Novembro Azul: um mês inteiro de campanha contra o câncer de próstata # Hoje é terça-feira, 21 de novembro, dia da Homeopatia e das Saudações # O Atlético de Goiás é o primeiro time a ser rebaixado da Série A para a Série B # Completando a rodada Avai 2x1 Palmeiras e Fluminense 2x0 Ponte Preta.
cargas e cais propaganda1 orizon supplier humberto gomes
HOME
Entrevista
 Ogmo/itaqui
Syngamar
 Agencias Marítimas
Soamar MA
Fotos & Imagens
Empresas
Dicas/Serviços
Capitania dos Portos do Maranhão
The best of web
Fale conosco


Vale
 Alumar
Itaqui
 Cargas
 Todos os portos
 Cartas Náuticas

Osvaldo Rocha
José Oliveira
 Herbert Santos
Telex/Aniversários
 Humor
Ponto de Vista

Noticias
 Legislação

Aniversário Alumar
 Carta Pero Vaz
 São Luis 405 anos
 Copa 2014
 Copa Confederações
 O Trem da Vale
Museu da Soamar

Pratimar
Petrobras
Portal Exportador
Banco Central
Receita Federal
Marinha do Brasil
Capitania Maranhão
Conapra
Policia Federal
Obra Prima CE











ENTREVISTA
CMG LUIZ AUGUSTO OLIVEIRA DE FREITAS
Capitão dos Portos do Estado do Maranhão
no p
eríodo de 2004 a 2006

Carioca do Rio de Janeiro, Luiz Augusto Oliveira de Freitas, 48 anos, é uma dessas pessoas que honra as calcas que veste, ou melhor, a farda que veste. Marinheiro de coração e vocação, ele vestiu a primeira farda marinheira no dia 01 de março de 1973, Desde então, mudaram as divisas, as patentes, mas a cor branca permanece a mesma há exatos 33 anos. Hoje o menino que quis ser marinheiro por influência da mãe – que achava lindo aquele uniforme branco – é Capitão-de-Mar-e-Guerra e está as vésperas de passar o Comando da Capitania dos Portos do Maranhão, cargo que ocupou nos últimos dois anos. Nascido em 04 de junho de 1957, foi estudante em dois dos mais tradicionais colégios do Rio de Janeiro: o São Francisco de Assis e o Rivadávia Correia. Em seguida fez o Curso Tamandaré que o prepararia para o mais importante passo da sua vida: Se alistar na Marinha de Guerra do Brasil. A porta de entrada tinha um nome e um desafio. O nome: Colégio Naval de Angra dos Reis. O desafio: passar no concurso onde 2 mil jovens disputavam 200 vagas. Ele atravessou os dois. Nessa entrevista, o Comandante Freitas – que no próximo dia 17 passa o Comando da CPMA ao seu colega de farda e patente Ricardo Achilles de Faria Mello - fala da sua vida, dos seus sonhos, e, principalmente, da sua administração à frente da Capitania dos Portos do Maranhão.


“Ser marinheiro não é apenas ter uma profissão,
é optar por uma forma de vida especial”

Por Carlos Andrade, da Redação

PORTOSMA - Sua influência de ser marinheiro tem origem onde exatamente?
Comandante FREITAS - Não tenho parentes na Marinha, mas na ocasião meus primos tinham um tio que era engenheiro naval. A escolha de ser marinheiro veio por influência direta de minha mãe que admirava esse militar, e acreditava ser a Marinha uma chance para que eu alcançasse sucesso pessoal e profissional. Naquela época, com apenas 14 anos, nada conhecia sobre a carreira. O que me influenciava era a possibilidade de vestir o uniforme branco, e poder viajar pelo Brasil e pelo mundo. Fascinava-me poder conhecer novos horizontes, superar limites, o que dificilmente poderia fazer de outra forma, por ser minha família bastante modesta. Na ocasião do concurso para a Marinha, minha mãe já era viúva - meu pai faleceu quando eu tinha 11 anos - e trabalhava duro para sustentar a mim, minha irmã e avó doente. Foi uma época muito difícil.

PORTOSMA - E a sua irmã, também é da Marinha?
Comandante FREITAS - Não. Ela fez opção pela área médica e hoje é Terapeuta Ocupacional, com especialidade Alzheimer. Atende em clínicas, hospitais e de forma particular no Rio de Janeiro.

PORTOSMA - Já na Marinha, como foi sua trajetória, da Escola Naval até o posto de Capitão de mar e Guerra?
Comandante FREITAS - Fui nomeado Guarda-Marinha em 13 de dezembro de 1978, após 2 anos de estudos no Colégio Naval e outros 4 na Escola Naval. Embarquei no navio-escola Com o antecessor,  o CMG Enilson Vilela...Custódio de Melo onde fiz a Viagem de Instrução pela África, Europa e Estados Unidos. Aquela era a primeira vez na vida que saía do Brasil e a emoção foi muito grande, até mesmo porque passaria 6 meses viajando e longe da família. Em agosto do mesmo ano embarquei, já como Segundo-Tenente, no Contratorpedeiro Alagoas onde servi até 1981. A partir de então passei pelo Centro de Instrução Almirante Wandenkolk, onde cursei Comunicações.

PORTOSMA - O Senhor exerceu em algum momento essa formação a bordo?
Comandante FREITAS - Fui Encarregado da Divisão de Comunicações no contratorpedeiro Mato Grosso. Depois trabalhei em diversas unidades da Marinha, exercendo alguns cargos como o de Imediato na Corveta Angustura; Comandante no Navio-Patrulha Piratini; Imediato na Estação Rádio da Marinha em Brasília; Oficial Aluno da Escola de Guerra Naval; Chefe de Operação do Navio de Desembarque Doca Ceará; Encarregado da turma de Guardas-Marinha do Navio Escola Brasil. Servi ainda no Comando do Terceiro Distrito Naval; Fui Encarregado da Seção de Operações do Estado-Maior e Ajudante na Capitania dos Portos de Pernambuco. Depois, retornei ao Centro de Instrução Almirante Wandenkolk, onde fui Superintendente de Ensino e, promovido a Capitão-de-Mar-e-Guerra, passei a exercer o cargo de Imediato.

PORTOSMA - A Capitania maranhense foi então seu primeiro comando em terra. Onde o senhor estava quando ouviu falar pela primeira vez que seria o Capitão dos Portos do Estado do Maranhão?
Comandante FREITAS - Exato. Porém, antes de assumir a CPMA tive uma experiência na Capitania de Pernambuco, onde servir como Ajudante no período de 1998 a 2001, o que Com o sucessor, CMG Faria de Mello...certamente me deu bastante experiência sobre os assuntos que seriam tratados durante o Comando em São Luis. Soube que seria o Capitão dos Portos do Maranhão quando estava fazendo o Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia da Escola Superior de Guerra. No momento em que recebi a notícia pelo meu encarregado de turma, o então Contra-Almirante Eduardo Monteiro Lopes, estava realizando uma visita de estudos à Academia Militar das Agulhas Negras.

PORTOSMA - Qual a sua reação e da família?
Comandante FREITAS - Num primeiro momento fiquei surpreso, pois apesar de ter sido voluntário para o Cargo não esperava receber tamanha mostra de confiança do Comandante da Marinha. Mas me lembro que, refeito do susto, telefonei imediatamente para minha esposa e juntos choramos emocionados de tão felizes e agradecidos.

PORTOSMA - O que o Senhor sabia da cidade onde iria passar os próximos dois anos?
Comandante FREITAS - Conhecia São Luís muito superficialmente, pois quando comandei o Com a esposa, Maria das Graças...Navio-Patrulha Piratini entre 1988 e 1989, em Belém, tinha tido a oportunidade de visitar a cidade em uma operação naval. No mais, procurei acompanhar alguns capítulos de uma novela que passava na TV Globo em 2003, que mostrava partes da cidade e dos lençóis maranhenses. Também passei a ler diariamente o jornal O Estado do Maranhão - pela Internet - buscando identificar-me com o dia-a-dia do Maranhão e, mais especificamente, de São Luís. Durante essa fase procurei listar as pessoas que deveria conhecer imediatamente como forma de facilitar minhas ações no Comando, e após chegar aqui segui rigorosamente o planejado.

PORTOSMA - Até o comando em São Luís qual havia sido seu maior desafio?
Comandante FREITAS - Creio que se tivesse de escolher um, escolheria o cargo de Encarregado da turma de Guardas-Marinha de 1994, quando da viagem de instrução a bordo do Navio-Escola Brasil em 95. Ser encarregado e responsável pela formação dos futuros Oficiais da Marinha é uma tremenda responsabilidade. Você é observado 24 horas por dia em qualquer de suas ações ou omissões, com a obrigação de transmitir o que de melhor pode ser um Oficial, mostrando o que deve e não deve ser feito ao longo da carreira. Foi uma experiência muito enriquecedora.

PORTOSMA - Em algum momento o senhor pensou em desistir de ser marinheiro?
Comandante FREITAS - Nunca. Jamais isso passou pela minha cabeça. E se voltasse no tempo faria tudo igual. Ou seja, voltaria a ser marinheiro.

PORTOSMA - Das coisas que a Marinha lhe ensinou, qual o senhor considera a mais relevante?
Comandante FREITAS - A perfeita noção de responsabilidade, por seus atos, omissões, decisões, e pelas pessoas que lhe estão subordinadas. Aprendi que responsabilidade não se delega e que devemos aceitar riscos se queremos alcançar as metas traçadas.

PORTOSMA - A Marinha em algum momento da carreira foi injusta com o Senhor?
Comandante FREITAS - Já houve momentos em que esperei mais. Porém não posso reclamar, pois a Marinha possui critérios corretos de avaliação que visam exatamente evitar Com Mario e Marizinha Flexa...as injustiças. Mas esperar mais é natural do ser humano. Considero que a Marinha, em sua justa medida, me permitiu o que fiz por merecer.

PORTOSMA - Comando em São Luís. Como o senhor se preparou para esse desafio?
Comandante FREITAS - No tocante às atribuições como Capitão dos Portos, busquei estudar as Normas da Autoridade Marítima além das principais Leis e regulamentos que deveria seguir e fazer cumprir. Ao assumir o cargo tracei metas a serem alcançadas e as persegui incansavelmente. Tive o prazer de superá-las nos dois anos à frente da organização.

PORTOSMA - A decisão de vir para o Maranhão foi de consenso ou foi uma determinação dos seus superiores?
Comandante FREITAS - Na verdade tive várias opções e a escolha da capital maranhense foi voluntária. Eu quis vir. Me foi dada a chance de escolher em uma lista de possibilidades que incluíam outras organizações em outras cidades ao longo do Brasil. A CPMA era um desafio que eu estava disposto a vencer, uma experiência impagável, uma oportunidade que não podia deixar passar.

PORTOSMA - Se não fosse São Luís seria...
Comandante FREITAS - Se não fosse aqui gostaria de ter sido Capitão dos Portos em Pernambuco, terra natal de minha esposa e meu filho e onde possuo parentes e amigos.

PORTOSMA - Qual a primeira e mais marcante impressão que a Ilha causou?
Comandante FREITAS - A limpeza da cidade. Cheguei aqui em plena época do carnaval 2004 e via a empresa que fazia a coleta de lixo e limpeza das ruas atuando imediatamente após as festas. As limpíssimas logo pela manhã. Isso me marcou bastante.

PORTOSMA - A Capitania que o Senhor recebeu é diferente da que estará entregando no próximo dia 17 ao seu sucessor, o CMG Ricardo Achilles de Faria Mello?
Comandante FREITAS - Meu antecessor fez o que estava a seu alcance para passar-me Com Jorge Afonso e Paulo de Tarso...uma Capitania organizada e bem estruturada. Dessa forma foi fácil cumprir minha missão, fazendo apenas as adaptações necessárias para tentar tornar a Organização mais eficiente. Mudanças são sempre bem-vindas e já começam com a troca do Comando, quando o substituto busca imprimir a sua forma de comandar, tentando sempre melhorar algo que possa ter passado desapercebido por seu antecessor. A CPMA hoje, eu diria, está bem diferente, pois possui a minha personalidade. Mas com certeza muito há ainda por fazer e que certamente será feito por meu sucessor.

PORTOSMA - O complexo portuário maranhense abriga grandes empresas, fundamentais na balança de exportação. Como isso pesa nos ombros de um Capitão dos Portos?
Comandante FREITAS - Não pesa. Existem normas claras da Autoridade Marítima e da própria Capitania dos Portos sobre os procedimentos que devem ser adotados por cada um que opera nessa área. Todos conhecem perfeitamente bem essas normas e o relacionamento franco e aberto entre a Capitania dos Portos e a comunidade marítima e portuária contribui decisivamente para a correta operação do Porto do Itaqui. Quando existem dúvidas sobre quaisquer procedimentos, elas são tiradas pelo pessoal da Capitania com a devida antecedência, de forma que não há casos de prejuízos às atividades portuárias registrados na CPMA.

PORTOSMA - A variação da nossa maré representou alguma novidade em sua formação de homem do mar?
Comandante FREITAS - Eu não diria novidade mas, sem dúvidas, tivemos de fazer as adaptações necessárias às nossas operações, principalmente visando a manutenção da segurança da navegação e a salvaguarda da vida humana no mar. A primeira providência foi a elaboração do Plano de Auxílio Mútuo Marítimo e Fluvial da CPMA, plano esse que prevê o emprego, pela Capitania, de embarcações civis pertencentes a empresas privadas em casos de justificada emergência. Um exemplo foi o naufrágio da biana Estrela da Guia I, em setembro de 2004, quando utilizamos um rebocador do Consórcio de Rebocadores da Baía de São Marcos e uma lancha da SERVPRAT para ajudar nossas lanchas nas buscas.

PORTOSMA - Quais as realizações na nossa CPMA que mais lhe deram prazer?
Comandante FREITAS - Posso citar três projetos: (a) A Escola vem à Marinha - Iniciado em agosto de 2004, visa a integração de jovens alunos dos Ensinos Fundamental e Médio das Com o prefeito de Ribamar, Luiz Fernando...escolas das redes pública e privada, com a Marinha do Brasil, despertando o civismo, o respeito à segurança da navegação e o interesse em ingressar na carreira naval. Em 18 meses recebemos quase 900 jovens em nossas instalações. (b) Adote uma Sala -Visa a melhoria de nossas instalações e equipamentos utilizados para o ensino, proporcionando uma melhor qualidade na formação dos profissionais da área marítima. (c) Patrulhamento do Rio Preguiças - Utilizando de modernas Lanchas-Patrulha, o projeto – realizado pela primeira vez na história da Capitania - foi iniciado em agosto de 2004, proporcionando um notável incremento na segurança da navegação daquela importante hidrovia.

PORTOSMA - O que o senhor pensou em fazer durante seu comando e não conseguiu?
Comandante FREITAS - Posso me considerar um felizardo por ter conseguido levar adiante todos os projetos que me propus a executar, e para tal contei com imensa dose de boa vontade dos parceiros da comunidade marítima ludovicense. Porém não foi possível colocar em vigor as novas Normas e Procedimentos para a CPMA. Este projeto foi concluído em outubro de 2005 e ainda se encontra em fase de avaliação pela Diretoria de Portos e Costas. Gostaria Com Nilson de Souza...de tê-las posto em vigor durante meu Comando por ter trabalhado nelas pessoalmente desde setembro de 2003, quando ainda me encontrava no Rio de Janeiro.

PORTOSMA - Qual a real situação da área da Marinha que antes abrigava o SSN-42, localizada dentro do perímetro do porto organizado do Itaqui?
Comandante FREITAS - Atualmente está arrendada a uma empresa privada que nela pretende instalar um empreendimento ligado á área marítima. Falta, no entanto, resolver algumas pendências com a Prefeitura de São Luís.

PORTOSMA - O seu comando não enfrentou grandes problemas, exceto alguns naufrágios como o caso da Biana de Ribamar. O senhor tem uma explicação pra esse fato positivo?
Comandante FREITAS - Os naufrágios foram casos que não puderam ser evitados pela Capitania, em que pese as inúmeras campanhas de conscientização que fazemos diariamente visando que não ocorram. Reconheço que a avaliação seja positiva. Os problemas que surgiram foram contornados com muito trabalho e diálogo com os diversos setores envolvidos. A CPMA desfruta de um excelente relacionamento com a comunidade marítima maranhense e com os diversos setores ligados à atividade, o que facilita a condução e solução de qualquer crise. Diria que o relacionamento profissional e harmônico com nossa Comunidade Marítima contribuiu de forma decisiva para ampliar os padrões de segurança da navegação em nossa jurisdição.

PORTOSMA - A Capitania chegou a ter um grupo de casas no bairro do Cohatrac. Por que ela se desfez dessa que parecia ser uma conquista?
Comandante FREITAS - A extinção do antigo SSN-42 e a transferência de seu pessoal para Belém e outras cidades no ano de 2001 fez com que a Capitania dos Portos do Maranhão ficasse sem ter pessoal suficiente para nele residir. Sem recursos financeiros para mantê-lo fechado, a alta Administração Naval achou por bem que deveria repassa-lo ao Exército. Foi Com o Governador José Reinaldo  e Comandante do IV Distrito Naval...então oficializado um acordo e aquelas residências foram passadas a responsabilidade do 24º Batalhão de Caçadores por meio de cessão de uso. Ou seja, as casas estão sendo usadas pelo Exército mas continuam pertencendo à Marinha do Brasil.

PORTOSMA - Uma das suas parceiras em São Luís foi a Soamar. Quais as lembranças que o senhor leva da nossa Sociedade Amigos da Marinha?
Comandante FREITAS - A Soamar do Maranhão tem sido uma excelente parceira na condução do Projeto Mearim, realizado a cada ano com a determinação do empresário Zildêni Falcão. A Soamar exerce também um papel fundamental na ligação com o Comando do 4º Distrito Naval, no planejamento e na reunião dos recursos materiais e humanos da Marinha. Essa operação vem crescendo e guardarei a lembrança de ter contribuído para esse crescimento em 2004 e 2005. Outro destaque fica por conta dos soamarinos Carlos Alberto Ramos e da Professora Joseth Coutinho com o Projeto "A Escola vem à Marinha". As ações possibilitam orientações e coordenações de visitas ao Museu Marítimo e administração de palestras sobre os patronos das escolas visitantes, contribuindo, dessa forma, para despertar o interesse dos alunos para aquilo que o projeto se propõe.

PORTOSMA - O Senhor já conhecia o trabalho da Soamar/Ma antes?
Comandante FREITAS - Na verdade, ao vir para o Maranhão em 2004, ouvia falar de uma Soamar atuante e participativa, parceira inseparável da Capitania em outras épocas. Infelizmente, nossa querida entidade vem atravessando um delicado período de reestruturação conduzida com carinho pelo atual Presidente, o empresário Jorge Afonso. Estou certo de que isso será conseguido com persistência e determinação, e para tal, creio que deva ser avaliada a necessidade de renovação em seu quadro de associados. Tenho certeza de que a Soamar do Maranhão tem um futuro brilhante. Torço para que isso aconteça em breve espaço de tempo. Aos Soamarinos deixo minha eterna gratidão pela amizade e apreço com que sempre me distinguiram e à minha família, tornando nossa estadia em São Luís a mais agradável possível.

PORTOSMA - O que o Senhor tem a dizer a um jovem que quer ser marinheiro?
Comandante FREITAS - Diria a ele que nós marinheiros somos integrantes de uma Instituição em que o trabalho é encarado como vocação. A coragem para desafiar dificuldades é uma prática diária, assim como a opção pela evolução é uma escolha histórica. Diria ainda que a Marinha do Brasil é uma das melhores escolhas profissionais que ele poderia fazer, e que ser marinheiro não é apenas ter uma profissão, é optar por uma forma de vida especial. Considero-me um privilegiado por pertencer à Marinha do Brasil, e, se tivesse de recomeçar, faria tudo novamente.

PORTOSMA - Onde o Senhor estará depois do dia 17 de fevereiro?
Comandante FREITAS - Permanecerei em São Luís até o dia 23. Depois sigo viagem para Brasília, passando antes por Recife onde pretendo descansar por uns dias e rever familiares e amigos. De volta ao batente, irei morar em Brasília, servindo na Secretaria Interministerial para os Recursos do Mar.

PORTOSMA - É fácil ser Capitão dos Portos?
Comandante FREITAS - Nenhum cargo de comando ou direção, onde você trabalha e administra a vida pessoal e profissional de pessoas e empresas, onde uma decisão errada ou precipitada pode alterar o equilíbrio comercial de uma região inteira, pode ser considerado fácil. Entretanto, a Marinha do Brasil prepara muitíssimo bem seus oficiais para o exercício do comando. Isso lhes permite enfrentar os desafios de cada situação diferente, contando sempre com o suporte de uma equipe de oficiais, praças e servidores civis bem preparados para esse assessoramento. No caso específico da CPMA, contei com o apoio de minha tripulação, que se engajou no cumprimento da missão com lealdade, cooperação, apoio e perseverança, sustentando o fogo sagrado no curso das atividades desta Capitania.

PORTOSMA - Alguém afirmou que a Capitania dos Portos do Maranhão tem dois momentos: um antes e um depois do Senhor. Isso é falso ou verdadeiro?
Comandante FREITAS - Não creio que a situação deva ser encarada dessa forma. Ocorre que em minha administração o contato com a opinião pública foi mais direto e aberto talvez que em épocas anteriores, dando-nos maior visibilidade e oportunidade de divulgar sempre nosso trabalho e os resultados positivos. Na verdade, cada Capitão dos Portos possui a sua própria personalidade e característica, tornado-o mais ou menos simpático à comunidade que o cerca. Creio que tenha tido a sorte de ter uma personalidade que muito me ajudou a conduzir a OM nesses dois anos. Além disso, contamos com o imprescindível apoio do Comando do Quarto Distrito Naval e da Diretoria de Portos e Costas. Esse apoio nos permitiu melhorar em muito a situação física da OM, dando melhores condições de habitabilidade e conforto ao nosso pessoal, incentivando-os a alcançar sempre melhores marcas. Estou certo que meu substituto fará sua parte e contribuirá para o permanente crescimento da nossa Capitania.

PORTOSMA - O Senhor foi um dos comandantes da CPMA que mais fez Amigos da Marinha. Ficou alguém de fora dessa lista?
Comandante FREITAS - Muitos. Não por não terem sido indicados por mim para serem agraciados com a Comenda, mas pela falta absoluta de vagas para todos. Fui muito feliz em fazer amigos e saber escolhê-los para serem Amigos da Marinha. Foram 10 em 2004 e 08 em 2005, todos personalidades influentes em suas áreas de atuação e com destacados serviços prestados à Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos do Maranhão. As escolhas foram pessoais e baseadas em critérios rigorosos que estabeleci. Procurarei deixar com meu substituto indicações que levem essas pessoas a ser reconhecidas em 2006, caso seja possível.

PORTOSMA - Uma última pergunta: se lhe fosse dado autoridade para alterar alguns procedimentos portuários em nosso complexo, quais alterações o Senhor faria?
Comandante FREITAS - Não creio que faria alguma mudança sem antes estudá-la profundamente ou sem julgá-la absolutamente necessária e, ainda assim, ouvindo todos os ... e com os Amigos da Marinha.atores que nela labutam diariamente. Ressalto que o Porto do Itaqui vem sendo conduzido com perfeição e maestria pela sua atual administração e os números positivos estão aí para comprovar isso.

PORTOSMA - O Senhor gostaria de acrescentar alguma coisa?
Comandante FREITAS - Não posso negar que não é fácil deixar a Capitania dos Portos do Maranhão e, principalmente, a cidade de São Luís. Faço para dar prosseguimento à minha carreira naval, afastando-me do dia-a-dia da Comunidade Marítima ludovicense, a quem expresso o meu reconhecimento pelo bom relacionamento e pronto atendimento às nossas necessidades. Quero ainda agradecer as autoridades federais, estaduais e municipais. Aos membros da CESPORTOS, do PROHAGE, do Núcleo de Policiamento Marítimo da Polícia Federal, ao empresariado e membros da imprensa que interagiram com a Capitania dos Portos do Maranhão durante minha gestão. A todos manifesto meus agradecimentos pela gentileza e fidalguia com que trataram esta Capitania, além do imprescindível apoio prestado. Agradecimentos também à Prefeitura e à Câmara Municipal de São José de Ribamar, externo o meu profundo reconhecimento e orgulho pelo Título de Cidadão Ribamarense a mim concedido, que expressa a perfeita parceria estabelecida em prol da segurança da navegação naquele município. Por fim, agradecer a Deus por haver me iluminado nas minhas decisões, e à minha família, especialmente à minha mulher, Maria das Graças Freitas, por ter-se privado do exercício de sua profissão nesses dois anos, e pelo estímulo, compreensão, companheirismo, amor e carinho constantes, que sempre me impulsionaram a dar o melhor de mim, e a transpor os eventuais obstáculos surgidos ao longo do caminho. À minha querida mãe AUGUSTA FREITAS, todo o meu amor e reconhecimento por seu esforço em procurar desde cedo proporcionar-me um futuro e uma vida digna. Por sua influência direta cheguei à Marinha do Brasil, meu lar há 33 anos.