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ENTREVISTA
Nilo Alberto Monteiro Carvalho, prático da Baía de São Marcos e diretor presidente da Smart Pilots


Nilo: Praticagem vende segurança, e vende muito bem.
“Nenhum outro complexo portuário do Brasil evoluiu tanto e de maneira tão significativa quanto o do Estado do Maranhão”

Nilo Alberto Monteiro Carvalho é prático na Baia de São Marcos e teve sua trajetória iniciada no ano de 1982, quando, pela primeira vez, manobrou um navio ainda na condição de Praticante de Prático. O dia era seis de agosto. Ao lado do companheiro Cleber, ajudou a atracar o navio Norsul Trombetas carregado de bauxita no recém inaugurado terminal da fábrica de alumínio do Maranhão – Alumar. Cearense de Fortaleza, mas filho de mãe maranhense, Nilo, como é conhecido no porto do Maranhão, mantém a mesma rotina de sempre, dividindo o dia entre escalas, marés e manobras. O que mudou, e mudou muito, foi o Complexo Portuário do Maranhão. E seu tempo também mudou. Para menor. Agora, além da escala rotineira e obrigatória da APEM, ainda se desdobra para dar conta de fainas da sua própria empresa de praticagem, a Smart Pilots. Nesta entrevista vamos conhecer um pouco mais dessa atividade considerada uma das mais nobres dos portos de todo o mundo.

Texto: Carlos Andrade, editor

PORTOSMA – Vamos começar por um resumo daquele porto de antes - do início de sua história na Praticagem - até os dias de hoje.

Nilo Monteiro Carvalho – Em 32 anos o crescimento e a evolução do nosso complexo portuário se mostrou fantástica, principalmente no que diz respeito a estrutura dos portos e terminais. A fábrica de alumínio ainda não operava, e seu porto se resumia a um único berço, com navios limitados a 30 mil toneladas. O hoje poderoso complexo Vale ainda era uma promessa. A nossa estrutura portuária, sobretudo no quesito abastecimento, cresceu muito. Quando eu comecei tínhamos uma media e 16 navios por mês. Hoje esse número é superior a 160. Outra coisa que cresceu de forma espetacular foi o tamanho dos navios.




PORTOSMA – Tente explicar em números esse processo de gigantismo das operações e dos navios

Nilo Monteiro Carvalho - Desde 2011 passaram a operar em nosso complexo portuário trinta navios maiores de 400 mil toneladas. E quatro maiores que 380 mil toneladas. Entrar ou sair do porto com um super navio desses exige uma maré só encontrada em pouquíssimos portos do mundo, com lâmina d’água suficiente para garantir navegabilidade com calados de 23,4 metros. E as notícias futuras são igualmente boas. Até 2019 nos teremos a construção de mais 30 navios, todos maiores que 388 mil toneladas. Sendo 18 em 2018 e 12 em 2019. O Maranhão hoje dispõe de dois grandes terminais para operar essas maravilhas da tecnologia, ambos com menos de três anos de operação. O Píer III, inaugurado em agosto de 2013, e o Píer IV, inaugurado em outubro de 2016. Ambos pertencentes a mineradora Vale.

PORTOSMA – Mais navios, mais manobras, mas práticos...

Nilo Monteiro Carvalho - Sim, e cresceu muito. O quadro dos práticos que atuam no Complexo Portuário Maranhense cresceu 150%. De 14 para 35 práticos em menos de sete anos. Ou seja, os números não deixam dúvidas que o Maranhão passou por uma vertiginosa linha de crescimento onde os portos, e suas atividades fins, como rebocadores e praticagem, por exemplo, seguiram na mesma trilha.

PORTOSMA – Qual sua primeira operação como prático no Maranhão?

Nilo Monteiro Carvalho - No dia 06 de agosto de 1984. O navio era o Norsul Trombetas, que tinha como comandante Américo Lins Vasconcelos e o Prático Cleber Sousa Castro. Havia um prático a bordo porque todos nós começamos como praticante de prático. Essa fase em média tem a duração de um ano. Após esse período de formação com os colegas práticos mais antigos, somos enfim elevados a categoria de Prático da Baía de São Marcos. Na ocasião atracamos no porto da Alumar e a carga era a bauxita.

PORTOSMA – Uma boa e uma má decisão das sucessivas gestões do Itaqui, o principal e único porto público do complexo maranhense?

Nilo Monteiro Carvalho – No que diz respeito às manobras as boas notícias superam em muitos as nem tanto. Exemplos positivos são as estruturas dos terminais, defensas mais seguras, introdução de novas tecnologias, e, sobretudo os rebocadores. Hoje no Maranhão nos temos uma das melhores frotas de rebocadores do Brasil. Entre as decisões que podem ser consideradas nem tanto, podemos dizer que, no caso do Itaqui, o acesso ao porto piorou bastante. Houve um “inchaço” na administração o que de certo modo explica boa parte dos problemas de logísticas que penalizam os usuários do nosso complexo. A burocracia cresceu muito, quando na verdade deveria diminuir.

PORTOSMA – O Maranhão acompanhou o desenvolvimento dos demais portos do país, sobretudo aqueles de referencia como Paranaguá e Santos, por exemplo?

Nilo Monteiro Carvalho – Acompanhou não, superou. O complexo portuário do Maranhão superou qualquer outro no país que possamos buscar como referencia. Não existe no Brasil um exemplo de portos que tenha evoluindo tanto quanto o do Maranhão. Nós somos um dos poucos, no mundo, que opera com navios acima de 400 mil toneladas.

PORTOSMA – E quanto a nossa praticagem? Se comparada com as outras de portos similares ela está bem?

Nilo Monteiro Carvalho – Está bem sim. Toda praticagem vende segurança e nesse quesito os números nos ensinam que entregamos muito bem aquilo que vendemos. Porem, no caso do complexo maranhense, está super dimensionado o número de práticos, o que prejudica muito o treinamento.

PORTOSMA – A quem pode ser atribuída essa, digamos, “culpa” por esse super dimensionamento? A Marinha? A DPC? Quem?

Nilo Monteiro Carvalho – Não se trata de determinar ou achar culpados. Essa decisão de aumentar, e até mesmo triplicar o número de práticos nos portos brasileiros, é resultado de um conjunto de ações políticas que, em tese, sempre atropelam as orientações consideradas técnicas.




PORTOSMA – Custo Brasil. A Praticagem ainda leva essa pecha de ser responsável pelo saldo negativo dessa conta?

Nilo Monteiro Carvalho – Não leva hoje e nem nunca levou. Trata-se de um mito que se faz necessário esclarecer. Se você pegar um navio de 400 mil toneladas de minério de ferro, por exemplo, considerando o preço de 55 dólares por tonelada, carrega em seus porões uma fortuna superior a 70 milhões de dólares só de carga, sem considerar o preço do navio e a quantidade de óleo que transporta em seus tanques de combustíveis. O preço da Praticagem não sai  por mais de 0,04 por tonelada. Ou seja, isso que nosso preço afeta e até encarece o chamado custo Brasil é uma balela. Como também é mentira se afirmar que parte dos nossos preços quem paga na ponta é o consumidor. As praticagens do Brasil exportam mão de obra para o mundo todo, geramos emprego e recolhemos, só para o município, 5% da nossa receita, em folha. Nos somos responsáveis sim, pela melhoria das contas da Balança Comercial Brasileira, nunca o contrário.

PORTOSMA – Serviço de lancha na Praticagem é ou não “venda-casada”?

Nilo Monteiro Carvalho – Não é venda-casada. Muito pelo contrário. As pessoas costumam dizer que prático ganha muito bem. O que é verdade. Mas por trás dos nossos preços existe uma série de serviços – todos eles caros – que demandam custos muito antes de cada manobra. Antes do Prático subir a bordo de um navio cada empresa faz acionar um conjunto de assessoria técnica, infra-estrutura de transportes que vai de carros, lanchas e até helicópteros. Geramos empregos, pagamos impostos e vendemos segurança. O treinamento para o sucesso da nossa atividade é fundamental e não se mede esforços, e muito menos custos, para fazer o nosso trabalho bem feito.

PORTOSMA – Porto e política. Essa relação faz bem a quem?

Nilo Monteiro Carvalho – Eu não gostaria de entrar nessa discussão, mas reconheço que quando a segunda, atropela de forma atabalhoada as decisões técnicas do primeiro, o resultado final nunca é bom.

PORTOSMA – Com muito tempo no mar, o Prático tem condições de concordar – ou discordar - com os ambientalistas, sobretudo os alarmistas, que o nível do mar está crescendo, invadindo limites, e aumentando ondas. A sua maré, aquela primeira de 1984, é a mesma de agora ou apresenta alterações visíveis de volume, ondas e/ou lâminas d’água?

Nilo Monteiro Carvalho – Nesses 32 anos de mar não tenho percebido variação alguma que possa ser considerada significativa. A maré é a mesma de sempre. Uma mudança aqui, outra ali provocada por assoreamentos ou dragagem, mas nada que possa justificar uma preocupação considerando o teor da pergunta.

Lugar: PORTOSMA
Fonte: Redação
Data da Notí£©a: 06/08/2017

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