítimo, resposta a desastres e custo-efetividade. Parte desses impactos pode ser compensada por meio fundos gerados a partir de mecanismos de precificação de carbono ou acesso preferencial a empréstimos por meio de financiamento climático.
Já sob a ótica de Ricardo César Fernandes, diretor executivo da Associação Brasileira dos Armadores Norueguese (ABRAN), o Acordo de Paris representou um passo ambicioso. “O avanço está colocado e não tem como voltar. No horizonte até 2020, medidas de eficiência permitirão reduzir as emissões do transporte marítimo. Já para atender os requisitos de 2050, será preciso disrupção em termos de tecnologia”, defendeu.

O diretor contextualizou que a Noruega está impulsionando o transporte marítimo verde, onde a questão de autonomia dos navios é bastante desenvolvida. “No país, isso é uma política de governo, que faz uma sinalização para a indústria de que aquilo é prioridade. Requerimentos para concessões governamentais para obtenção de recursos são baseados em tecnologias alinhadas a essa política, Parcerias Público Privadas também têm esse direcionamento”, explicou. Como um dos frutos desse esforço de pesquisa e desenvolvimento, a Noruega lançou o YARA Birkeland, navio completamente elétrico e autônomo com uma bateria de 9MWh.

Impactos para a economia brasileira

Com o intuito de entender os impactos das medidas no âmbito da IMO para a economia do Brasil, pesquisadores têm se debruçado na análise das exportações brasileiras e no levantamento das emissões do transporte marítimo associadas ao comércio exterior brasileiro.

Andrea Luchesi, professora e pesquisadora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP) integra um grupo de pesquisa que desenvolveu uma metodologia para estimar qual seria a contribuição da carga brasileira em cada navio para, então, elaborar o inventário do país. Assim, é possível medir o impacto em PIB, competitividade das exportações brasileiras, balanço de pagamentos e também quais são as medidas mais custo-efetivas para contribuir com a meta global. “O Brasil quer contribuir para o cumprimento das metas. Isso não está sendo questionado. Podemos fazer isso de forma mais eficiente. Estudo USP busca contribuir para isso que garanta outros aspectos como segurança alimentar, por exemplo”, afirmou.

Em outro estudo sobre caracterização do comércio exterior brasileiro, realizado com o apoio do iCS, os pesquisadores da Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ) analisaram os impactos nos quatro maiores produtos que somam a maior parte das exportações brasileiras. Commodities como soja, minério de ferro, petróleo e biocombustíveis foram avaliados na pesquisa. “Em termos de intensidade de emissões e eficiência, o Brasil não fica atrás. O que pesa é a distância em relação aos mercados consumidores. Entre as possíveis medidas mais fáceis de implementar, os pesquisadores recomendam a redução de velocidade dos navios, que traz ganhos de eficiência; a recuperação de calor; a limpeza de hélices e o uso de biocombustíveis, sendo o óleo vegetal a alternativa mais viável por apresentar maior compatibilidade com os motores”, destacou André Lucena, professor e pesquisador da COPPE/UFRJ.

O estudo da COPPE/UFRJ revelou que o impacto do repasse de custos do transporte marítimo na economia brasileira seria da ordem de 1% a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. No entanto, haveria um espaço maior para repasse dos custos em relação a algumas commodities brasileiras que têm qualidade superior em relação aos concorrentes. Esse é o caso do minério de ferro extraído em Carajás, que devido ao alto teor mineral que possui, conta com um preço prêmio no mercado internacional. O petróleo brasileiro também se destaca pela sua qualidade superior comparada aos produtos competidores do Oriente Médio - com maior concentração de enxofre.
Cabotagem

Mário Bastos Ferraz de Mendonça, assessor do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima falou da importância da cabotagem, que consiste na navegação que se faz na costa, ou entre cabos. Essa modalidade tem um papel importante no transporte de cargas no Brasil que conta com 8500 de costas navegáveis, chegando a 10.000 km incluindo o Rio Amazonas. “A cabotagem é cinco vezes mais eficiente que o transporte rodoviário e três vezes mais eficiente que o ferroviário. A título de comparação um navio de grande porte carrega uma quantidade de carga que 22.000 caminhões. Colocado um na sequência do outro, esses caminhões ocupariam uma extensão equivalente ao percurso da rodovia Dutra de Rio a São Paulo, ou seja, cerca de 450 km”, explicou.

No entanto, por se tratarem de navios menores, as reduções de emissões são mais difíceis. Segundo Mário, o combustível marítimo é 30% mais caro que o rodoviário, que ainda tem subsídio. “Se simplesmente repassar o custo, há o risco de parte do transporte de cargas migrar para o modal rodoviário impactando as cidades, gerando ainda mais poluição”, completou.

“Emissões precisam ser consideradas no âmbito mais abrangente. Se a cabotagem reduz emissões, isso precisa ser contabilizado em termos de redução de gases de efeito estufa emitidos”, concluiu Alfredo Sirkis, secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC).

No momento de interação com a plateia após as apresentações, Lucena ressaltou ainda que metas de intensidade favoreceriam o Brasil. Um bom exemplo disso é o navio de grande porte da Vale, chamado Valemax. Ele permite transportar maior volume de carga por km, o que resulta uma intensidade de carbono menor. “Diante disso, num cenário de um mecanismo de precificação híbrido, o Brasil seria beneficiado”, afirmou.

“Incorporar o menos carbono como um plus e, isso se aplica certamente à navegação, é um elemento muito importante para fazer tudo isso dar certo. Esta é a proposta da precificação positiva de carbono, reconhecida no preâmbulo do Acordo de Paris, como forma de reconhecer que existe um valor que é o menos carbono”, disse Sirkis no encerramento do evento.

Lugar: PORTOSMA
Fonte: Assessora Instituto Clima e Sociedade
Data da Notí£©a: 01/12/2018

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